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sábado, 26 de fevereiro de 2011

O m|i|mo em Leiria

O m|i|mo, nasceu em 1996, por ocasião da comemoração dos 100 Anos do Cinema em Portugal. O espólio reunido desde então, leva a que a constituição do Museu fosse autorizada na Reunião de Câmara de 22 de Janeiro 1997, tendo sido solicitado a concepção de um projecto de exposição que se adequasse ao espaço do Teatro José Lúcio da Silva. Simultaneamente foi-se procedendo à pesquisa e recolha sistemática de espólio para integrar a exposição permanente, dando particular ênfase ao Pré-Cinema.
O ante-projecto foi levado a Reunião de Câmara a 23 de Setembro de 1998 e desde essa data foram desenvolvidas várias iniciativas, nomeadamente a organização de exposições e produção de vários catálogos tendo como principal objectivo a divulgação do Museu, procurando sempre que possível o envolvimento da comunidade. Inicialmente denominado como Museu da Imagem, em 1999 sentiu-se necessidade de alterar o nome para Museu da Imagem em Movimento, uma vez que responde melhor aos conteúdos da exposição permanente.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Leiria entre as cidades unidas em corrida contra o Parkinson

No dia 10 de Abril, várias cidades vão unir-se em simultâneo em torno de uma iniciativa pioneira – a Corrida contra o Parkinson.
Lisboa, Faro, Coimbra, Leiria e Maia são algumas das cidades portuguesas que se associam a este evento internacional e realizam, à mesma hora, corridas de sensibilização para a doença de Parkinson. Esta corrida, que será organizada em vários países, tem como objectivo percorrer 40 mil quilómetros que representam simbolicamente a volta ao mundo.
Organizada pela Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk), a corrida é uma iniciativa global que visa contribuir para sensibilizar a população para a doença de Parkinson.
“Esta iniciativa é muito importante para que as pessoas conheçam esta doença e compreendam as dificuldades que os doentes e familiares têm de ultrapassar no dia-a-dia. Todos juntos podemos unir forças e contribuir para melhorar as condições de vida dos portadores desta doença”, refere Helena Machado, presidente da APDPk.
Estas acções inserem-se nas comemorações do Dia Mundial do Doente de Parkinson, que se celebram a 11 de Abril. Este dia corresponde à data de nascimento de James Parkinson, o médico inglês que, em 1817, identificou e descreveu os sintomas da doença que viria a receber o seu nome.
A doença de Parkinson é uma doença neurológica degenerativa do sistema nervoso central, para a qual ainda não existe cura. É a segunda doença neurodegenerativa mais comum, atingindo mais de uma em cada mil pessoas na Europa. Em Portugal, cerca de 20 mil portugueses sofrem de doença de Parkinson.
A APDPk é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPPS) com sede em Lisboa e delegações em todo o país. Os seus principais objectivos são a sensibilização para a doença de Parkinson, apoio aos doentes e angariação de meios para intervir junto dos organismos competentes.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Mãe-Mão | Teatro para Bebés

No domingo, 6 de de Fevereiro, às 10 e 11:30 horas, a Companhia "Teatro do Biombo", apresenta teatro para bebés (a partir dos 6 meses) com o título "Mãe-Mão", a ter lugar na Sala Jaime Salazar Sampaio do Grupo-Teatro de Leiria (Te-Ato), em Leiria.
Projecto pioneiro para bebés em sala de espectáculo, Mãe-Mão é um espectáculo que conjuga a música, a dança e o teatro para bebés e crianças, retratando de forma poética uma história sobre a importância das rotinas diárias para a conquista da autonomia afectiva.
Ideia original de Joana Pavão, dramaturgia, encenação e interpretação de Ana Lázaro e Joana Pavão, acompanhamento pedagógico de Miguel Mata Pereira, música de Hugues Les Bars, figurinos de Teresa Pavão, costureira Helena Dinis, adereços Carla Freire, desenho de luz H.C.Franco, ilustração de Amelie Bouvier e   produção Teatro do Biombo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Grupo Coral de Vila Real

No próximo sábado, dia 29, pelas 17 horas, no Teatro Miguel Franco, Leiria, actuará o Grupo Coral de Vila Real.
A entrada é livre mas limitada à lotação da sala.
O Grupo Coral de Vila Real foi criado em 2007 e teve a sua primeira actuação no ano seguinte, fazendo já parte integrante do panorama cultural deste concelho transmontano.
Para além de abordar as várias vertentes corais, contemplando nas suas actuações temas galaico-portugueses, populares, espirituais e música sacra de várias épocas, este grupo não deixa nunca de realçar o canto enquanto meio de relacionamento entre as pessoas.
Em mais uma demonstração deste prazer, o coral desloca-se a Leiria para interpretar, entre outros, temas tradicionais e de autores como James Dillard, Adérito Silveira e Zoltan Kodaly.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

