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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Livro "José Vieira Alvernaz, Patriarca das Índias, arcebispo de Goa e Damão" de Maria Guiomar Lima

No âmbito do seu projecto editorial, o Instituto Açoriano de Cultura acaba de publicar a obra José Vieira Alvernaz, Patriarca das Índias, arcebispo de Goa e Damão, da autoria de Maria Guiomar Lima, que foi apresentada na sua galeria, pelo Prof. Nuno Vassallo e Silva.
Figura destacada da Igreja Católica, D. José Vieira Alvernaz (5-2-1898/13-3-1986) nasceu na ilha do Pico, estudou no liceu de Angra e no Seminário Episcopal, formou-se na Universidade Gregoriana em Roma e no Instituto de Ciências Sociais de Bergamo. Foi fundador do Colégio Sena Freitas em Ponta Delgada, pároco em Santa Luzia e na Praia da Vitória, professor e mais tarde reitor do seminário. Dirigiu o boletim da diocese, colaborou assiduamente nos jornais A União e A Pátria, sendo uma figura de destaque na vida social angrense nos anos 1930/40. Nomeado bispo de Cochim em 1941 e mais tarde arcebispo de Goa e Damão, Patriarca das Índias, Primaz do Oriente, foi o último prelado português a ocupar estes cargos. Estava em Pangim quando a União Indiana anexou os territórios de Goa, Damão e Diu em Dezembro de 1961, tendo desempenhado um importante papel junto do general Vassalo e Silva no sentido da rendição das tropas portuguesas. Manteve-se na sua diocese até Setembro de 1962 mas, para facilitar a nomeação de um bispo goês, deixou Pangim. Voltou aos Açores no início do ano seguinte e viveu em Santa Luzia de uma forma modesta, retirada mas muito próxima da população. Manteve os seus títulos de arcebispo e Patriarca das Índias até à assinatura do Tratado de 31 de Dezembro de 1974 entre Portugal e a União Indiana.
Maria Guiomar Lima nasceu na ilha do Pico, viveu na Terceira entre 1959 e 1972, estudou no Liceu de Angra do Heroísmo. Conheceu e privou com o arcebispo Alvernaz durante largos anos. Mais tarde licenciou-se em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa iniciou um mestrado em Comunicação Social da Universidade Nova, foi jornalista durante três décadas, tendo trabalhado no Jornal Novo, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, semanário O Independente e outros. A investigação destinada à publicação desta obra decorreu entre 2005 e 2009 sob a orientação do Prof. Artur Teodoro de Matos da Universidade Católica. Incluiu pesquisa nos arquivos nacionais, na Biblioteca Nacional em Lisboa, na Biblioteca de Angra, no arquivo da Cúria Diocesana e mais tarde no Pontifício Colégio Português em Roma. Foram entrevistados sacerdotes açorianos, antigos alunos de Alvernaz ou seus amigos, o professor Adriano Moreira que era ministro do Ultramar na altura da anexação de Goa, a Dr.ª Raquel Soeiro de Brito que conheceu o arcebispo em Pangim. Como bolseira da Fundação Oriente esteve em Cochim e em Goa em 2009, tendo consultado os arquivos das duas dioceses, conversado com sacerdotes goeses e com o bispo resignatário D. Raúl Nicolau Gonsalves, o que permitiu a recolha de importante material sobre a vida do último prelado português que foi arcebispo de Goa, Patriarca das Índias, Primaz do Oriente.
Nuno Vassallo e Silva, director adjunto do Museu Calouste Gulbenkian, é licenciado em História (variante História de Arte) pela Faculdade de Lisboa e doutorado em História de Arte pela Universidade de Coimbra. Comissariou diversas exposições, em Portugal e no estrangeiro, de que se destacam Exotica. Os Descobrimentos Portugueses e as Câmaras de Maravilhas do Renascimento (Lisboa e Viena, 2000 e 2001), Goa e o Grão Mongol (2004), Cartier 1899-1949, A Jornada de um Estilo. Foi membro do comissariado científico da exposição "Encompassing the Globe: Portugal and the World in the 16th and 17th Centuries" (Washington e Bruxelas, 2007, e Lisboa, 2009). É autor de numerosa obra, destacando-se Joalharia Portuguesa (Lisboa, 1995), A Colecção de Ourivesaria do Museu Alberto Sampaio, com Maria Manuela Alcântara Santos (Guimarães, 1998), As Colecções de D. João IV no Paço da Ribeira (Lisboa, 2003) e A Ourivesaria entre Portugal e a Índia: Século XVI ao século XVIII (Lisboa, 2009), para além de dezenas de artigos. É neto do general Vassalo e Silva.
IAC

Livro "Açores Europa", selecção de Onésimo Teotónio Almeida

Foi apresentado ao público a mais recente obra do Instituto Açoriano de Cultura intitulada Açores, Europa – uma antologia, com selecção, organização e introdução de Onésimo Teotónio Almeida, numa iniciativa da Presidência do Governo Regional dos Açores, que teve lugar no Palácio dos Capitães Generais.
A cerimónia, na qual esteve presente o Professor Doutor Onésimo Teotónio Almeida, foi presidida pelo Presidente do Governo Regional dos Açores.
“Historicamente, e até há pouco, os Açores eram uma pirâmide com a base voltada para as Américas e o vértice para Portugal. Não propriamente para a Europa, se bem que a bússola cultural da nossa classe média, média-alta e alta tenha sido precisamente a europeia, em regra na sua vertente francesa. Nisso não somos originais, seguimos o modelo predominante português, se bem que nos Açores tenha havido sempre, sobretudo em S. Miguel, uns quantos anglófilos. Assim, uma antologia de textos a ver com a Europa terá de juntar os escritos que refiram o interesse dessas figuras por países específicos da Europa – livros de viagens, cartas, artigos de jornal.
Antero, mais do que ninguém, pensa Portugal (e os Açores como adjacência) - a Ibéria aliás - como um bloco que perdeu o comboio da modernidade (ele não usou o termo, mas esse é o termo hoje corrente) e que, segundo ele, temos que recuperar. Mas ele é apenas um dos antologiados. Uma busca pela bibliografia açoriana acaba por produzir um elucidativo conjunto de textos de autores açorianos em diálogo com as ideias europeias. O volume deixar-nos-á assim com uma imagem dos Açores afinal não tão distantes da Europa pois os açorianos por ela viajaram com relativa assiduidade e as ideias europeias viajaram também sempre até aos nossos mares.”
Esta obra resulta de uma parceria entre o Governo dos Açores, através do Secretário Regional da Presidência, e o Instituto Açoriano de Cultura surge no âmbito da efeméride que este ano distingue os Açores como Região Europeia 2010.
IAC