quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Américo Cortez Pinto

Américo Cortez Pinto nasceu em Leiria no dia 14 de Março de 1896. Era filho de Manuel Pinto da Silva e de Joaquina Adelaide Cortez Curado da Silva, ele natural de Torres Novas e ela da freguesia leiriense Regueira de Pontes. Cortez Pinto era neto paterno de Bento José Pinto e de Maria José e materno de José Domingues Curado e de Gertrudes Margarida da Conceição Curado.
Após os estudos secundários no Liceu de Leiria, matriculou-se, em 1913, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra onde completou o curso em 1920.
Américo Cortez Pinto foi médico escolar em Leiria, membro da Comissão Distrital da União Nacional de Leiria, inspector de Saúde Escolar, vice-presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses e entre 1949 e 1957 foi deputado da Nação, tendo, também, exercido funções de vereador na Câmara Municipal de Lisboa de 1946 a 1954.
Este ilustre leiriense foi ainda membro da Comissão de Literatura e Espectáculos Infantis e da Comissão de Classificação de Espectáculos.
Na sua actividade como professor leccionou as disciplinas de “Psico-Pedagogia da Infância e Adolescência” no Instituto de Serviço Social, Higiene no Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge e a mesma disciplina na Cruz Vermelha. Ainda na área da Higiene organizou a Corporação dos Fiscais de Higiene e Donas de Casa entre os estudantes dos liceus da sua área de inspector escolar.
Cortez Pinto foi director dos Serviços Sociais do Instituto Português de Reumatologia tendo, nessa qualidade, presidido ao VI Congresso Europeu de Reumatologia realizado em Lisboa no mês de Outubro de 1967.
Além da medicina, do ensino e da actividade política, Américo Cortez Pinto dedicou grande parte da sua vida ao universo da escrita e investigação sendo considerado um grande poeta e um escritor reconhecido. Como tal, colaborou na “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, na “Enciclopédia Verbo” e em diversos jornais e revistas onde se destacam “Ícaro” que fundou com Ernesto Gonçalves, Cabral do Nascimento e Luís Vieira de Castro, “Galera”, “Contemporânea”, “Coimbra Médica”, “Saúde Escolar”, “Ocidente”, “Revista de Portugal” e os jornais “O Mensageiro”, “A União Nacional”, “A Voz” e “Novidades”.
Fruto da sua dedicação profissional e também literária, Américo Cortez Pinto foi galardoado com os prémios literários “Antero de Quental” (1941), “Alexandre Herculano” (1948) e agraciado com o grau de “Oficial da Ordem de Cristo” e “Cruz Vermelha de Mérito”.
Américo Cortez Pinto, entre diversos trabalhos, escreveu “Senhora da Renúncia”, “Poema da Tentação”, “Os Perigos da Castidade”, “A Alma e o Deserto”, “Da famosa Arte da Imprimissão”, “Da Imprensa das Cruzadas de Além-Mar”, “O Poetas Saudade”, “Florilégio de Leiria”, “Leiria, Cidade Incunábula do Livro e do Papel”, “A Herança Maravilhosa”, “O Menino Jesus em Portugal”, “Talent de bien faire”, “Santos de Portugal”, “A Cava de Viriato”, “Acácio de Paiva” e “Um Cresus Perdulário”.
Américo Cortez Pinto faleceu em Lisboa a 30 de Novembro de 1979.
Adélio Amaro

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Casa do Distrito de Leiria (em Lisboa)

A memória histórica de um país está no património que se conserva. Monumental, artístico, musical, fotográfico ou documental. Conhecer essa memória passa não só pela conservação, mas pela organização e divulgação desse mesmo património. Neste contexto e no que se refere ao documental, a nossa experiência tem sido bastante gratificante e tem‐nos permitido acrescentar alguns dados novos à história da nossa região.
Foi o caso da Casa do Distrito de Leiria, cuja documentação a partir de 1997 passou a fazer parte do espólio do Arquivo Distrital de Leiria. O trabalho de identificação e organização que desenvolvemos, deu‐nos a conhecer uma associação, fundada em 1938 que funcionou na capital, que surgiu de um apelo do então Presidente da Câmara de Leiria, a uma comunidade de leirienses residentes em Lisboa, constituída por pessoas influentes e bem colocadas política, social e economicamente, provenientes dos mais diversos sectores profissionais. Médicos, advogados, notários, oficiais militares, engenheiros, comerciantes, banqueiros, professores, funcionários públicos, escritores, jornalistas, artistas entre outros.
Reuniu pela primeira vez uma Comissão organizadora em 8 de Fevereiro de 1938 no 3.º andar do n.º 126 da Avenida Duque de Loulé em Lisboa. O Clube dos 100 à Hora foi utilizado também pela referida Comissão até ficar definitivamente instalada na Rua Nova da Trindade no 2.º andar do N.º 18, nas dependências da Associação dos Amadores de Música de Lisboa. Teve os seus estatutos aprovados em 21 de Novembro de 1938 por alvará do Governo Civil de Leiria.
Foi o seu primeiro presidente O Contra‐Almirante Joaquim de Almeida Henriques, notável pela acção que desempenhou na Marinha e a figura principal do arranque inicial da actividade desta agremiação.
Manteve desde o primeiro dia uma intensa actividade cultural, uma interventiva acção social e uma sistemática pressão junto do poder político. Entre conferências, serões culturais, exposições, bailes, excursões, homenagens, a Casa foi também mentora do I e II Congressos das Actividades do Distrito de Leiria. Esteve ainda na origem da resolução de problemas e situações que muito contribuíram para o progresso da sua região. Cessou em 1953.
Foram suas congéneres, entre muitas outras, a Casa do Alentejo, a Casa de Entre Douro e Minho, a Casa de Lafões, a Casa de Coimbra, Casa das Beiras, a Casa de Tomar, a Casa dos Açores.
Estas agremiações constituíam‐se no seio de comunidades regionais, residentes em Lisboa, tendo por base a convivência dos seus patrícios, a divulgação dos seus valores, costumes, riquezas e a defesa dos interesses da sua região, junto do poder político do Estado Novo. Era o regionalismo a acordar reagindo à reforma administrativa consignada no Código de 1936.
A união destas associações, num total de 25000 sócios, deu origem a um movimento do qual nasceu o Conselho Superior do Regionalismo Português, que actuava como uma Federação de todas as Casas Regionais, actuando em sua defesa e representação As relações entre estas associações eram cordiais e bastante salutares. Convidavam‐se a participar das iniciativas de cada uma delas, promoviam sessões e eventos alusivos às regiões das outras Casas.
De entre a documentação da Casa de Leiria recolhemos um convite da Casa dos Açores datado de 4 de Fevereiro de 1941, que passo a transcrever:
Realizando o Sr. Dr. Pedro de Aguiar, ilustre Director dessa Casa, uma conferência no próximo dia 8 do corrente, pelas 22 horas na sede da Casa dos Açôres, sob o titulo “As duas ilhas pequeninas” muito nos honraria V. Exª. com a sua presença e bem assim os restantes Directores da Casa de Leiria. Os sócios da vossa Casa, que queiram assistir, podem faze‐lo mediante a simples apresentação do seu bilhete de identidade. À conferência segue‐se baile e o traje é de cerimónia. Aproveito o ensejo para endereçar a V. Exª. Os protestos da mais elevada consideração e subscrevo‐me.
É assinado pelo presidente da direcção Francisco Soares de Lacerda Machado.
No espírito de troca e partilha, as Casas enviavam, anualmente, umas às outras, cartões de livre entrada, para os diversos eventos que organizavam. A exemplo, em 2 de Março de 1951 a Casa do Distrito de Leiria envia à sua homóloga dos Açores, o seu cartão. Assina o presidente da direcção José Rodrigues de Matos.
Continuamos a constatar que as relações entre Leiria e os Açores são de longa data e que os laços de amizade e cooperação se têm revelado profícuos e de grande significado para as duas regiões.
São estas associações fontes documentais interessantíssimas e a Casa dos Açores poderá será também, um manancial de surpresas que valeria a pena conhecer.
Ana Bela Vinagre