José Pedro Pinheiro Correia

José Pedro Pinheiro Correia nasceu em Leiria a 9 de Junho de 1892. Era filho de Fernando Francisco Correia (telegrafista, natural de Lisboa) e de Etelvina das Dores Pinheiro Correia (natural de Leiria). Neto paterno de Francisco António Domingues e de Maria José. Neto materno de Teotónio Pinheiro e Maria Rita.
Pinheiro Correia fez os seus estudos secundários no Liceu de Leiria e os superiores em Coimbra e Lisboa. Assentou praça, como voluntário, com 19 anos, no Regimento de Infantaria 7, em Leiria. Em 1915 ingressou na Escola de Guerra (actual Academia Militar), onde tirou o curso da Arma de Infantaria. Foi promovido a Alferes no ano seguinte. Nesse ano, concorreu ao primeiro curso que se realizou na Escola de Aeronáutica Militar onde era director de instrução de pilotagem o Comandante Sacadura Cabral.
Sem concluir o curso de pilotagem, Pinheiro Correia foi para Moçambique, em 1917. Dois anos depois regressa à metrópole onde vem a ser promovido Tenente, em 1920, sendo colocado no Grupo de Esquadrilhas de Aviação República, como director da Secção Fotográfica. Nesse mesmo ano obtém o curso de observador aéreo.
É promovido a Capitão a 25 de Agosto de 1922 e a 3 de Novembro, desse mesmo ano, vai para a Escola Militar de Aeronáutica, onde tirou o Curso de Piloto Aviador recebendo o respectivo diploma a 5 de Fevereiro de 1925. Começa assim, a sua grande carreira aérea, sendo o responsável pela primeira ligação da metrópole às províncias do ultramar. Fez imensas viagens com forte destaque para as ligações aéreas com o continente Africano.
O Coronel Pinheiro Correia, em 1926, foi nomeado comandante da Companhia de Aerostação, em Alverca. Mais tarde foi para o Grupo Independente de Aviação de Bombardeamento, em Alverca, após ter sido promovido a Major, em 1930.
Em Junho de 1934 foi transferido para o Grupo de Aviação de Informação n.º 1 da Amadora, o qual comandou até 1938. Nesse mesmo ano, obteve a patente de Tenente-Coronel e passou a comandar a Base da Ota onde permaneceu até 1943, ano em que foi promovido a Coronel e colocado no Comando Geral da Aeronáutica Militar. Seguiu-se a nomeação para Comandante da Aeronáutica no Comando Militar dos Açores, na ilha de São Miguel, onde esteve até 1946.
Após a sua passagem pelos Açores, desempenhou várias funções, sempre na mesma área, com passagem pela TAP onde foi delegado em Paris.
O Coronel Pinheiro Correia era uma figura muito activa. Promoveu várias provas de aviação nacionais e internacionais e diversas actividades relacionadas com a aviação, onde se destacam o “Meeting” Internacional da Amadora e a Exposição Internacional de Aeronáutica. Organizou um cruzeiro a Espanha, um outro ao Norte de África e participou noutro ao Ultramar Português.
Fez parte de diversos Congressos onde apresentou teses, dirigiu o jornal “Do Ar” e foi presidente da direcção do “Aero Clube de Portugal”. Entre diversos trabalhos, escreveu “Aerostação Militar”, “Política Aérea” e “O que é e para que serve um avião”.
Das numerosas condecorações que recebeu, destacam-se a Comenda da Legião de Honra, a Ordem de Torre e Espada, a Cruz Vermelha da Alemanha, a Ordem Real do Salvador da Grécia, a Ordem de Cristo, a Ordem do Infante Dom Henrique e a Ordem do Império.
Muito fica por escrever sobre este nobre e ilustre leiriense. Contudo, existe um trabalho extraordinário sobre o Coronel José Pedro Pinheiro Correia no seguinte endereço da Internet: http://www.coronelpinheirocorrea.tosterego.com
O Coronel Pinheiro Correia faleceu a 2 de Julho de 1973.
Adélio Amaro

Cantares na Vila

Com a organização do Grupo de Cantares Pinhal d'El Rei, o Teatro Miguel Franco, recebe no próximo sábado, 22 de Janeiro, em Leiria, pelas 21h30, com entrada livre o espectáculo de "Cantares da Vila".
Vinte e oito anos já são passados e a persistência de alguns permite que novas gerações de músicos se enquadrem na ambiência musical mais tradicional, sempre com arranjos nossos mais ou menos arrojados. Os fados da Amália são relembrados e embelezados pelo toque diferente do bandolim e pela voz da cantora Ana Guerra. E porque não alguns originais com uma sonoridade próxima da música popular, respeitando a poesia dos nossos poetas mais populares?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fernando de Lara Reis

Fernando de Lara Reis nasceu em Leiria a 28 de Dezembro de 1892. Era filho de Francisco António dos Reis (natural de Viseu) e de Maria del Carmen Rosália Clara Eusébia de Lara Reis (natural de Cádis, Espanha). Neto paterno de Agostinho António dos Reis e de Rita Albertina dos Prazeres Reis e neto materno de Manuel Sanchez de Lara e de Maria Manuela Santos Mena.
Lara Reis frequentou o Liceu de Leiria e completou os seus estudos no Colégio Militar e Escola de Guerra, ingressando em Infantaria, vindo a reformou-se muito cedo como Capitão por ter sofrido uma acidente de aviação na sua última prova como aviador militar, em França, durante a 1.ª Grande Guerra.
Seguindo a carreira do magistério foi nomeado professor efectivo do Liceu de Macau, função que exerceu até à sua morte. No antigo território português, Lara Reis fundou o Rotary Club de Macau e foi presidente da Agência de Macau dos Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918. Ali criou um Ossário como monumento para os combatentes da referida guerra.
O Capitão Fernando de Lara Reis legou a sua casa “Sol Poente” à Santa Casa da Misericórdia para nela ser instalada uma clínica. Mais tarde, o Rotary Club de Macau mandou colocar uma placa em português e chinês com o seguinte: “Pavilhão Lara Reis – clínica anticancerosa (Lara Reis – Lara Reis Cancer Clinic)”.
Também legou à Biblioteca de Leiria a sua biblioteca particular assim como imensa documentação e a sua colecção de moedas de ouro, prata e cobre ao Museu Municipal…
Fernando de Lara Reis foi um grande apaixonado por viagens. Durante a sua vida escreveu as suas impressões que foi colhendo viagem após viagem, com destaque para o Extremo Oriente, tendo conhecido todos os Continentes. O fruto dos seus apontamentos resultou em 26 volumes manuscritos que intitulou de “Diário de Viagens”. Deixou ainda dois volumes manuscritos com o título “A minha vida” sobre a sua experiência profissional e sobre a vida social de Macau da primeira metade do século XX.
Este ilustre leiriense foi grande colaborador da imprensa, com imensos artigos publicados em jornais e revistas.
Sobre a vida de Fernando Lara Reis o jornalista e escritor Orlando Cardoso escreveu “Macau e o Oriente na Vida de Lara Reis” e também Acácio de Sousa, director do Arquivo Distrital de Leiria, tem-lhe dedicado alguns dos seus estudos.
O Capitão Fernando de Lara Reis faleceu em Macau no dia 14 de Janeiro de 1950, com 57 anos.
Adélio Amaro

