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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Recordando Eduíno Borges Garcia

Eduíno Borges Garcia nasceu, a 22 de Fevereiro de 1922, em Vila Franca do Campo, na Ilha de S. Miguel e faleceu, a 7 de Janeiro de 1979, em Lisboa.
Cedo se iniciou no jornalismo colaborando assiduamente no periódico “A Ilha”, de Ponta Delgada. No ano de 1946 ruma para o continente para estudar Farmácia em Coimbra, acabando por se licenciar na Universidade do Porto. Frequenta o curso de História e tira cursos de Jornalismo, Inglês e Espanhol. Participa na renovação do movimento literário açoriano, dedica-se à arqueologia e etnografia desenvolvendo, em particular, variados estudos na região dos antigos coutos de Alcobaça. Foi membro da associação dos Arqueólogos Portugueses e da Associação Portuguesa de Museologia e como profissional ocupou lugares de direcção no Instituto Pasteur de Lisboa.
Borges Garcia constituiu uma referência para alguns jovens de Alcobaça que nos anos setenta tiveram o privilégio de com ele conviver e criar sólida amizade. O 25 de Abril ainda amanhecia e o país parecia querer ganhar um novo fôlego. Foi Leocádia Natividade que na sua própria casa teve a amabilidade de nos apresentar ao investigador, que era amigo do Professor Joaquim Vieira Natividade. Em breve calcorreávamos com a Moby Dick, nome fraterno para a cansada carrinha Volkswagen que servia de casa ambulante, o concelho de Alcobaça de lés a lés.
A sua militância em prol da cultura, das raízes e identidade, aliava-se a uma postura pedagógica de proximidade. Longe de ser professoral, Borges Garcia pretendia transmitir-nos a paixão pelo seu caminho. A constituição de uma equipa de trabalho com jovens revela a sua abertura, o seu espírito cooperativo, o trabalho de sementeira que julgava crucial para modificar as mentalidades e comportamentos face ao património e à cultura colectiva.
Borges Garcia tinha por esta altura reorientado o seu programa de pesquisa. A arqueologia (da Igreja Visigótica de S. Gião, das Anforetas, das Torres da Lagoa da Pederneira e do Castelo de Alfeizerão...) dava lugar definitivamente a outra paixão, a da cultura popular das comunidades rurais, explorando a sua dimensão simbólica e material. É verdade que de vez em quando olhava o solo e detectava um biface, uma tegula, um peso de rede..., e que ensaiou a escavação da Igreja de Nossa Senhora da Conceição na busca da primeira guarida dos monges cistercienses, mas a arqueologia, como não se cansava de repetir, podia esperar.

A notável capacidade de estabelecer relações e contactos, de se familiarizar com vários níveis de cultura, permitiu-lhe um acesso fácil aos campos, franqueando o acesso às comunidades mais fechadas. As memórias associadas à sua passagem em tantos lugares resistem ao vendaval dos anos, como ainda há bem pouco tempo tive o prazer de testemunhar no Poço das Vinhas.

A dispersão que tomava a alma do bom doutor fazia-o interessar-se por múltiplas áreas e a investir em experiências socioculturais diversificadas. O projecto de medicina popular leva-o à Escola Técnica (actual Inês de Castro), envolvendo e cativando professores e alunos, filma os trabalhos e os dias das comunidades rurais e partilha estes registos com as populações provocando a reflexão dos próprios actores sobre a sua vida e obra, estuda os ciclos agrários, as oficinas de canastreiros, cesteiros e esteireiros, de navalhas, olaria, a gestão das águas, os círios e festas populares...
A sua reflexão cimentada na acção traduz-se nos seus textos literários e científicos, mas a investigação não era um fim em si mesmo, a cultura tinha de ser reapropriada pelos seus obreiros, tinha de ser dignificada. A eco-museologia estava no seu espírito como instrumento de valorização e interpretação em rede do património, recordo a propósito as conversas travadas com Per-Uno Agren (que foi presidente do ICOM). A revitalização e musealização dos espaços arquitectónicos e monumentais leva-o a pensar o Mosteiro de Alcobaça. A museologia aberta ao território revela o divórcio com o conceito de museu tradicional e mostra em que medida tanto do que se pressupõe como novidade já foi objecto de reflexão. Participa na criação da Adepa, ciente que o espírito associativo e o cruzamento de ideias é crucial para um progresso inteligente.
O fruto do seu labor incansável encontra-se ainda na colecção arqueológica do Museu Joaquim Manso (Nazaré), ou no Museu de Olaria de Barcelos que alberga a sua recolha de cerâmica açoriana.
Humanista e patriota, despojado o termo de fatiotas primárias, Borges Garcia será recordado não só pelo que fez, mas pela pessoa que era.
Parece que ainda hoje vamos subir para a Moby Dick a fim de, uma vez mais, nos deleitarmos com a leitura do “pic-nic de burguesas” de Cesário.
António Valério Maduro