Algumas reflexões sobre o aeroporto da ilha de Santa Maria

Para aqueles que leram os meus artigos publicados no jornal bissemanal The Portuguese Post, a 11 de Julho e a 8 de Agosto, 2002, sob o titulo de “Como em Santa Maria redescobri as minhas próprias raízes”, ter-se-ão dado conta de imediato que a minha viagem a Santa Maria e a São Miguel no âmbito do programa “Açores: A descoberta das raízes” foi uma experiência que ultrapassou as minhas expectativas. Fui talvez uma das participantes do grupo que mais aproveitou, tanto intelectualmente como emocionalmente, desta VI viagem de estudo organizada pela Direcção Regional dos Açores.
Como descrevi nos artigos, além do programa bem recheado de comunicações e visitas às diferentes partes das ilhas, duas coisas me impressionaram sobremaneira: a área do aeroporto de Santa Maria, por fazer parte da minha história pessoal, onde vivi até aos 4 anos de idade, e a participação a uma função do Espirito Santo que descobri em toda a sua beleza e singeleza nesta ilha. Concentrar-me-ei no primeiro tema – o do aeroporto – oferecendo uma visão muito pessoal deste dado que meu pai lá trabalhou como controlador de trafego aéreo, o primeiro controlador português nesse aeroporto, embora esse facto não conste ainda, infelizmente, de nenhum documento ou publicação. Estou a fazer um esforço nesse sentido procurando assim honrar a sua memória, dado que faleceu em 2001.
Antes de iniciar a minha comunicação gostaria de vos mostrar um excerto de 5 minutos de um vídeo produzido por Luís Cordeiro e José Franca, chamado “Santa Maria, ilha do Sol”, a parte do vídeo sobre o tema de que vos quero apresentar.
(“Longe do alcance dos homens… já pisaram esta terra”)
Bem patentes, neste vídeo, estão as três áreas mais significativas, historicamente falando, da Ilha: Anjos, onde parou Cristóvão Colombo ao regressar da América; no auditório dos Anjos decorreram as sessões do programa “Descobrir as Raízes”. Vemos também o porto de Vila do Porto, a capital, com o forte São Brás; e o aeroporto, sito na charneca das Areias, que geográfica e simbolicamente liga os dois portos da Vila e dos Anjos.
O que ali falta, na minha opinião, é uma vista geral da área anexa ao aeroporto onde estavam localizados os bairros do pessoal do aeroporto com as suas instalações – os bairros de Santa Barbara e de São Lourenço entre outros; o Hotel Terra Nostra e o Clube Asas do Atlântico, etc. Os bairros encontram-se degradados, se bem que ainda habitados, e não constituem neste momento motivo de orgulho para Santa Maria… Esperemos que tal aconteça no futuro.
O mesmo se pode dizer sobre o porto da Vila. A parte mais histórica e mais perto do Forte encontra-se num grau de abandono desolador. O matadouro da vila está localizado junto ao Forte, numa zona que deveria ser altamente estimada e embelezada e, como disse a vereadora Nélia Figueiredo, o matadouro não pertence seguramente aí. Urge ajardinar, concertar os vidros partidos da Igreja da Conceição e abrir-lhe as portas a grupos de estudos como o nosso. E urge também reconstruir as belas casas em ruínas no cabo de baixo da rua Frei Gonçalo Velho que dá para o largo do Forte. Disse-me a vereadora que, apesar de se já se terem localizado muitos dos proprietários das casas e de a eles terem sido enviadas cartas registadas convidando-os a vender o património ao município, muitos não se dignaram sequer responder, muito menos a aparecer para avaliarem a gravidade da situação…
Voltando ao aeroporto, a vereadora, disse que haverá um plano de conservação de algumas das casas dos bairros. O hotel Terra Nostra sofreu um incêndio há 2 anos e encontra-se em reconstrução. O Clube Asas do Atlântico esta a ser remodelado embora eu ainda tenha tido a sorte de ver duas divisões tal como os meus pais as terão visto há mais de 50 anos – a sala de jogos e o bar. O meu medo é que se destruam quase todas essas casas prefabricadas e barracões, que têm um interesse histórico, e que se perca a noção do traçado desses bairros. Em conversa com a vereadora Figueiredo ontem, soube que nada de específico está ainda em vista no que concerne as duas áreas degradadas mas de grande valor histórico da ilha. As duas áreas que puseram Santa Maria no mapa e na vanguarda do desenvolvimento tecnológico da humanidade – as viagens transatlânticas dos séculos XV e XX.
Voltando ao nosso vídeo, a própria construção do aeroporto teve uma história fascinante. Para esta parte vou-me apoiar em três livros: Ilha de Gonçalo Velho de Jaime de Figueiredo escrito em 1954 e que foi parar milagrosamente às mãos da Judith Cohen em Santa Maria. Ainda Navegação aérea em Portugal. Testemunhos,da autoria de Maria Jorge Costa e Ricardo Oliveira, produzido pela NAV (Navegação Aérea de Portugal) data não indicada, e Memória de duas décadas ao serviço (1978-1988) de Portugal da ANA (Aeroportos e Navegação Aérea), 1999. Estes dois últimos foram-me oferecidos por Luís Guilherme Ribeiro, relações públicas do Aeroporto de Santa Maria, como todos os marienses, de uma hospitalidade e atenção fora de comum…
Como sabem, foi a entrada dos Americanos na 2a Grande Guerra que colocou os Açores “no centro das operações”, primeiro com a base das Lages na Terceira para uso exclusivo dos ingleses segundo o acordo de Agosto 1943, apesar de os americanos aí aterrarem com identificação inglesa.
Tanto o governo americano como as companhias aéreas americanas comerciais se aperceberam da necessidade de ter uma base nos Acores dado que os aviões tinham que se reabastecer, não tendo combustível suficiente para a travessia transatlântica. Contudo, Salazar não tinha simpatia pelos Americanos e foram conduzidas negociações secretas a coberto da PAN AM (Pan American) para evitar a fúria da Alemanha e do Japão, dado que Portugal era supostamente neutro. Por seu lado, Portugal pedia a colaboração dos americanos no processo de libertação de Timor então ocupado pelos japoneses (ANA, 1999). Mesmo assim, Salazar tentou adiar o acordo o mais tempo possível. Em Julho de 1944 o contrato foi assinado para a construção do aeroporto no valor de 3 milhões de dólares, que previa o seguinte: construção de dois molhes (piers) no porto, alargamento da área do cais, melhoramento da estrada que conduzia ao aeroporto e a construção de 3 pistas; plataforma de estacionamento, edifício de estacão, exploração e torre de comando; abastecimento de águas e sistema de esgotos.
Portanto, mais uma vez é feita a ligação entre os dois lugares da ilha de que falamos hoje dado que é por via marítima que chegaram mais de 30 mil de toneladas de equipamento para as obras. O primeiro avião americano aterrou em Agosto 1944 com material de acampamento e pão. O acordo entre os EUA e Portugal é assinado em Outubro, “deixando cair a farsa com a Pan Am” (p. 19).
“É por essa altura que começam a ser feitos recrutamentos, quer junto da população local, quer no continente. Pedem-se técnicos com alguma formação específica que saibam falar inglês e possam estabelecer a comunicação entre os americanos e portugueses. Muitas profissões, completamente desconhecidas, surpreendem agora a maioria da população. Nunca ninguém ouvira falar em teletipo, nem sabia para o que servia. Controlador de tráfego aéreo soava até a palavrão. Todas estas novas profissões tinham agora de ser ensinadas a portugueses porque, nos termos do acordo, os americanos abandonariam a base quando terminasse o conflito, deixando todo o equipamento e as infra-estruturas. Assim, era necessário que os portugueses ficassem habilitados a operar equipamentos tão sofisticados e imprescindíveis para a aviação comercial.” (p. 19)
Efectivamente, a partir de 2 de Junho de 1946, os aeroportos de Santa Maria e das Lajes voltam à administração portuguesa.
Este pedido de pessoal gerou um movimento migratório para Santa Maria que se tornou uma mini América, sendo mesmo preciso carta de chamada para lá ir trabalhar. A população de Santa Maria que desde o século XV, como hoje, não ultrapassa os 6 mil, passou a contar no seu auge com cerca de 15 mil, ou seja, quase triplicou. Essa população vinda de fora concentrava-se nos bairros que eventualmente foram construídos ao pé do aeroporto e tinham pouco contacto com a população local…
Voltando às profissões, fala-se no livro de que tenho citado, Navegação área em Portugal. Testemunhos, do primeiro homem a estabelecer contacto radio-voz no Atlântico, Francisco Vitorino. Outro, Carlos Barros, que conheci na minha viagem e que era teletipista na altura em que trabalhou com o meu pai, é citado no livro:
“Em 1947 já não havia americanos, éramos todos teletipistas portugueses. Entrei para os teletipos no primeiro concurso que houve com mais quatro colegas, um dos quais era uma senhora de apelido Sarmento. Nós, portugueses, inovámos muito na navegação aérea. Olhe, a primeira controladora de tráfego aéreo do mundo foi a Sr. Maria de Lurdes, aqui em Santa Maria!”. (p.37)
Infelizmente não se precisa o apelido desta pioneira. O teletipista, a propósito, tinha uma máquina de emissão e outra de recepção de mensagens para comunicar com os 7 circuitos existentes – Lisboa, Paris Nova Iorque, Shannon na Irlanda, Lages, Gander na Terra Nova, Canadá, e o serviço de meteorologia (p.37).
O livro também oferece um testemunho muito interessante da tal Sra. D. Natália Sarmento, a primeira mulher a entrar para o concurso de teletipista em 1950. Disse ela:
“Foi uma loucura, toda a gente criticava. Muitos homens diziam mesmo que se fosse minha mulher não deixava. E a trabalhar de noite. O meu marido trabalhava aqui no aeroporto para a Shell. Havia muita inveja, intriga e tacanhez. … Havia muito trabalho, chegávamos a fazer 60 horas semanais quase não havia folgas, o trabalho extraordinário era constante. Eu tinha dois filhos para criar, a casa para arrumar e o rapaz asmático tirava-me as poucas horas de sonho que tinha.” (p. 40).