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Exposição "Negativo Positivo" no Mimo em Leiria

A Fundação EDP apresenta no m|i|mo, Leiria, uma parte da sua colecção de arte.
As obras de pintura, escultura, desenho, gravura ou fotografia escolhidas para a primeira fase desta colaboração exploram valências anteriores à experiência fotográfica, como os jogos de luz e sombra e as soluções de moldagem, mas usam também nos seus processo criativos os saberes aprendidos nas práticas da revelação fotográfica, da reprodução mecânica das formas e da fixação fílmica do movimento.
Artistas: Ana Hatherly | Ana Vieira | Ângela Ferreira | Catarina Botelho | Daniel Barroca | Eduardo Gageiro | Fernanda Fragateiro | Fernando Calhau | Inês Botelho | Jorge Feijão | José Pedro Croft | Julião Sarmento | Leonor Antunes | Lourdes Castro | Rui Sanches | Vítor Pomar | Xana

Companhia de Dança de Leiria

Dia 15 de Janeiro, pelas 21h30, o Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, recebe a "Companhia de Dança".
“Não me amas, meu amor?” de Clara Leão
No universo de Pablo Neruda o amor surge como um lugar próximo, palpável, real, com a força irreprimível dos afectos em desordem. É um solilóquio a um tempo esperançado, desesperado, triste e terno, uma clarificação da alma que se descobre, despudorada. Um tudo ou nada, uma vertigem, uma felicidade, um abismo.
“A sesta de um Fauno” de André de Campos
“A sesta de um Fauno” nasceu da vontade de homenagear a lenda da dança Vaslav Nijinksy. Esta peça é uma recriação, que procura experimentar um pouco o mundo que se torna tão obscuro como clarificante num conjunto de aspectos que tocam a dança em si, a interpretação, e a própria viagem no tempo.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Acácio de Paiva

Acácio Sampaio de Telles e Paiva nasceu em Leiria, no Largo da Sé, n.º 7, a 14 de Abril de 1863. Era filho de José de Paiva Cardoso (natural de Alva) e de Leopoldina Amélia Carolina Telles (natural de Lisboa).
Iniciou os seus estudos secundários no Liceu de Leiria e concluiu-os em Coimbra. Licenciou-se em Farmácia na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 1887.
Já em Lisboa, depois de Porto e Coimbra, fez os preparatórios de Medicina tendo que abandonar porque, em 1888, ingressou no quadro do funcionalismo da Alfândega, como 3.º Aspirante, sendo, em 1892, Chefe de Despacho na Vieira. Já em 1902 foi promovido a 2.º Aspirante e veio a ocupar o lugar de Chefe de Serviços, em 1917.
Reconhecido como grande poeta, prosador, crítico e jornalista, colaborou com diversos jornais e revistas.
Começou por escrever para o jornal “Actividades”, do Porto, passando, mais tarde, a colaborar em diversas publicações com destaque para “Almanaque de Lembranças Luso Brasileiro”, “O Século” (neste jornal chegou a dirigir o Suplemento Humorístico), “O Mundo”, “Diário de Notícias”, “O Mensageiro”, “Ilustração Portuguesa”, entre muitas outras.
Em todas estas publicações Acácio Sampaio de Telles e Paiva publicou centenas de poesias, muitas delas com o pseudónimo de “Belmiro”.
Segundo alguns autores, a obra literária de Acácio de Paiva está ao nível de João de Deus e Rodrigues Lobo, como mencionou Agostinho Gomes Tinoco, a páginas 460, do seu “Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria”, editado em 1979:
“Foi um improvisador e repentista notável e «o maior dos ironistas do seu tempo». A série de crónicas em versos publicada no Diário de Notícias, e depois em O Século, à qual dera o título de «Fita da Semana», é, no dizer da crítica, a sua melhor obra”.
Como homem ligado ao mundo da Literatura, com enorme realce para a sua intensa actividade poética, já referida, Acácio de Paiva produziu diversas peças de Teatro, algumas delas feitas em colaboração com outros grandes nomes da sua época, na sua maioria de índole alegre e ligeira, tendo traduzido várias obras do mesmo género, do francês, italiano e espanhol.
Justificando o seu amor pelo Teatro está o facto de ter sido sócio fundador da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.
Do seu punho foram inúmeros os poemas, os versos, as críticas, e os texto em prosa e de Teatro que deu ao mundo e muitos outros que ficaram inéditos.
Em 1988, a Câmara Municipal de Leiria, com a coordenação de Manuel Matias Crespo, publicou um justa homenagem a este ilustre Leiriense, através do livro “Versos de Acácio de Paiva – Insigne Poeta Leiriense”.
Acácio Sampaio de Telles e Paiva faleceu com 81 anos de idade, na sua Casa das Conchas, no Olival, concelho de Ourém, a 29 de Novembro de 1944.
Adélio Amaro