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Jessica Amaro em Vila Franca do Campo

A luso-canadiana Jessica Amaro e Jorge Ferreira foram dois dos artistas convidados para a Festa do Emigrante de Vila Franca do Campo 2009.
Jessica e Jorge Ferreira encontraram-se no mesmo dia, nestas grandes festas e chegaram a estar presentes em palco em simultâneo.
Jessica Amaro, que recentemente esteve em Leiria, é filha de pais açorianos, reside actualmente em Ontário, Canadá. Jessica trabalhou com o famoso professor Ian Garrett (o mesmo da Shania Twain, N'Sync, Joeé, entre outros artistas).
Jessica deu aulas de dança, no "Danceline Studios". Ao mesmo tempo especializou-se em dança Latina. É professora de piano e de canto no Conservatório de Música de Ontário.
Em Dezembro de 2000, Jessica dá um passo em frente e lança o seu primeiro trabalho discográfico, bastante solicitado pelas rádios da província de Ontário e pelo seu público. Por ter feito sucesso junto da comunidade Portuguesa radicada no Canadá, conseguiu também interessar às comunidades lusas dos Estados Unidos.
O Português, o Inglês e o Espanhol são línguas que domina muitíssimo bem. Cantar para destacar o seu povo é o que mais gosta. As suas coreografias, cheias de alegria e cor, misturadas com a luz própria da sua juventude cativam todos os que a ouvem cantar.
Para a Jessica, cantar é uma paixão e vai concretizando o seu maior sonho. Entretanto, conjuga esforços para que a sua formação académica não seja prejudicada. Terminou com bons valores o curso superior de música. Continua os seus estudos na área da Criminologia.
Em Novembro de 2001 Gravou o seu segundo CD, "Ser Portuguesa". Destaque-se ainda o êxito deste disco. É vendido em várias partes do mundo, nomeadamente na Califórnia. Esta canção esteve no n.º 1, no top 10, por seis meses, e ainda se mantém. Ganhou vários prémios em diferente Festivais.
Para além de ter actuado nos Açores esteve também nas Bermudas, Estados Unidos, México e Cuba, sem esquecer o Canadá.
Com a sua jovem idade por mais do que uma vez já cantou e encantou milhares de pessoas no grandioso espectáculo - "Canada's Wonderland".
Jessica Amaro gravou um dos seus últimos trabalhos cuidadosamente. O melhor da Jessica é agora dedicado à memória da sua avó, "Sempre no Coração" – CD especial, lançado no dia 18 de Abril de 2004.
Jessica escolheu um dos temas deste trabalho discográfico para realizar um vídeo, profissional, no qual se apresenta em três línguas: português, inglês e espanhol. O resultado final deste vídeo veio ao mundo da arte e da canção na primavera de 2004.
Jessica gravou um CD em Inglês “Attitude” com vários produtores e novo empresário. A maioria das letras e das músicas são da sua autoria. Um trabalho de excelente qualidade que ganhou prémios como o "Pop Album of the Year" em "Los Angeles Music Awards".
Presentemente está em estúdio a gravar o seu próximo trabalho em Português, Inglês e em Espanhol. Tem, ainda, vários contratos assinados para outras actuações: Ontário, Vancouver, Montreal, E.U.A. etc..