Contudo, ela recordava com saudade o ambiente que se vivia no aeroporto que devido ao isolamento da população local se fazia dentro do aeroporto.
“Era muito bom tínhamos uma serie de infra-estruturas que mais ninguém tinha: o Clube Asas do Atlântico, organizava-se um rally paper, bailes torneios de cricket e havia cinema”.
O aeroporto tinha ainda uma escola, um colégio ate ao 5o ano, templo, hospital, cantina e outros estabelecimentos de bens alimentares e bairro de trabalhadores onde ainda hoje os empregados da NAV pagam apenas uma renda simbólica. (p. 41)
Só não reza da história do primeiro controlador aéreo formado pelo governo português destacado para o aeroporto onde começou a trabalhar a 20 de Agosto 1946, Acácio Vieira Januário. Eis como ele me contou a sua história.
“A primeira pessoa a ser convidada para ir para os Acores como controlador aéreo fui eu. Andava a acabar o curso de controlador aéreo de um mês em Lisboa à noite e de dia trabalhava na Comissão reguladora dos carvões. Tive uma chamada de telefone em que me disseram: ‘vamos começar a substituir os americanos para os serviços de controlo. Quando acabar o curso continua a fazer o aperfeiçoamento lá, enquanto pratica.’ Só me davam um dia para pensar. Decidi que sim. Arranjei as malas e saí para os Açores de bimotor da Portela. Que até nem devia ter sido de bimotor que se fazia a travessia atlântica para Santa Maria…
No aeroporto havia o centro de controlo regional onde estavam os controladores americanos que eram todos oficiais do exército americano; os da torre, como era um trabalho de pouca responsabilidade, estavam lá uns cabos do exército que velavam pela pista, vento e altímetro segundo o que se fazia cá de baixo do centro regional.
Na torre, eu e o Manuel Palma éramos os únicos portugueses. Ele era do Alentejo, piloto de aviões ligeiros, os pipercurbs, e era afilhado do General Sintra que era o comandante da aeronáutica civil (mais tarde foi o General Humberto Delgado). Havia um oficial americano com quem eu me dava muitíssimo bem, era o tenente Waiser que até queria aprender português e chegou a falar um bocado.
Tínhamos um manual de controlo, eu estudava, faziam-me perguntas e exames, a mim e ao Palma que estava talvez menos interessado do que eu e tinha mais dificuldade. Mais tarde apareceram mais controladores
Mais tarde fui nomeado chefe de serviços, estive lá muito tempo como chefe de serviços; tivemos que fazer concursos, pedi transferência para Lisboa; lá continuei a estudar para o concurso. Tive aquela peripécia do 1ode Abril, foi assim.
Havia um Manuel Coimbra que era controlador e estava comigo, eu era chefe de turno. Ele fez crer aos Americanos das Lajes que havia uma formação de B52s que se aproximava dos Açores e que deviam estar preparados para receber esses aviões de guerra. Eu estava a controlar e não estava a ligar ao que ele estava a fazer e quando estava para sair, ele disse: “O pá, Acácio, como é o 1o de Abril estou aqui a fazer uma patranha” E eu disse: “O pá, isso não se faz! Os gajos têm que começar a mobilizar os serviços de operações, o pessoal, tem que ir por as placas livres para a recepção dos aviões e isso da um trabalhão do caraças, pá! Nem pensar nisso!”
Mas já era a hora de eu sair e entretanto ele já tinha passado aquilo às Lajes, eu estava com pressa, tu tinhas caído de uma cadeira e estavas a sangrar e a patranha passou-me. Entretanto o pessoal das Lajes tinha recebido a mensagem. Depois então é que eu disse, isso é tudo história, só para passar o 1o de Abril. A gente emendou aquilo a tempo mas o director do aeroporto soube e arranjou-me um processo disciplinar. Eu é que era o responsável por ser chefe de turno e ainda por cima chefe dos serviços de controlo. Os americanos acharam piada aquilo mais o director é que levou aquilo a sério e deu-me uma boa patada. Foram 40 dias sem pagamento de ordenado! Desgostei-me daquilo e pedi transferência para Lisboa, fiz os meus exames mas, como pedi transferência, não fui nomeado para 1a classe, fiquei em 2a. Como precisavam de mim no Porto para substituir o director, mandaram-me para o Porto.
O que mais me desagradou na minha estadia em Santa Maria foi a direcção do aeroporto. O que mais me agradou foram os amigos que criei e que me tratavam como família – o farmacêutico Albino Botelho, o Óscar Arruda, o Armando e o Zezinho Monteiro, o Miguel Figueiredo Corte Real, com quem ainda estou em contacto, e o Dr. Manuel José da Costa, figura de destaque que até falava romeno e que era de São Miguel.”
Meu pai falou-me ainda do facto que havia rivalidades entre portugueses e americanos especialmente na transição da administração, por exemplo dum coronel português que não falando inglês, exigia que o americano falasse português com ele… Enraivecido, o comandante ordenou aos soldados que enviassem jipes de material pela “cagarra”, ou seja ravina, abaixo. Falou também da generosidade dos americanos vis a vis a população das ilhas, que vivia na pobreza, o que levou a abusos, roubos de material do aeroporto e revenda de materiais como, por exemplo cobertores que tinham sido dados pelos americanos.
Do livro de Jaime Figueiredo, escrito em 1954, deixa entrever que, antes da chegada do aeroporto, a ilha, longe de ser um paraíso rural, era um sítio onde o aldeão:
“Leva uma vida de trabalho e mediania, sem grande desafogo, mas longe da extrema penúria. Este meio ambiente de rudeza e de abandono, numa ilha isolada, sujeita a tremores e a vendavais, estiagens e enxurradas, plasmou-lhe o caracter, dando-lhe a mais rija têmpera para dominar os elementos. Algumas vezes tem havido motins ou levantes, com seus ousados cabecilhas, que descem das freguesias até à sede do concelho, onde vêm reclamar contra as pautas exageradas, a saída dos géneros, o alto custo das fazendas, e também lembrar ao médico que seja humano na cobrança dos honorários. Mas não leva muito tempo que o serrano, arrependido e envergonhado, regresse ao trabalho e se dirija a igreja da paróquia a confessar o seu pecado, para um dia poder deixar, com a alma bem lavada, este mundo de enganos… (p. 129-130)
Das mulheres diz:
“Parece um mundo medieval, quando nas ruas solitárias vemos as mulheres de capote e capucho, velho biocos monásticos que as envolvem por completo, apenas mostrando a biqueira de cordovão. Os serranos, de jaleca de estamenha e carapuça na cabeça, espécie de chapéu henriquino, apoiam-se a fouce roçadora ou ao bordão de ponteira. E as mulheres, de saiotes rodados, colete de paninho, calçadas de galochas, trazem patrona à cintura, xaile no antebraço e elegante carapuça sobre o cachené de ramagens. E a que der mau passo, e pelo visto “andar na boca do mundo” terá de emigrar sem demora, pois ali todos a esconjuram… O meio social era simpático e acolhedor! (P. 137)
Este mundo contrasta com o bulício que se instala com o aeroporto e com a chegada do pessoal americano:
“Em suma: toda a variedade de automóveis, em número aproximado a 800, muitos deles guiados por robustas “girls” americanas, e munidos de sereias e buzinas, cornetas e klaxons que produzem ruído estrepidoso, quase mesmo alucinante em todas as estradas da pequena ilha açoriana” (p. 173)
E mais além:
“Muitas jovens “yankees” formosas e esbeltas, de cabelos platinados e atitudes decididas, envergam os uniformes dos Serviços Auxiliares. Apesar disso não esqueciam toda a “maquillage” própria da garridice feminina! Algumas guiavam, com pulso forte e gentil, pesados camiões, tractores e ambulâncias e seguiam até Nova Iorque, a tomar o seu “dinner” ou a olhar pelo seu “home” voltando num relance a Santa Maria a que chamavam com gracioso espirito “Little America”.
Muito mais haveria que citar deste autor sobre as imagens que no descreve – desde as obras no Porto, como no aeroporto e as mudanças introduzidas nos hábitos de consumo e alimentares e serviços devido à influencia americana, por exemplo o self-service nas messes que “reduz ao mínimo o serviço de criadagem”.
Resta-me apenas, para concluir, fazer minhas as palavras de meu pai deixadas num texto escrito a 5 de Junho 1954, intitulado “Despedida” e lido possivelmente dias antes de voltar ao continente:
“Sinto que deixo esta terra com saudade. (…) Deixo o mar imenso a volta, esse isolador físico do espírito, a aridez do campo nas abegoarias pedregosas, os vales cortados a pique, as ventanias impertinentes as nuvens variadas e constantes ao dia, o azul pardacento do céu limpo da noite, a humidade aljogrante da tardinha, os (...??) alegres e sociais, os serões estrepitosos do Terra Nostra, as barracas ferrugentas, sonorosas e matraqueantes, o resfolegar dos motores dos aviões, os picos distantes e enevoados, os impérios com as melodias tristes e tilintantes, o silêncio eloquente e respeitoso da rocha debruçada sobre o oceano, os vinhos do cheiro do Sul e São Lourenço, as cracas de sabor indizível, saborosíssimas, os caranguejos vermelhos primitivos, as caras lindas das moças labregas e a inesquecível recordação de paisagens indescritíveis que têm sempre por fundo a cor gaze do mar e parecem saltar, movimentar-se perante o espectador, graciosas, alegres, como antífonas a um “Apolo que sabe regar o que plantámos há pouco” e nos oferece já os frutos prontos a recolher…
E nesta ilha fica para sempre, com uma saudade eterna, o palácio do meu encantamento maior; nela ficam os restos mortais de uma filha que apareceu fugidia a esconder-se logo no seio da terra, qual anjo mudo, encantado, simples, tímido, amoroso e delicado…”
A filha que se seguiu, eu, teve a sorte de lá voltar nas asas da memória e de partilhar convosco essa aventura ímpar.