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

D. Pedro Vieira da Silva

D. Pedro Vieira da Silva nasceu em Leiria a 15 de Setembro de 1598. Filho de Gaspar Rebelo da Guerra Dias Preto (juiz dos Órfãos) e de D. Clemência Vieira da Silva, terá feito os seus primeiros estudos na cidade do Lis. Depois, cursou no Colégio de S. Paulo e posteriormente tirou o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra onde leccionou como professor substituto.
Foi Magistrado e Desembargador no Porto, cidade onde veio a casar com Leonor de Noronha de quem teve sete filhos, dos quais se ordenaram quatro. Desempenhou, também, as funções de Juiz dos Feitos da Coroa e foi membro do Conselho da Fazenda.
Por questões não bem específicas, foi enviado para Castelo Branco, segundo se julga, por ter incorrido no desagrado das Cortes, como refere Agostinho Gomes Tinoco, a páginas 614, na primeira edição do “Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria”.
Depois de Castelo Branco passou para Madrid onde advogou. Mais tarde, por determinação de Filipe III, foi para o Algarve com a missão de tentar impedir uma revolta contra o domínio castelhano.
Com a independência de Portugal, 1640, foi nomeado Secretário de Estado. Em 1660 foi afastado do cargo, pensa-se que por questões políticas, sendo deportado para Évora e mais tarde para Ourém.
Após enviuvar e refeita a paz no país assim como as relações com a Santa Sé, D. Pedro Vieira da Silva, foi ordenado presbítero e apresentado para a Mitra leiriense a 28 de Setembro de 1668 e confirmado pelo Papa a 11 de Maio de 1670, tomando posse a 22 de Abril de 1671, já com 73 anos de idade.
D. Pedro Vieira da Silva foi responsável pela construção do Convento dos Capuchos, ainda como Secretário de Estado, e fundador do Seminário Diocesano, já nas funções de Bispo da Diocese de Leiria. Em 19 de Outubro de 1673 autorizou os Agostinhos descalços a fundarem um convento na ermida do Bom Jesus na vila de Porto de Mós que lhes tinha sido doada pela Misericórdia daquela vila.
Deixou imensos manuscritos, alguns deles verdadeiros testemunhos da vida conturbada que se vivia em Portugal em pleno século XVII.
D. Pedro Vieira da Silva faleceu, na cidade de Leiria, a 12 de Setembro de 1676 e foi sepultado no convento de Santo António dos Capuchos. Em 1864 os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério da Sé de Leiria e já em pleno século XX, 1907, os seus restos mortais foram colocados no interior da Sé.
Adélio Amaro

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Exposição "Roteiros da inquietação no feminino" de Adália Alberto

Nesta mostra, uma vez mais, mulheres-coragem erguem-se do maciço, onde sempre habitaram, apenas despidas dos excessos de pedra que as ocultavam.
Nesta exposição, Adália Alberto mostra ser um exemplo de renovação, interrogação e partida permanente. Do descritivo, partiu para a descoberta de simbolismos maiores, onde, com humor provocatório, a mulher sai por cima do trato vulgar e se converte em deusa superior, desafiadora de todos os tabus.
Com entrada livre a exposição pode ser observada todos os dias das 17h30 às 24 horas no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Cancioneiro da Região de Leiria

Depois de preservadas e agora publicadas as recolhas efectuadas por António Oleiro e Manuel Artur Santos, entende a Direcção do Rancho da Região de Leiria, estar assim cumprida mais uma etapa do seu percurso folclórico.
Este espólio da cultura popular da região de Leiria na vertente lúdica do povo de então, que agora vem a público em formato de livro, só foi possível com o esforço da Direcção e da abnegada e altruísta colaboração da Fundação da Caixa Agrícola de Leiria, à qual se agradece na pessoa do seu Presidente Mário Matias, bem como à Folheto Edições & Design, que empregou todo o seu saber e reconhecido profissionalismo.
Aqui irão ficar preservadas 342 modas recolhidas em 1960 nos concelhos que à data constituíam a Comissão Regional de Turismo de Leiria, presidida por Ruy Acácio. A saber: Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal, Porto de Mós e Vila Nova de Ourém. Também aqui cabe uma palavra de gratidão pelo empenho e persistência que ao longo de vários anos o Maestro Vicente Narciso com o seu abalizado saber, colocou ao serviço deste fenómeno que é o folclore.
Foram calcorreados lugares e lugarejos, carreiros e veredas, vales e montes, praias e serranias. Ouviu-se a musicalidade dos riachos e a suavidade dos salões nobres. Bailou-se nas eiras e no pinhal d’El Rei, no adro da Igreja ou nos caminhos das romarias…
Nada é inédito do que aqui fica divulgado. Tal como nos ensinou Manuel Artur Santos, a partilha e dádiva, para além da entrega que ao longo dos anos tem sido feita a muitos Ranchos, é sinónimo “do dever cumprido” e da entrega a todos quanto procuraram junto deste conceituado folclorista.
Do etno-musicólogo António Oleiro a presente obra fala por si… porém, havia que “vestir” as modas recolhidas nos mais recônditos lugares visitados.
Manuel Artur Santos homem humilde, ético e de sensibilidade de fino recorte, trouxe na bagagem das recolhas os usos e costumes das gentes dos finais do séc. XIX e primeiros anos do séc. XX na região de Leiria, e que descreveu nos Anais do Município de Leiria, da autoria de João Cabral do seguinte modo:
“As mulheres usavam chapelinho de veludo preto com penas coloridas, lenço na cabeça, blusas de cores variadas, sendo algumas arrendadas, saias de várias cores e qualidades, desde a estamenha, armur, riscadilho e tecidos de lã, que lhes davam um aspecto harmonioso e garrido.
Algumas, em substituição das meias, usavam canos de lã grossa, e calçado de atanado ou tamancos, conforme os costumes das terras que representavam.
Atendendo a antigas tradições, as mulheres tinham ainda como ornamento, aventais bordados com rendas e entremeios, saca de mão de harmoniosos retalhos, por vezes bordados, algibeiras de cintura muito vistosas, outras usavam xaile ou capoteiras nos ombros e, ainda saia de cobrir ou seja, saia de costas.
Quanto aos homens, usavam barrete preto com borla da mesma cor ou chapéu na cabeça, camisa de linho ou riscado com entremeios ou peitilho, colete, jaleca e calça justa à boca-de-sino, de surro beco preto ou castanho, cinta de cetim ou de lã preta, botas de atanado ou atacador e ainda de tamancos conforme o extracto social que representavam.
Os homens, por vezes faziam-se acompanhar de alforge, cajado, cabaça, guarda-chuva, e no caso da noiva, um lenço bordado com o monograma do noivo e oferecido a este, e ainda várias alfaias agrícolas, etc.”
Ao ser publicado este Cancioneiro da Região de Leiria, terá quer ser chamado para a galeria dos notáveis que tornaram possível a recolha, preservação e divulgação deste património imaterial que serve o folclore da região de Leiria e não só, o folclorista Manuel Artur Santos, que há cinquenta anos se entregou desinteressadamente à causa da cultura popular portuguesa – o Folclore.
A Direcção do Rancho da Região de Leiria ao devolver ao povo este legado único que homenageia os nossos antepassados desta vasta região, sente concluir assim uma missão que sempre norteou este Rancho, ou seja, a abertura a todos quantos o desejem, contribuindo para a divulgação do conhecimento e engrandecimento da história do povo da região de Leiria.
A Direcção do Rancho da Região de Leiria

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Casa do Distrito de Leiria (em Lisboa)

A memória histórica de um país está no património que se conserva. Monumental, artístico, musical, fotográfico ou documental. Conhecer essa memória passa não só pela conservação, mas pela organização e divulgação desse mesmo património. Neste contexto e no que se refere ao documental, a nossa experiência tem sido bastante gratificante e tem‐nos permitido acrescentar alguns dados novos à história da nossa região.
Foi o caso da Casa do Distrito de Leiria, cuja documentação a partir de 1997 passou a fazer parte do espólio do Arquivo Distrital de Leiria. O trabalho de identificação e organização que desenvolvemos, deu‐nos a conhecer uma associação, fundada em 1938 que funcionou na capital, que surgiu de um apelo do então Presidente da Câmara de Leiria, a uma comunidade de leirienses residentes em Lisboa, constituída por pessoas influentes e bem colocadas política, social e economicamente, provenientes dos mais diversos sectores profissionais. Médicos, advogados, notários, oficiais militares, engenheiros, comerciantes, banqueiros, professores, funcionários públicos, escritores, jornalistas, artistas entre outros.
Reuniu pela primeira vez uma Comissão organizadora em 8 de Fevereiro de 1938 no 3.º andar do n.º 126 da Avenida Duque de Loulé em Lisboa. O Clube dos 100 à Hora foi utilizado também pela referida Comissão até ficar definitivamente instalada na Rua Nova da Trindade no 2.º andar do N.º 18, nas dependências da Associação dos Amadores de Música de Lisboa. Teve os seus estatutos aprovados em 21 de Novembro de 1938 por alvará do Governo Civil de Leiria.
Foi o seu primeiro presidente O Contra‐Almirante Joaquim de Almeida Henriques, notável pela acção que desempenhou na Marinha e a figura principal do arranque inicial da actividade desta agremiação.
Manteve desde o primeiro dia uma intensa actividade cultural, uma interventiva acção social e uma sistemática pressão junto do poder político. Entre conferências, serões culturais, exposições, bailes, excursões, homenagens, a Casa foi também mentora do I e II Congressos das Actividades do Distrito de Leiria. Esteve ainda na origem da resolução de problemas e situações que muito contribuíram para o progresso da sua região. Cessou em 1953.
Foram suas congéneres, entre muitas outras, a Casa do Alentejo, a Casa de Entre Douro e Minho, a Casa de Lafões, a Casa de Coimbra, Casa das Beiras, a Casa de Tomar, a Casa dos Açores.
Estas agremiações constituíam‐se no seio de comunidades regionais, residentes em Lisboa, tendo por base a convivência dos seus patrícios, a divulgação dos seus valores, costumes, riquezas e a defesa dos interesses da sua região, junto do poder político do Estado Novo. Era o regionalismo a acordar reagindo à reforma administrativa consignada no Código de 1936.
A união destas associações, num total de 25000 sócios, deu origem a um movimento do qual nasceu o Conselho Superior do Regionalismo Português, que actuava como uma Federação de todas as Casas Regionais, actuando em sua defesa e representação As relações entre estas associações eram cordiais e bastante salutares. Convidavam‐se a participar das iniciativas de cada uma delas, promoviam sessões e eventos alusivos às regiões das outras Casas.
De entre a documentação da Casa de Leiria recolhemos um convite da Casa dos Açores datado de 4 de Fevereiro de 1941, que passo a transcrever:
Realizando o Sr. Dr. Pedro de Aguiar, ilustre Director dessa Casa, uma conferência no próximo dia 8 do corrente, pelas 22 horas na sede da Casa dos Açôres, sob o titulo “As duas ilhas pequeninas” muito nos honraria V. Exª. com a sua presença e bem assim os restantes Directores da Casa de Leiria. Os sócios da vossa Casa, que queiram assistir, podem faze‐lo mediante a simples apresentação do seu bilhete de identidade. À conferência segue‐se baile e o traje é de cerimónia. Aproveito o ensejo para endereçar a V. Exª. Os protestos da mais elevada consideração e subscrevo‐me.
É assinado pelo presidente da direcção Francisco Soares de Lacerda Machado.
No espírito de troca e partilha, as Casas enviavam, anualmente, umas às outras, cartões de livre entrada, para os diversos eventos que organizavam. A exemplo, em 2 de Março de 1951 a Casa do Distrito de Leiria envia à sua homóloga dos Açores, o seu cartão. Assina o presidente da direcção José Rodrigues de Matos.
Continuamos a constatar que as relações entre Leiria e os Açores são de longa data e que os laços de amizade e cooperação se têm revelado profícuos e de grande significado para as duas regiões.
São estas associações fontes documentais interessantíssimas e a Casa dos Açores poderá será também, um manancial de surpresas que valeria a pena conhecer.
Ana Bela Vinagre