Ilda Januário
Novembro de 2002
Comunicação apresentada na Semana Cultural da Casa dos Açores de Toronto

O livro do Anthony de Sá: a nossa realidade vista pela segunda geração

A sessão no Consulado de Toronto com o escritor Anthony de Sá, para lançar BARNACLE LOVE teve lugar a 26 de Junho de 2008. O lançamento da tradução portuguesa do livro, TERRA NOVA, teve lugar a 30 de Abril na Casa dos Açores do Ontário (CAO). Em ambos os casos constituiríamos uma audiência de mera vintena.
Não somos uma comunidade de leitores e Anthony, na sua simplicidade e bonomia, dado o êxito de que foi alvo no mundo literário canadiano e internacional, teve a amabilidade e o gosto de partilhar com a sua comunidade de origem, esta primeira obra, assim como já o fez em encontros organizados em Portugal e no Brasil.
Nos dois casos, depois da apresentação do livro – pelo Leitor de Português José Pedro Ferreira e a advogada Connie Freitas, em 2008, e pela autora Fátima Toste em 2010 - teve início uma sessão de perguntas e respostas, um autêntico diálogo com a audiência que dificilmente teria sido possível, afinal, com um grupo maior.
Anthony revelou-se um homem aberto, de uma enorme simpatia, que se encontra grato com a vida e que reconhece que está a passar momentos maravilhosos após o reconhecimento de que foi alvo no mundo literário nacional e internacional. E para maior voto de confiança, já foi pago pelo segundo livro, CARNIVAL OF DESIRE cuja escrita ele está prestes a completar em condições difíceis, pois é professor do ensino secundário há vinte anos e pai de três filhos menores.
Anthony é para nós um pioneiro luso-descendente na literatura canadiana. Se é bem verdade que já tínhamos dois autores publicados em inglês na edição original, reconhecidos no mainstream literário anglófono - Paulo da Costa e Erika de Vasconcelos -, apenas esta nasceu em solo canadiano, em Montreal, filha de continentais. Anthony é filho de pioneiros açorianos, imigrados aos vinte e poucos anos de idade e nasceu em Toronto, onde ainda vive, no bairro dominado pela igreja de Santa Maria/ St. Mary’s, sita no Portugal Square, onde todos os anos tem lugar a procissão do Senhor Santo Cristo.
Como pessoa de segunda geração, que viveu os reveses duma família imigrada nos anos cinquenta, com tudo de negativo e positivo que isso comporta, Anthony vivenciou não só as mazelas do nosso grupo étnico, em particular o alcoolismo dos homens e a ausência física e psicológica dos adultos, tanto em casa como na escola dos filhos – resultado do excesso de trabalho e do trauma migratório -, como também as grandes qualidades da nossa primeira geração. Entre elas, a enorme capacidade de trabalho que faz com que se sustente uma ou mais famílias, que se compre e pague uma casa em tempo recorde – o maior e melhor investimento da pessoa comum -, a entreajuda no seio da família, nomeadamente no movimento migratório; e a busca da auto-suficiência dentro e fora de casa.
Anthony aprendeu a fazer tudo dentro de portas, até as tarefas designadas femininas; felizmente nem ele nem a irmã foram submetidos à tirania da divisão dos sexos nas tarefas domésticas. Da boca do pai, já falecido, ouviu dizer que um homem só deve precisar de uma mulher para uma coisa!
Sobretudo, o Anthony aprendeu o valor do dinheiro e do conforto material, que não considera como valores adquiridos. Cito:
I’m not sure if our [own] kids are better off. Our kids don’t value what they have as much as we did. We understood the value of money and we never took for granted what we had.
Outra constante que ele continua a testemunhar, trinta anos mais tarde, e desta vez como professor, é a falta de comparência dos pais à escola, para reuniões com os professores, etc., lamentando que se trata agora de pais da idade dele (43 anos), pessoas que falam inglês em casa com os filhos e frequentaram o sistema escolar canadiano, o que leva ainda às mesmas consequências – a percentagem elevada de abandono escolar de lares onde ainda se fala o português, devido à presença de avós portugueses (ou por terem chegado há pouco de países lusófonos). Os modelos negativos, como os positivos, tendem a reproduzir-se de uma geração para a outra, amiúde inconscientemente.
Quando disseram ao Anthony que em muitos destes lares se continua a trabalhar em mais de um emprego, o escritor admirou-se. Não pensava que as coisas ainda estavam neste pé. E que o alcoolismo, o abuso de menores e das mulheres ainda não foram relegados ao passado.
Anthony e Connie, luso-descendentes, levantaram um espelho feito de palavras às nossas caras e nós vemo-nos como eles nos vêm na intimidade – não só como seres angustiados, carentes e por vezes ausentes de espírito, mas também como pessoas bem-intencionadas, honestas, trabalhadoras, mortificadas pelas responsabilidades impostas pela imigração, pelas obrigações familiares, pela fé, e pelo nosso desconforto de viver entre dois mundos. Se os pais vivem com um pé em cada continente, cultural e/ou geograficamente, os filhos, como nos diz Anthony, vivem com um pé no passado e outro no futuro. Eu acrescentaria, como imigrante de longa data, que essa ginástica, que nos deixa existencialmente doridos, tem muito de positivo, pois faz-nos ver mais além e sentir mais fundo e saber avaliar melhor as opções de vida, ou a falta delas.
A edição original em inglês foi justa e poeticamente intitulada Barnacle Love. Barnacle pode traduzir-se por “amor de craca” (ou percebe), marisco gostoso criado na rocha, mas neste caso, símbolo do amor incondicional dentro da família, exposto às marés, às tempestades e ao sol da unidade familiar que, como nos sugeriu José Pedro, simultaneamente, nos ajuda transcender as vicissitudes da existência precária da condição de imigrante e nos impede de largar a rocha do nosso descontentamento –, e do nosso posicionamento ainda precário, se semi-centenário, no seio da sociedade canadiana.
Fátima Toste reiterou que o livro, agora traduzido, “retrata com nitidez os sonhos, a vida, as ilusões e desilusões dos imigrantes açorianos que atravessaram o Atlântico rumo à Terra Nova; os relatos que o autor ouviu na área da Palmerston Avenue sobre as aventuras e desventuras daqueles que partiram na tentativa de fugir da pequenez da ilha e da pobreza”. Focou o facto de as crianças serem punidas duramente por pequenas coisas - como o simples pôr batom de uma rapariga -, e de se tratar de uma obra para ser lida com o coração.
No lançamento de Terra Nova na Casa dos Açores, notei que Anthony já se sentia mais confiante a falar português, algo que aprendeu incialmente, como tantos jovens luso-descendentes, devido à presença da avó em casa na sua infância. Tem orgulho nas suas raízes e não desdenha o contacto com a sua comunidade de origem. Aguardamos com expectativa o seu segundo livro.

Ilda Januário

Imagem do Dia: Sete Cidades, Ponta Delgada, São Miguel, Açores

AICAL na imprensa: Clube da Comunicação Social de Coimbra

O leiriense, e nosso associado, Adélio Amaro assumiu a presidência da Direcção da Associação de Investigação e Cultura dos Açores/Leiria.
Esta Associação, com elementos dos Açores e de Leiria, tem como objectivo a promoção e a investigação das freguesias e personalidades do Distrito de Leiria e Região Autónoma dos Açores.
Neste momento, a Associação está a catalogar a sua biblioteca, com cerca de 4500 volumes e 20 000 documentos.
Já editou três cadernos sobre Roberto Ivens, Visconde do Amparo e Ernesto do Canto. Para breve serão publicados cadernos sobre o Comandante João Belo, Antero de Quental, Teófilo de Braga, Rosto de Cão, São Roque, Fajã de Cima, Barreira, Barosa, entre outros.
Além dos Cadernos, estão já em fase de edição livros sobre alguns temas dos concelhos dos Açores e de Leiria, com destaque para Leiria, Batalha, Pombal, Nordeste e Ponta Delgada.
Neste momento estão, também, a ser produzidas duas exposições: uma sobre Leiria e outra sobre a Ilha de São Miguel.
Clube da Comunicação Social de Coimbra

Recordando Eduíno Borges Garcia

Eduíno Borges Garcia nasceu, a 22 de Fevereiro de 1922, em Vila Franca do Campo, na Ilha de S. Miguel e faleceu, a 7 de Janeiro de 1979, em Lisboa.
Cedo se iniciou no jornalismo colaborando assiduamente no periódico “A Ilha”, de Ponta Delgada. No ano de 1946 ruma para o continente para estudar Farmácia em Coimbra, acabando por se licenciar na Universidade do Porto. Frequenta o curso de História e tira cursos de Jornalismo, Inglês e Espanhol. Participa na renovação do movimento literário açoriano, dedica-se à arqueologia e etnografia desenvolvendo, em particular, variados estudos na região dos antigos coutos de Alcobaça. Foi membro da associação dos Arqueólogos Portugueses e da Associação Portuguesa de Museologia e como profissional ocupou lugares de direcção no Instituto Pasteur de Lisboa.
Borges Garcia constituiu uma referência para alguns jovens de Alcobaça que nos anos setenta tiveram o privilégio de com ele conviver e criar sólida amizade. O 25 de Abril ainda amanhecia e o país parecia querer ganhar um novo fôlego. Foi Leocádia Natividade que na sua própria casa teve a amabilidade de nos apresentar ao investigador, que era amigo do Professor Joaquim Vieira Natividade. Em breve calcorreávamos com a Moby Dick, nome fraterno para a cansada carrinha Volkswagen que servia de casa ambulante, o concelho de Alcobaça de lés a lés.
A sua militância em prol da cultura, das raízes e identidade, aliava-se a uma postura pedagógica de proximidade. Longe de ser professoral, Borges Garcia pretendia transmitir-nos a paixão pelo seu caminho. A constituição de uma equipa de trabalho com jovens revela a sua abertura, o seu espírito cooperativo, o trabalho de sementeira que julgava crucial para modificar as mentalidades e comportamentos face ao património e à cultura colectiva.
Borges Garcia tinha por esta altura reorientado o seu programa de pesquisa. A arqueologia (da Igreja Visigótica de S. Gião, das Anforetas, das Torres da Lagoa da Pederneira e do Castelo de Alfeizerão...) dava lugar definitivamente a outra paixão, a da cultura popular das comunidades rurais, explorando a sua dimensão simbólica e material. É verdade que de vez em quando olhava o solo e detectava um biface, uma tegula, um peso de rede..., e que ensaiou a escavação da Igreja de Nossa Senhora da Conceição na busca da primeira guarida dos monges cistercienses, mas a arqueologia, como não se cansava de repetir, podia esperar.