O terramoto de 1841 nos Açores

Nascidas no meio do imenso Atlântico, as ilhas Açorianas não negam a sua origem vulcânica, bem patente na formação da Lagoa das Sete Cidades e da Lagoa do Fogo, na Ilha de São Miguel, a própria Ilha do Pico, o Caldeirão na Ilha do Faial.
Com uma actividade sísmica permanente, os Açores têm sofrido algumas erupções ao longo dos séculos, com destaque para os anos de 1563, no Pico do Sapateiro, e 1620 no Vale das Furnas, na Ilha de São Miguel; 1672 o Capelo, na Ilha do Faial; 1720 na Ilha do Pico; 1808, a Nazelina, na Ilha de São Jorge e novamente no Faial com o Vulcão dos Capelinos em 1957, já para não falar nas erupções submarinas.
Mas as suas ilhas têm sido também palco de violentos terramotos. Em 1522 a Vila de Praia de Âncora, em São Miguel, foi destruída. No ano de 1841 foi arrasada a Vila da Praia na Ilha Terceira. Alguns anos mais tarde em 1852 foi a vez de Ponta Delgada. Já mais recentemente lembramos o terramoto, que em 1980 danificou grande parte da cidade de Angra do Heroísmo.
O que nos traz à conversa hoje, mais propriamente à escrita é o terramoto de 1841 que assolou de forma dramática a cidade de Vila da Praia, reduzindo a a um monte de ruínas, desalojando os seus habitantes, deixando os numa situação de extrema penuria e miséria.
O primeiro documento emitido pela Corte sobre o assunto, sai do Paço de Sintra, assinado pelo Barão de Tilheiras, com data de 5 de Julho e refere se lhe nos seguintes termos: por occazião das repetidas oscilações terrestes, que ali se sentiram desde o dia 12 de Junho próximo passado, a que se seguio o espantozo terremoto, que teve logar no dia 15 e que destruio e arruinou completamente a Villa da Praia, produzinddo ao mesmo tempo gravíssimos estragos na Villa de S. Sebastião, em todas as povoações que ficam a leite entre esta ultima Villa e as Lages; do que resultou ficarem os habitantes de todas essas povoações reduzidos á maior consternação e miséria, pelos inormes prejuízos que sofrerão com o total desbarato das suas propriedades, e perdas de todos os objectos de uso domestico.
D. Maria II decretou e Joaquim António de Aguiar, tomou medidas de auxílio que se obterão da generosidade, filantropia e gratidão do Povo Portuguez generosidade de que são credores os habitantes da mencionada Ilha pelos apurados sacrifícios e muitos valiosos serviços, que prestárão em prol da Liberdade e da Independencia Nacional.
Determina, em nome desse auxílio, que em cada capital de distrito administrativo se estabelecesse uma comissão de cinco membros nomeadas pelo Administrador Geral respectivo, de entre cidadãos de mais reconhecida probidade, zelo e filantropia, de onde sairia o presidente e o secretário. O objectivo era angariar fundos para ajudar os açorianos a reconstruir as suas casas, as suas vidas.
A esta onda de solidariedade e auxílio respondeu a cidade de Leiria. Em 12 de Julho, reuniram, no Paço Episcopal, os membros nomeados pelo Administrador Geral, José Crisóstomo Pereira Barbosa, Vigário Capitular e Governador Temporal da Diocese (eleito presidente), José de Faria Gomes e Oliveira, João Pessoa de Amorim, Luís Henriques d’Azevedo e António de Abreu Couceiro (eleito secretário). Estava assim constituída, a Comissão do Distrito de Leiria, que de imediato estabeleceu comissões filiais em todos os concelhos. Nas freguesias era aos párocos que cabia angariar fundos junto dos seus fregueses.
O reino atravessava um período difícil com o amargo sabor de uma guerra civil, que trouxe insegurança política, perseguições, surtos de movimentos de guerrilha, vandalismo, destruição, pobreza e desolação.
O aumento da décima e outros tributos, e também os invernos rigorosos e as consequentes más colheitas, provocaram nas populações, enormes dificuldades de subsistência evidenciando, por isso, a falta de condições para colaborar na acção desenvolvida. Azoia, Carvide, Cortes, Maceira, Monte Real, foram as freguesias de Leiria a manifestarem a sua total impossibilidade.
Outrossim de Monte Redondo informava o pároco, que os seus paroquianos não se sentiam devedores da ilha pela atitude tomada durante a guerra civil: vi má dispozicão nos ânimos dos póvos, que se achavam muito onerados com fintas, e tributos.
De Pedrógão Grande, apesar de todas as diligências da sua comissão filial, não conseguiram obter donativos, nem por altura da colheita da azeitona. Também Chão de Couce informou que os seus habitantes estavam condicionados aos rendimentos das colheitas dos seus frutos. Só um ano mais tarde conseguiu reunir alguns donativos.
Alcobaça, Alvaiázere, Batalha, Caldas, Óbidos, responderam de forma satisfatória. Produtos como milho, trigo, cevada, vinho, favas entre outros, eram donativos, que depois de vendidos, acresciam aos donativos em dinheiro.
Em 10 de Setembro já o presidente da Comissão de Leiria tinha em mãos 144$000 reis, disponíveis para serem entregues ao Administrador do Tabaco em Leiria, o meio de remessa utilizado, para o efeito, a pedido do Marquês do Faial, presidente da Comissão de Lisboa.
Todo este processo se prolongou por largos meses, com algumas insistências das Comissões. Várias quantias foram obtidas durante o ano de 1842 e uma última entrega em Maio de 1943, de São Martinho do Porto.
Não apurámos o montante dos donativos conseguidos no nosso distrito, nem esse era o nosso objectivo. Quisemos sublinhar tão só, que apesar de o oceano de permeio, a solidariedade, o espírito de entreajuda, a cooperação entre leirienses e açorianos, tem sido uma constante, como já ficou demonstrado por diversas vezes, na nossa História.
Fontes: Fundo do Governo Civil de Leiria, incorporado no Arquivo Distrital de Leiria
PT/ADLRA/AC/GCLRA/D/031
Ana Bela da Silva Vinagre