A notável capacidade de estabelecer relações e contactos, de se familiarizar com vários níveis de cultura, permitiu-lhe um acesso fácil aos campos, franqueando o acesso às comunidades mais fechadas. As memórias associadas à sua passagem em tantos lugares resistem ao vendaval dos anos, como ainda há bem pouco tempo tive o prazer de testemunhar no Poço das Vinhas.

A dispersão que tomava a alma do bom doutor fazia-o interessar-se por múltiplas áreas e a investir em experiências socioculturais diversificadas. O projecto de medicina popular leva-o à Escola Técnica (actual Inês de Castro), envolvendo e cativando professores e alunos, filma os trabalhos e os dias das comunidades rurais e partilha estes registos com as populações provocando a reflexão dos próprios actores sobre a sua vida e obra, estuda os ciclos agrários, as oficinas de canastreiros, cesteiros e esteireiros, de navalhas, olaria, a gestão das águas, os círios e festas populares...
A sua reflexão cimentada na acção traduz-se nos seus textos literários e científicos, mas a investigação não era um fim em si mesmo, a cultura tinha de ser reapropriada pelos seus obreiros, tinha de ser dignificada. A eco-museologia estava no seu espírito como instrumento de valorização e interpretação em rede do património, recordo a propósito as conversas travadas com Per-Uno Agren (que foi presidente do ICOM). A revitalização e musealização dos espaços arquitectónicos e monumentais leva-o a pensar o Mosteiro de Alcobaça. A museologia aberta ao território revela o divórcio com o conceito de museu tradicional e mostra em que medida tanto do que se pressupõe como novidade já foi objecto de reflexão. Participa na criação da Adepa, ciente que o espírito associativo e o cruzamento de ideias é crucial para um progresso inteligente.
O fruto do seu labor incansável encontra-se ainda na colecção arqueológica do Museu Joaquim Manso (Nazaré), ou no Museu de Olaria de Barcelos que alberga a sua recolha de cerâmica açoriana.
Humanista e patriota, despojado o termo de fatiotas primárias, Borges Garcia será recordado não só pelo que fez, mas pela pessoa que era.
Parece que ainda hoje vamos subir para a Moby Dick a fim de, uma vez mais, nos deleitarmos com a leitura do “pic-nic de burguesas” de Cesário.
António Valério Maduro

O terramoto de 1841 nos Açores

Nascidas no meio do imenso Atlântico, as ilhas Açorianas não negam a sua origem vulcânica, bem patente na formação da Lagoa das Sete Cidades e da Lagoa do Fogo, na Ilha de São Miguel, a própria Ilha do Pico, o Caldeirão na Ilha do Faial.
Com uma actividade sísmica permanente, os Açores têm sofrido algumas erupções ao longo dos séculos, com destaque para os anos de 1563, no Pico do Sapateiro, e 1620 no Vale das Furnas, na Ilha de São Miguel; 1672 o Capelo, na Ilha do Faial; 1720 na Ilha do Pico; 1808, a Nazelina, na Ilha de São Jorge e novamente no Faial com o Vulcão dos Capelinos em 1957, já para não falar nas erupções submarinas.
Mas as suas ilhas têm sido também palco de violentos terramotos. Em 1522 a Vila de Praia de Âncora, em São Miguel, foi destruída. No ano de 1841 foi arrasada a Vila da Praia na Ilha Terceira. Alguns anos mais tarde em 1852 foi a vez de Ponta Delgada. Já mais recentemente lembramos o terramoto, que em 1980 danificou grande parte da cidade de Angra do Heroísmo.
O que nos traz à conversa hoje, mais propriamente à escrita é o terramoto de 1841 que assolou de forma dramática a cidade de Vila da Praia, reduzindo a a um monte de ruínas, desalojando os seus habitantes, deixando os numa situação de extrema penuria e miséria.
O primeiro documento emitido pela Corte sobre o assunto, sai do Paço de Sintra, assinado pelo Barão de Tilheiras, com data de 5 de Julho e refere se lhe nos seguintes termos: por occazião das repetidas oscilações terrestes, que ali se sentiram desde o dia 12 de Junho próximo passado, a que se seguio o espantozo terremoto, que teve logar no dia 15 e que destruio e arruinou completamente a Villa da Praia, produzinddo ao mesmo tempo gravíssimos estragos na Villa de S. Sebastião, em todas as povoações que ficam a leite entre esta ultima Villa e as Lages; do que resultou ficarem os habitantes de todas essas povoações reduzidos á maior consternação e miséria, pelos inormes prejuízos que sofrerão com o total desbarato das suas propriedades, e perdas de todos os objectos de uso domestico.
D. Maria II decretou e Joaquim António de Aguiar, tomou medidas de auxílio que se obterão da generosidade, filantropia e gratidão do Povo Portuguez generosidade de que são credores os habitantes da mencionada Ilha pelos apurados sacrifícios e muitos valiosos serviços, que prestárão em prol da Liberdade e da Independencia Nacional.
Determina, em nome desse auxílio, que em cada capital de distrito administrativo se estabelecesse uma comissão de cinco membros nomeadas pelo Administrador Geral respectivo, de entre cidadãos de mais reconhecida probidade, zelo e filantropia, de onde sairia o presidente e o secretário. O objectivo era angariar fundos para ajudar os açorianos a reconstruir as suas casas, as suas vidas.
A esta onda de solidariedade e auxílio respondeu a cidade de Leiria. Em 12 de Julho, reuniram, no Paço Episcopal, os membros nomeados pelo Administrador Geral, José Crisóstomo Pereira Barbosa, Vigário Capitular e Governador Temporal da Diocese (eleito presidente), José de Faria Gomes e Oliveira, João Pessoa de Amorim, Luís Henriques d’Azevedo e António de Abreu Couceiro (eleito secretário). Estava assim constituída, a Comissão do Distrito de Leiria, que de imediato estabeleceu comissões filiais em todos os concelhos. Nas freguesias era aos párocos que cabia angariar fundos junto dos seus fregueses.
O reino atravessava um período difícil com o amargo sabor de uma guerra civil, que trouxe insegurança política, perseguições, surtos de movimentos de guerrilha, vandalismo, destruição, pobreza e desolação.
O aumento da décima e outros tributos, e também os invernos rigorosos e as consequentes más colheitas, provocaram nas populações, enormes dificuldades de subsistência evidenciando, por isso, a falta de condições para colaborar na acção desenvolvida. Azoia, Carvide, Cortes, Maceira, Monte Real, foram as freguesias de Leiria a manifestarem a sua total impossibilidade.
Outrossim de Monte Redondo informava o pároco, que os seus paroquianos não se sentiam devedores da ilha pela atitude tomada durante a guerra civil: vi má dispozicão nos ânimos dos póvos, que se achavam muito onerados com fintas, e tributos.
De Pedrógão Grande, apesar de todas as diligências da sua comissão filial, não conseguiram obter donativos, nem por altura da colheita da azeitona. Também Chão de Couce informou que os seus habitantes estavam condicionados aos rendimentos das colheitas dos seus frutos. Só um ano mais tarde conseguiu reunir alguns donativos.
Alcobaça, Alvaiázere, Batalha, Caldas, Óbidos, responderam de forma satisfatória. Produtos como milho, trigo, cevada, vinho, favas entre outros, eram donativos, que depois de vendidos, acresciam aos donativos em dinheiro.
Em 10 de Setembro já o presidente da Comissão de Leiria tinha em mãos 144$000 reis, disponíveis para serem entregues ao Administrador do Tabaco em Leiria, o meio de remessa utilizado, para o efeito, a pedido do Marquês do Faial, presidente da Comissão de Lisboa.
Todo este processo se prolongou por largos meses, com algumas insistências das Comissões. Várias quantias foram obtidas durante o ano de 1842 e uma última entrega em Maio de 1943, de São Martinho do Porto.
Não apurámos o montante dos donativos conseguidos no nosso distrito, nem esse era o nosso objectivo. Quisemos sublinhar tão só, que apesar de o oceano de permeio, a solidariedade, o espírito de entreajuda, a cooperação entre leirienses e açorianos, tem sido uma constante, como já ficou demonstrado por diversas vezes, na nossa História.
Fontes: Fundo do Governo Civil de Leiria, incorporado no Arquivo Distrital de Leiria
PT/ADLRA/AC/GCLRA/D/031
Ana Bela da Silva Vinagre

Roberto Ivens para além dos Açores - III

(Cont.) Todavia, este projecto de reconhecimento nasce sob os auspícios da Sociedade de Geografia de Lisboa, fundada pelo escritor, historiador e geógrafo Luciano Baptista Cordeiro de Sousa, a 10 de Novembro de 1875, com um grupo de 74 subscritores que requereu ao rei D. Luís a criação desta Sociedade tendo como missão promover o estudo das ciências geográficas e correlativas no país.
É de salientar, entre os subscritores, alguns nomes que deixaram o seu cunho bem vincado na História de Portugal: António Enes, Eduardo Coelho, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, Sousa Martins, Cândido de Figueiredo, António Lino Netto e Teófilo Braga. Este último, também natural de Ponta Delgada (São Miguel, Açores), foi o segundo Presidente da República Portuguesa.
Entre conferências, prelecções, cursos livres, concursos e congressos científicos promovidos pela Sociedade, esta cria a “Comissão Nacional Portuguesa de Exploração e Civilização da África”, conhecida por “Comissão de África”.
A Sociedade de Geografia de Lisboa nasce com a necessidade de fortalecer os laços e o interesse pelas terras africanas.
Portugal vivia uma época quente, no que concerne à exploração africana, essencialmente na região que foi denominada de “Mapa Cor-de-rosa”.
A preocupação de Portugal em se impor em terras africanas aumenta com a Conferência de Berlim realizada em 1884 e 1885.
Os países europeus começavam a promover, através de sociedades de geografia, uma política de exploração geográfica com especial destaque para territórios africanos.
Países como a Alemanha, a Bélgica, a Espanha, a França e mesmo a Itália, que nunca se interessaram pela exploração africana, começaram a cobiçar aquele Continente quando entenderam a força que poderia dar a riqueza existente no mesmo.
A Sociedade de Geografia em Portugal nasce tarde, a 10 de Novembro de 1875, visto que a maioria das sociedades de geografia europeias tinham nascido no início do século XIX, tendo desde o início, começado por desenvolver trabalhos de exploração, tanto geográfica como científica.
É óbvio que estas explorações começaram a chamar a atenção dos poderes políticos para a mais-valia da possibilidade económica que daquele Continente poderia advir. É com esse objectivo que a Sociedade promove a sua primeira expedição com Serpa Pinto, Hermenegildo Capello e Roberto Ivens, apostando na exploração do rio Cuango, a região das origens dos rios Zambeze e Cunene, assim como a
das bacias hidrográficas do Cuanza e do Cuango.
A famosa viagem “De Benguela às Terras de Iaca” teve início a 7 de Julho de 1877, tendo esta sido o patamar que fez de Roberto Ivens e de Hermenegildo Capello verdadeiros heróis. Após o trajecto Benguela – Bié, divergências entre Serpa Pinto e Hermenegildo Capello fazem com que a expedição seja dividida. Serpa Pinto, por iniciativa própria, entende fazer outro percurso, tendo este sido um fracasso. Contudo, Serpa Pinto chega a Pretória e mais tarde a Durban.
Enquanto isso, Ivens e Capello seguiram o projecto que haviam delineado inicialmente, isto é, não desviar a atenção para as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Entre Benguela e as Terras de Iaca delimitaram os cursos dos rios Cubango, Luando e Tohicapa.
Após missão cumprida, Ivens e Capello são recebidos a 1 de Março de 1880, em Lisboa, como autênticos heróis.
Roberto Ivens recebe a Comenda da Ordem Militar de Santiago e é nomeado, a 19 de Agosto de 1880, vogal da Comissão Central de Geografia. Por Decreto de 19 de Janeiro de 1882, foram-lhe concedidas honras de Oficial às Ordens e a 28 de Julho foi nomeado para proceder à organização da Carta Geográfica de Angola.
Em 19 de Abril de 1883, pelas mãos de Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, Ministro de Marinha e do Ultramar, ambos os exploradores são nomeados vogais da Comissão de Cartografia. (Cont.).
Fotografia - Escola Básica Roberto Ivens, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores
Adélio Amaro

Sarau consagrado a "Os Açores e a Literatura”

Duas das minhas deslocações para fora de Leiria neste Inverno foram motivadas por eventos literários. No fim de Fevereiro foi o excelente encontro de escritores, Correntes d'Escritas, na Póvoa do Varzim, onde sempre brilha a presença orgulhosa e declaradamente açoriana do escritor Onésimo Teotónio de Almeida, ao ponto de sentirmos que é ele o embaixador das Letras açorianas no Continente, como o é na América.
Nas Correntes também constou do programa Ivo Machado, um poeta terceirense com uma voz de veludo escuro e opulento, que lê bem o que escreve, vive no Porto, e não é identificado com a sua ilha, nem o arquipélago. Talvez porque não tenha atravessado o Atlântico para o Oeste, para as Américas, travessia que se assemelha a um segundo baptismo, expondo, por baixo da bata molhada da portugalidade, a roupa azul e branca da açorianidade. A bata seca no outro lado, mas passa a andar mais desabotoada, sem medos de mostrar o que vai por baixo nem de lá pôr nódoas de preconceitos centenários…
Uma amiga fez-me chegar à caixa do correio electrónico um convite para a Semana da Cultura Açoriana no S. Luiz, de 2 a 7 de Março. Para a noite da Literatura, estava também agendado o Onésimo, entre outros intervenientes. Onésimo, cujo nome se compõe de letras incluídas na palavra omnipresente, digo a brincar, pois este autor e amigo é um conferencista muito solicitado e viajado. Apanhei o Expresso para Lisboa e depois o autocarro, para a Baixa. Deliciei-me com a viagem sinuosa e sacudida que a geografia de Lisboa impõe aos passageiros habituados a viajar por linhas rectas e por ruas raramente calcetadas, nas urbes norte-americanas. Fiquei a conhecer o S. Luiz, lugar bastante digno e bonito para o evento.
O serão, subordinado ao tema "Vitorino Nemésio e Depois…", decorreu com grande interesse. Nuno Costa Santos (jornalista, guionista, humorista e escritor), o moderador, começou por apresentar no ecrã uma entrevista dada por Nemésio à RTP. Nela, Nemésio referiu-se a si mesmo como sendo essencialmente "um comunicador".
Fernando Cristóvão, aluno e discípulo de Nemésio, na sua comunicação, fez jus à pluridisciplinaridade da obra do Mestre como a chave para entender o contributo deste para as Letras e até as ciências portuguesas. Nemésio foi não só colaborador em jornais e revistas literárias (Seara Nova, Presença, O Diabo e Diário Popular), como ajudou a fundar e a dirigir outros jornais e revistas (Gente Nova) e, no fim da sua carreira, assumiu a direcção do jornal O Dia. Colaborou na televisão com a reconhecida rubrica Se bem me lembro e foi romancista, cronista, ensaísta, poeta, biógrafo e crítico literário. Finalmente, foi ele o criador do conceito de Açorianidade em 1931, que tanta tinta tem feito escorrer desde então, em particular desde os anos setenta, quando Onésimo, na Universidade Brown nos EUA, retomou o conceito e desbravou caminho sobre a possibilidade de haver, ou não, uma Literatura açoriana.
Onésimo T. Almeida, depois de relaxar a audiência com algumas piadas, como é seu hábito, enveredou pela leitura da sua comunicação que se destacou, para esta ouvinte, por uma visão geral sobre a evolução da vida literária e intercâmbios culturais entre Açores com os países de emigração, sobretudo desde os anos noventa até ao presente.
Os anos noventa e o princípio do milénio, constituíram um período marcado por grande movimentação e criatividade nas Letras açorianas. Seguiu-se uma fase posterior, de abrandamento, que vai até ao presente, marcada também pela perda do suplemento literário açoriano, SAAL, e da editora Salamandra de Lisboa, que publicou mais de cem obras de autores
açorianos. Para citar Onésimo:
"Diríamos que se operou uma institucionalização da cultura açoriana no discurso oficial, na Universidade (foi mesmo criada a cadeira de Literatura Açoriana), a realidade da personalidade cultural insular e a sua expressão literária e artística em geral passaram a quase nem ser contestadas e são regular e sistematicamente afirmadas e defendidas. Mas sente-se - a nível das letras - a falta de algo que permita a continuação do antigo diálogo que se estendia dos Açores a Lisboa, ao Canadá, aos EUA e ao Brasil."
Terminou a sua comunicação enumerando casos de desconhecimento de autores açorianos no continente e cito a frase que melhor me pareceu resumir a situação e que me fez relembrar a de Ivo Machado, que conheci nas Correntes:
"Os Açores tiveram e têm razões de queixa da falta de reconhecimento da sua literatura ao longo de mais de um século. Autor que não resida no Continente, que não se integra adquirindo a cidadania continental, simplesmente não existe."
Foi novidade para nós, a audiência, constatar que os políticos portugueses mais insignes recorreram à ajuda de homens de Letras, como Onésimo, para desenvolverem o debate sobre as regiões insulares com a União Europeia.
Por último, procedeu-se à leitura de poemas em forma de carta retirados da Literatura açoriana, ilustrando a correspondência entre os que emigraram e os que ficaram, na voz treinada do poeta Vasco Pereira da Costa.
Lamento não ter assistido a mais nenhum dos eventos desta Semana, mas fico grata por ter tido oportunidade de lá ter estado para este e espero que se repita.
Ilda Januário, Canadá

Ernesto do Canto em caderno

A Associação de Investigação e Cultura dos Açores/Leiria (AICAL) apresenta o terceiro caderno sobre figuras e lugares dos Açores e do distrito de Leiria, dos 14 já editados.
O número três desta colecção é sobre o açoriano Ernesto do Canto que, em pleno século XIX, conseguiu reunir a maior biblioteca sobre as ilhas açorianas.
Ernesto do Canto foi ainda o fundador do “Archivo dos Açores”, com 12 volumes editados, sendo a maioria da sua responsabilidade. Este ilustre açoriano conviveu com os grandes pensadores portugueses do século XIX.