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Imagem do dia - Leiria

Alunos de Leiria nas ilhas de São Miguel e Santa Maria

A escola EBI de Colmeias participou, pela segunda vez, numa Expedição Cientifica Internacional organizada pelo Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, desta vez à ilha de Santa Maria, do arquipélago dos Açores, e em trabalhos laboratoriais no mesmo Departamento do ensino superior desta Universidade, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Sete alunos do oitavo ano de escolaridade foram acompanhados pela docente de Francês Graça Morgado – coordenadora das Secções Europeias Francófonas nesta escola – e pela docente de Ciências Naturais M. Fátima Lopes – coordenadora da primeira e da segunda edição do Projecto Multidisciplinar no Ensino das Ciências Naturais em Contexto Não Formal, ambos nos Açores.
Partiram para a ilha de Santa Maria, onde durante cinco noites/dias ficaram instalados em tendas de campismo cedidas pela Protecção Civil, no parque de campismo da Praia Formosa. Nos dias em que estiveram em Santa Maria, participaram em diversas actividades de carácter científico, onde aprenderam diferentes metodologias do trabalho de campo e de laboratório em campo em áreas da Biologia, mas também da Geologia, assim como a necessidade da preservação das áreas naturais, tanto por motivos científicos, como pedagógicos. Assistiram a dez conferências científicas dadas pelos cientistas presentes na XIV Expedição Científica do Departamento de Biologia, com os quais trabalhavam durante o dia, e onde eram apresentados os trabalhos de investigação que estes estavam a desenvolver e, ainda, apresentaram a comunicação elaborada pelos próprios sobre o trabalho desenvolvido durante esta Expedição.
A multidisciplinaridade prevista pelo projecto concretizou-se na oportunidade de trabalhar em diferentes áreas do saber científico, mas também pela oportunidade que houve em contactar/ falar/ escutar conferências/ com cientistas em inglês e na língua francesa, sobretudo sob a supervisão da docente de Francês acompanhante do grupo.
Depois, partiram para a ilha de São Miguel, onde ficaram instalados numa camarata do quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, gentilmente cedida pelos mesmos. Nesta ilha visitaram as instalações do pólo universitário de Ponta Delgada, onde no Departamento de Biologia participaram em práticas laboratoriais sofisticadas, como a extracção de ADN, como o isolamento de bactérias, a observação de ultra-estruturas celulares ao microscópio electrónico, sob orientação de docentes universitários, assistiram às provas públicas de defesa da tese de Mestrado de um investigador-bolseiro do Departamento. Visitaram o Centro de Vulcanologia e Sismologia da Universidade e ainda tiveram a oportunidade de visitar paisagens naturais da ilha, com interesse geológico, como crateras e caldeiras vulcânicas, manifestações de vulcanismo secundário, a estação geotérmica que produz a electricidade para as ilhas, tendo oportunidade de também consolidar assim muitos dos conteúdos já abordados na disciplina de Ciências Naturais do 7.º ano de escolaridade, para além de todos os outros que fazem parte do currículo do 8.º ano do ensino básico.
Alguns dias mais tarde, sete alunos do oitavo ano de escolaridade acompanhados por duas docentes da Escola Básica Integrada de Colmeias concluíram a segunda edição do Projecto Multidisciplinar no Ensino das Ciências Naturais em Contexto Não Formal, no arquipélago dos Açores, mais ricos cientifica, social e humanamente. Por intermédio deste projecto didáctico-pedagógico inovador no ensino-aprendizagem das ciências naturais, e também da língua estrangeira, ilustraram-se e consolidaram-se conteúdos de uma forma absolutamente lúdica, motivante e envolvente. Foram explorados horizontes, foram vocações despertadas, foram desenhados e coloridos momentos que nunca mais serão esquecidos. O ensino-aprendizagem ficou mais rico. Os que participaram também.
Os nossos agradecimentos ao Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, na pessoa do seu Director, o Professor Doutor João Tavares; ao Meritíssimo Reitor desta Universidade; a todos os docentes-investigadores com quem tivemos a oportunidade de aprender; aos motoristas da Universidade que nos transportaram quando dos trabalhos científicos e nos mostraram os lugares mais belos e turísticos das ilhas visitadas; à Associação de Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, na pessoa do Professor Doutor Vasco Garcia (Reitor aposentado da Universidade dos Açores), por todo o acolhimento que nos dispensaram.
Também agradecemos aos nossos patrocinadores a Caixa de Crédito Agrícola de Colmeias; a Farmácia de Colmeias; a Farmácia da Memória; a empresa de transportes Transmemória; o Café e restaurante Tipcool, em Colmeias; a Auto-Garagem de Coimbra (concessionário Ford em Coimbra); ao Exploratório Infante D.Henrique – Centro de Ciência Viva de Coimbra, que permitiram que o projecto pudesse ser concretizado com menos custos para os pais dos alunos e para as duas docentes nele envolvidos.
Agradecemos ainda ao Laboratório de Ciências Experimentais da Escola BI de Colmeias nas pessoas dos docentes dos subdepartamentos de Ciências Físico-Naturais, que colaboraram na dinamização de actividades que permitiram angariar algum dinheiro para subsidiar este projecto do Plano Anual de Actividades; a todos os docentes, funcionários administrativos, funcionários auxiliares de acção educativa, ao Conselho Pedagógico, ao Conselho Executivo, por toda a colaboração prestada nas mais diversas solicitações.
Por último agradecemos aos encarregados de educação que acreditaram e apoiaram das formas mais diversas esta iniciativa desde o primeiro momento em que dela lhes foi dado conhecimento.
Fizeram parte deste projecto os alunos e as docentes: Ana Carina Abreu; Beatriz Rodrigues; Bruno Góis; Inês Henriques; João Saraiva; Maria Alexandra Nogueira; Sara Sousa; Graça Morgado e Maria de Fátima Lopes.
Maria de Fátima Rosa Lopes
Docente de Ciências Naturais e Coordenadora do Projecto

Abraço ao Lis

Hoje
Gosto de te ver,
Ó Lis,
Talvez cantado
Pelo encanto.
Tantas vezes odiado
Pelo desencanto!
Tuas límpidas águas
Vão velozes,
Em busca da Foz.
Sinto, em ti, alegria
E quantas mágoas
Não irão contigo?
Só me dói
Ver-te triste
Por teres inimigos.
Também me invade
Tanta tristeza,
Tanta amargura!
Mas, hoje,
Recebe meu abraço
Amigo
E segue, correndo, Até à foz.
Soares Duarte