Manuel Bulcão apresenta livro na casa dos Açores do Norte

Manuela Bulcão, oriunda da cidade da Horta, ilha do Faial, a residir, actualmente no Porto, deu a conhecer, recente, o seu primeiro livro – “A Filha de Ninguém” – com o prefácio do leiriense Adélio Amaro, presidente da Associação de Investigação e Cultura dos Açores/Leiria.
A cerimónia decorreu no Salão Nobre da Casa dos Açores do Norte (Porto) e contou com a presença de imensos açorianos que encheram o referido Salão.
O livro de Manuela Bulcão, editado pela Folheto Edições, foi apresentado por José Rebelo, presidente da Assembleia da Casa dos Açores do Norte e contou ainda, na mesa de honra, com a presença de Ponciano Oliveira, presidente da Casa dos Açores do
Norte e também de Adélio Amaro.
José Rebelo salientou o facto deste livro retractar uma época pouco fácil pela qual a população passou, não só nos Açores, como em Portugal Continental. Sublinhou, ainda, o facto de uma açoriana, residente no Porto, nunca ter esquecido as suas raízes e ter vincado perante a sociedade a sua força de viver.
“A Filha de Ninguém” é um livro que retracta a história da vida de uma mulher oriunda de uma família humilde, que durante o seu crescimento como mulher foi sofrendo com as amarguras da vida.
Adélio Amaro, no prefácio, escreve que “A Filha de Ninguém” é a voz que nunca se calou e nunca tremeu. Lutou e conquistou um espaço, conquistou o direito de viver, o direito de amar e de ser amada. Amor que os seus rebentos lhe transmitem. Porque, por mais pequena que seja a Flor existirá, sempre, a Primavera escondida em qualquer sombra da esperança. Quem ler estas páginas terá de conquistar a certeza de que a filha de ninguém é real ou apenas ficção. A filha de ninguém poderá ter nascido embrulhada em dor mas, conseguiu demonstrar ao Mundo que é Mãe de alguém...”.
Manuela Bulcão, natural da Hor-
ta, como já foi referido, tirou o curso de Óptica e Contactologia, bem como diversas especializações dentro da mesma área, tendo exercido essa actividade até 2008.
Desde cedo demonstrou grande afectividade pela escrita, com destaque para a poesia.
Manuela Bulcão considera-se sonhadora incurável, dizendo que o céu é o seu limite. Também se considera romântica e uma eterna apaixonada pela vida e pelos que a rodeiam. Segundo palavras da autora “nasci para amar tendo como arma a minha escrita”.
“A Filha de Ninguém” é o primeiro livro de Manuela Bulcão e actualmente encontra-se a compilar um livro de poesia.

"O Mago dos Macondes" apresentado na Ordem dos Médicos

O Auditório da sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, foi o local escolhido para a apresentação do livro "O Mago dos Macondes", da autoria do médico Lino da Silva.
Com prefácio de Fernando Magalhães, este livro apresenta um conjunto de contos que são passados ora em Portugal ora em Moçambique. São contos "centrados em temas morais combinando o trágico e o cómico, o possível e o impossível, o porquê da vida o porquê da guerra. Numa palavra. Os grandes dramas humanos", como refere o autor do prefácio.
A apresentação do "Mago dos Macondes", editado pela Folheto Edições, foi da responsabilidade de Júlia Guarda Ribeiro, que descreveu vários momentos apresentados nas estórias do livro, todas elas baseadas em episódios que o autor viveu.
Júlia Guarda Ribeiro salientou que estas estórias são a experiência de uma vida dedicada a causas, onde Portugal e Moçambique são os palcos principais onde Lino da Silva actuou durante a sua vida profissional. Estórias de um médico que, além do seu profissionalismo, sempre salientou o seu lado humano. Segundo Júlia Guarda Ribeiro este é um livro que não se consegue parar de ler assim que se inicia a sua leitura. São estórias ricas de pormenores e descrições de factos e acontecimentos que, embora reais, por vezes nos levam para a imaginação do sonho.
Lino da Silva nasceu em 1930, na Aldeia de S. Francisco de Assis, Covilhã, onde fez a instrução primária. Frequentou o Colégio do Fundão e concluiu o curso do liceu em Lisboa, onde se licenciou em Medicina, profissão que exerceu durante cerca de cinquenta anos, dois dos quais como médico militar durante a guerra colonial.
Muitos anos volvidos, já aposentado, começou a registar acontecimentos e sensações que o haviam impressionado ao longo do seu percurso de vida, na época extremamente rica que foi a sua e, assim, recriando ambientes e cenários. Através da palavra, procurou criar personagens e trazer à vida outras que lhe foram tão próximas e tão caras.
Para Lino da Silva este livro nasce porque com "o fim da actividade profissional deixou-me disponibilidade para fazer outras coisas para as quais não tinha tido tempo: arrumar gavetas, estantes e ideias; ler livros que esperavam há muito nas prateleiras e, também, poder «ter um livro para ler e não fazer», como diz Fernando Pessoa.
Realizei que tinha percorrido quase oito décadas de vida, numa época extremamente rica em acontecimentos no país e à escala mundial, e tomei consciência do meu percurso de vida, extremamente variado desde a infância, na aldeia onde nasci, no exercício da profissão durante quase cinquenta anos", refere o autor.
Na sua nota de introdução do "Mago dos Macondes", a qual intitula de "Porquê, estórias", Lino da Silva realça que hesitou "muito antes de começar a escrever estas estórias avulsas; a colorir paisagens, criar ou recriar ambientes, e personagens que sentem, pensam, dizem e fazem coisas, que têm alegrias e desgostos, que vivem! As «pessoas» que se movem nelas emergiram, portanto, das recordações e do imaginário do autor. Algumas, apanhadas no ambiente da guerra colonial, ficaram lá. Para sempre.".
Adélio Amaro

Castelo de Pombal

Apesar de vestígios arqueológicos no morro do castelo de Pombal indicarem anteriores presenças romana e, também, muçulmana, seria natural que em zona de correias militares predominasse a desertificação populacional. Mesmo assim, nos campos mais férteis ou de estacionamento de tropas, poder-se-ia encontrar gente, embora escassa e muitas vezes moçárabe.
A lenda do castelão Al-Pal-Omar daqui desalojado em surtida templária sob a invocação de S. Miguel, que levaria o santo ao antigo brasão da vila, pode não ter sustentação, mas não deixa reflectir o peso dos templários na região.
O “fossado da Ladeia”, autêntica acção de limpeza militar lançada por D. Afonso Henriques a partir de Coimbra, por Penela, Germanelo, Alvorge e Ansião, pode ter chegado a Pombal na preparação da conquista das terras de Leiria, em 1135.
O certo é que na distribuição das terras vizinhas e outras mercês dadas pelo príncipe num equilíbrio entre senhores da guerra, conventos, bispados e ordens, e face à possibilidade de tardias investidas almoadas, a Redinha (1159) e Pombal (1174) viram-se confirmadas à guarda do mestre templário Gualdim Pais.
Todavia, este já teria construído ou reconstruído o castelo de Pombal em 1161, que acolheu o novo burgo na encosta sul, onde se encontram não só a estrada principal, como as antigas igrejas de St.ª Maria do Castelo e de S. Pedro.
Em 1323, Pombal merecia já pacíficas visitas reais, como entendimento celebrado entre D. Dinis e o filho D. Afonso na Igreja de S. Martinho. Mais tarde, em 1509, D. Manuel visitaria o castelo e a vila, mandado reconstruir a velha torre.
No séc. XVII, com a presença do conde de Castelo Melhor, o castelo foi readaptado a residência, embelezado, recuperando-se elementos arquitectónicos manuelinos, como os de uma janela ainda hoje visíveis.
Depois, cumpriu o desuso e abandono como os outros da região, até aos trabalhos de restauro parcial, em 1940, e aos projectos de reanimação que actualmente se desenham.
Também as surtidas de D. Fuas Roupinho em defesa destas terras, face ao avanço almoada e das quais a tradição lhe daria a alcaidaria da vila, surgem envoltas em mistério, tal como a própria personagem do lendário almirante.
Seria com D. Sancho I, no séc. XII, e com D. Dinis no seguinte, que o castelo foi ganhando condições de residência, mas foi sobretudo o Conde de Ourém, D. Afonso, que tendo recebido a donataria de Porto de Mós, ordenaria obras de fundo adornando o edifício ao jeito palaciano, antecipando um gosto de cortesão e renascentista, como se pode observar na sua elegante silhueta, mas também nos recortes dos janelões ou no capitel revivalista de uma sobrevivente coluna jónica.
Com a marca deste seu patrono bem visível na divisa “Me faut fere” e nas duas gruas num labor nunca devidamente descodificado, tal como na cripta da Sé de Ourém, depois do abandono semelhante aos seus vizinhos, teve recentemente notáveis obras de restauro que o voltam a dignificar.
Acácio Fernando de Sousa
Director do Arquivo Distrital de Leiria