O Lar do Soldado Açoriano em Leiria

Ano de 1970. Vivem-se tempos conturbados num Portugal fascista e a braços com uma guerra colonial, que tarda em acabar.
Jovens e famílias vivem atemorizados com o espectro da guerra. Neste quadro de forte agitação política e social, uma açoriana radicada em Leiria, movida por um enorme sentido filantrópico, solidário e regionalista, funda o Lar do Soldado Açoriano, uma instituição particular, sem fins lucrativos, que serviu apenas e somente, para acolher, apoiar e acarinhar centenas de jovens originários das ilhas açorianas, que se instalavam na cidade, para cumprirem parte do serviço militar.
Impedidos pela distância de irem a casa de fim de semana, ou nos períodos de licença, os militares açorianos sentiam-se em dificuldades quando saíam da sua unidade militar. As possibilidades monetárias eram escassas e alugar um quarto ficava-lhes dispendioso.
Ilda Fonseca e o marido tomam consciência da situação e lançam mãos a um projecto que desenvolvem de forma rápida, eficaz e organizada. Em poucas semanas alugam uma casa, equipam-na com o mobiliário estritamente necessário, revestindo-a de algum conforto, pronta a confeccionar algumas refeições, tratar das roupas e das fardas dos rapazes, proporcionar-lhes privacidade, condições de higiene e limpeza.
O projecto evoluiu e o sucesso tornava-se visível dia a dia. O movimento foi aumentando. Inicialmente com quinze camas, chegou a atingir as trinta, que obrigou a mudarem para uma casa maior e consequentemente, a criar regras e disciplina, mantendo sempre o bom ambiente a que já se haviam habituado os seus residentes. Ilda elabora um regulamento e um manual de procedimentos.
Para ocupar os tempos livres não faltou a televisão, adquirida numa casa de penhores, que convidava os rapazes ao serão, em casa. Criou uma pequena biblioteca e recebia, por compra e por oferta, jornais das diversas ilhas dos Açores, para de alguma forma, mitigar as saudades da sua terra.
A música, sobretudo açoriana, estava sempre presente
no dia a dia do Lar. Havia sempre um residente que tocava viola e rapidamente se constituía um grupo que frequentemente animava o ambiente.
Ilda fomentava convívios, visitas a outras instituições frequentadas por açorianos, nomeadamente à Prisão Escola de Leiria, à Escola de Educadoras de Infância, ao Hospital Militar da Estrela, criando laços de empatia e cooperação.
Dedicada a tempo inteiro à gestão e administração do Lar, Ilda orientava os jovens na resolução dos seus problemas e dificuldades, acompanhava-os nos momentos mais importantes da sua actividade militar. Nos Juramentos de Bandeira o Casal Fonseca nunca faltava, substituindo-se aos pais. Quando se anunciava a partida para o Ultramar, o último jantar era em casa dos Fonsecas, onde não faltavam palavras de encorajamento, conforto e lágrimas. No momento da partida, Ilda a Fernando compareciam à porta do Lar, onde um veículo militar, pela madrugada, os ia buscar.
A disponibilidade, o carinho, a compreensão que dedicou a centenas de jovens seus conterrâneos,
O Lar foi reconhecido por muitos como uma obra de grande mérito social, elevado valor moral, humano e pedagógico, cujos fundadores diariamente, lutavam com grandes dificuldades financeiras. Mercê dessa luta e das boas relações que Ilda tinha com as instituições locais públicas e privadas e pessoas particulares, o Lar pôde contar a colaboração de algumas delas, nomeadamente dos Comandantes das unidades militares, a Delegação de Leiria da Cruz Vermelha Portuguesa, o Governo Civil, empresas fabris, comerciantes da praça de Leiria, entre outras. Também as Ilhas deram algum contributo.
O Lar Açoriano pelo seu carácter sui generis suscitava a curiosidade da comunidade Leiriense e Açoriana. O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e a Presidente da Cruz Vermelha da mesma cidade, ficaram impressionados.
A imprensa foi pródiga no espaço e no tempo que lhededicou.
Com o fim da Guerra Colonial, o Lar perdeu utilidade e extinguiu-se no início de 1975.
Ana Bela Vinagre

"As destruições provocadas pelas Invasões Francesas"

Leiria tem mais um local para promover as actividades locais. Recentemente foi inaugurado o Espaço Ensaios Arte e Design, no centro histórico da cidade do Lis. E, a primeira sessão não poderia ser melhor, sendo que esta contou com a apresentação pública do mais recente livro de Ricardo Charters d’Azevedo – “As destruições provocadas pelas Invasões Francesas".
Este livro, edição do Centro de Património da Estremadura (CEPAE) e coordenação da editora Folheto, é o primeiro volume da 2.ª série da Colecção “Estremadura: Espaços e Memórias”.
A cerimónia, na mesa, contou com a presença do autor, Ricardo Charters d’Azevedo, do vereador da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, do Director Científico da Colecção, Saul António Gomes, do presidente do CEPAE, Joaquim Ruivo e do presidente da Associação de Investigação e Cultura dos Açores/Leiria, Adélio Amaro.
O livro e a nova série da Colecção foram apresentados por Joaquim Ruivo, enquanto presidente do CEPAE e pelo professor da Universidade de Coimbra, Saul António Gomes.
O autor, que encerrou a sessão, aproveitou para explicar a razão que o levou a escrever este livro e afirmou que muito mais irá publicar sobre assuntos relacionados com as figuras leirienses.
A cerimónia contou, ainda, com a presença de muitos amigos e familiares do autor, assim como de muitas pessoas interessadas pela história de Leiria com especial destaque para o início do século XIX, aquando das invasões francesas a Portugal, neste caso concreto, a Leiria.
Este livro apresenta bastantes novidades sobre as destruições provocadas pelas “invasões francesas” no património edificado de Leiria, da natural responsabilidade dos exércitos franceses, ingleses, espanhóis e portugueses que por esta cidade passavam ou aí aboletavam. No final da Guerra Peninsular, quando os exércitos franceses abandonaram Leiria, em Março de 1811, deixaram-na destruída. Praticamente todas as igrejas foram incendiadas e, muito particularmente, o Paço Episcopal na cerca do castelo (onde hoje está sediada a PSP) e a sacristia da Sé, como se pode verificar num desenho da época, que faz capa ao livro, onde se vê que estes edifícios estão destelhados.