Rua Leonel da Rosa da Silveira, Lagoa

A Câmara Municipal de Lagoa homenageou Leonel da Rosa da Silveira, antigo autarca lagoense, com a atribuição da toponímia "Rua Prof. Leonel da Rosa da Silveira" à antiga Travessa do Espírito Santo, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário.
Numa cerimónia integrada nas celebrações dos 488 anos de elevação da Lagoa a Vila e Sede do Concelho, a atribuição desta toponímia pretendeu ser uma homenagem a Leonel da Rosa da Silveira, individualidade do Concelho de Lagoa de reconhecido mérito, quer a nível profissional, político e social e que residiu nesta mesma rua durante duas décadas.
Segundo João Ponte, Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Leonel da Rosa da Silveira sempre foi um modelo de dedicação à vida pública e à sua comunidade, de reconhecido mérito, que se distinguiu a vários níveis.
Para o autarca lagoense, Leonel da Rosa da Silveira caracteriza-se como sendo uma pessoa dinâmica cujos projectos em que participou ao longo de toda a sua vida, quer política, quer social, "deixaram uma marca clara da sua visão estratégica para a Lagoa e que demonstraram a sua enorme vontade de trabalho pelo bem-estar da população lagoense".
O edil lagoense manifestou ainda o seu agradecimento pela forma altruísta com que Leonel da Rosa da Silveira contribuiu para a afirmação do Poder Local. "Quem serve os cargos públicos deve ter o sentido do dever e dos valores de justiça, liberdade, fraternidade e solidariedade, mas deve igualmente ser reconhecido pelo contributo que deu na formação de uma Lagoa mais próspera e mais desenvolvida".
João Ponte disse ainda que são cidadãos como Leonel da Rosa da Silveira que demonstram que o rico património lagoense e o crescimento do Concelho de Lagoa se deu não só pelo surgimento de novas infra-estruturas, ou de equipamentos, mas também pelo contributo de pessoas que são parte integrante do património humano lagoense.
"A dignidade que hoje damos a esta nova via, atribuindo-lhe o nome deste grande lagoense, é assim um acto de inteira justiça que muito honra o Município de Lagoa", concluiu.
Leonel da Rosa da Silveira nasceu a 3 de Janeiro de 1944. Professor do ensino básico de profissão, foi durante mais de 20 anos Delegado Escolar do Concelho. Foi Presidente da Câmara Municipal de Lagoa de 24/09/1977 até 31/12/1979, tendo também sido membro das Assembleias Municipais de Lagoa de 1983-1985; 1994-1997; 1998-2001; 2002-2005; 2006-2009, cargo que ocupa actualmente na Assembleia Municipal para o mandato de 2009-2013. Foi um dos Irmãos fundadores da Santa Casa da Misericórdia de Santo António de Lagoa - Açores, pertencendo actualmente à Mesa Administrativa daquela Irmandade.
Enquanto Presidente da Câmara Municipal de Lagoa é a ele que se fica a dever a criação da Freguesia do Cabouco, a aquisição do terreno destinado à construção da actual Escola Básica 2,3 Padre João José do Amaral, cujos trabalhos tiveram inicio no seu mandato, a elaboração do projecto de abastecimento de água ao Cabouco, Remédios e Ribeira Chã, a construção do edifício P3 da Escola João Ferreira da Silva, em Água de Pau, o início do saneamento básico da Vila de Lagoa, a aquisição do terreno onde se localiza actualmente a Esquadra da PSP, o alargamento da Rua do Espírito Santo, na freguesia do Rosário, o Loteamento da Av. António Medeiros e Almeida, na freguesia do Rosário, entre muitas outras obras e projectos de grande interesse para o Município.
Leonel da Rosa da Silveira é também o autarca que determinou o dia 11 de Abril, como dia do Feriado Municipal e foi com ele que tiveram lugar as primeiras comemorações dessa data. Também foi o autarca responsável pela geminação entre a Lagoa e Fall River, nos Estados Unidos da América.
Foi membro da Comissão Instaladora
da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, passando mais tarde a integrar a comissão restrita e actualmente pertence à Comissão alargada dessa mesma entidade.
Também é membro da Liga dos Combatentes a nível nacional e é a Leonel da Rosa da Silveira que se fica a dever a atribuição da toponímia "Rua dos Combatentes" à rua onde fica a Campo Municipal João Gualberto Arruda.
Recorde-se que para além da atribuição desta nova toponímia, a Câmara Municipal de Lagoa irá ainda atribuir uma Medalha de Mérito Municipal Cívico a Leonel da Rosa da Silveira em reconhecimento pelo seu trabalho em prol do desenvolvimento do Concelho, numa cerimónia que irá decorrer amanhã, dia 11 de Abril, no Cine-Teatro Lagoense Francisco D'Amaral Almeida, a partir das 20h30, integrado na Sessão Solene alusiva ao 488º aniversário de elevação a Vila e Sede do Concelho, onde serão ainda homenageados com esta medalha Silvério Damião Raposo Leite, Carlos Manuel de Sousa Melo, Eduardo da Ponte Bento Sousa, Jorge Alberto Carvalho França e Manuel Sousa Matos, enquanto Victor Hugo Lecoq de Lacerda Forjaz e António Manuel Frias Martins irão receber a Medalha de Mérito Científico, Maria de Deus de Medeiros Frazão receberá a Medalha de Mérito Social e Alfredo Furtado receberá a Medalha de Mérito Empresarial.
Após a cerimónia de homenagens, actuará o grupo musical "4 Oitavas", acompanhadas no piano por Teresa Gentil e no violino por Lídia Medeiros e que encerrarão esta Sessão Solene.
Município de Lagoa

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Imagem do dia - Leiria

Alunos de Leiria nas ilhas de São Miguel e Santa Maria

A escola EBI de Colmeias participou, pela segunda vez, numa Expedição Cientifica Internacional organizada pelo Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, desta vez à ilha de Santa Maria, do arquipélago dos Açores, e em trabalhos laboratoriais no mesmo Departamento do ensino superior desta Universidade, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Sete alunos do oitavo ano de escolaridade foram acompanhados pela docente de Francês Graça Morgado – coordenadora das Secções Europeias Francófonas nesta escola – e pela docente de Ciências Naturais M. Fátima Lopes – coordenadora da primeira e da segunda edição do Projecto Multidisciplinar no Ensino das Ciências Naturais em Contexto Não Formal, ambos nos Açores.
Partiram para a ilha de Santa Maria, onde durante cinco noites/dias ficaram instalados em tendas de campismo cedidas pela Protecção Civil, no parque de campismo da Praia Formosa. Nos dias em que estiveram em Santa Maria, participaram em diversas actividades de carácter científico, onde aprenderam diferentes metodologias do trabalho de campo e de laboratório em campo em áreas da Biologia, mas também da Geologia, assim como a necessidade da preservação das áreas naturais, tanto por motivos científicos, como pedagógicos. Assistiram a dez conferências científicas dadas pelos cientistas presentes na XIV Expedição Científica do Departamento de Biologia, com os quais trabalhavam durante o dia, e onde eram apresentados os trabalhos de investigação que estes estavam a desenvolver e, ainda, apresentaram a comunicação elaborada pelos próprios sobre o trabalho desenvolvido durante esta Expedição.
A multidisciplinaridade prevista pelo projecto concretizou-se na oportunidade de trabalhar em diferentes áreas do saber científico, mas também pela oportunidade que houve em contactar/ falar/ escutar conferências/ com cientistas em inglês e na língua francesa, sobretudo sob a supervisão da docente de Francês acompanhante do grupo.
Depois, partiram para a ilha de São Miguel, onde ficaram instalados numa camarata do quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, gentilmente cedida pelos mesmos. Nesta ilha visitaram as instalações do pólo universitário de Ponta Delgada, onde no Departamento de Biologia participaram em práticas laboratoriais sofisticadas, como a extracção de ADN, como o isolamento de bactérias, a observação de ultra-estruturas celulares ao microscópio electrónico, sob orientação de docentes universitários, assistiram às provas públicas de defesa da tese de Mestrado de um investigador-bolseiro do Departamento. Visitaram o Centro de Vulcanologia e Sismologia da Universidade e ainda tiveram a oportunidade de visitar paisagens naturais da ilha, com interesse geológico, como crateras e caldeiras vulcânicas, manifestações de vulcanismo secundário, a estação geotérmica que produz a electricidade para as ilhas, tendo oportunidade de também consolidar assim muitos dos conteúdos já abordados na disciplina de Ciências Naturais do 7.º ano de escolaridade, para além de todos os outros que fazem parte do currículo do 8.º ano do ensino básico.
Alguns dias mais tarde, sete alunos do oitavo ano de escolaridade acompanhados por duas docentes da Escola Básica Integrada de Colmeias concluíram a segunda edição do Projecto Multidisciplinar no Ensino das Ciências Naturais em Contexto Não Formal, no arquipélago dos Açores, mais ricos cientifica, social e humanamente. Por intermédio deste projecto didáctico-pedagógico inovador no ensino-aprendizagem das ciências naturais, e também da língua estrangeira, ilustraram-se e consolidaram-se conteúdos de uma forma absolutamente lúdica, motivante e envolvente. Foram explorados horizontes, foram vocações despertadas, foram desenhados e coloridos momentos que nunca mais serão esquecidos. O ensino-aprendizagem ficou mais rico. Os que participaram também.
Os nossos agradecimentos ao Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, na pessoa do seu Director, o Professor Doutor João Tavares; ao Meritíssimo Reitor desta Universidade; a todos os docentes-investigadores com quem tivemos a oportunidade de aprender; aos motoristas da Universidade que nos transportaram quando dos trabalhos científicos e nos mostraram os lugares mais belos e turísticos das ilhas visitadas; à Associação de Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, na pessoa do Professor Doutor Vasco Garcia (Reitor aposentado da Universidade dos Açores), por todo o acolhimento que nos dispensaram.
Também agradecemos aos nossos patrocinadores a Caixa de Crédito Agrícola de Colmeias; a Farmácia de Colmeias; a Farmácia da Memória; a empresa de transportes Transmemória; o Café e restaurante Tipcool, em Colmeias; a Auto-Garagem de Coimbra (concessionário Ford em Coimbra); ao Exploratório Infante D.Henrique – Centro de Ciência Viva de Coimbra, que permitiram que o projecto pudesse ser concretizado com menos custos para os pais dos alunos e para as duas docentes nele envolvidos.
Agradecemos ainda ao Laboratório de Ciências Experimentais da Escola BI de Colmeias nas pessoas dos docentes dos subdepartamentos de Ciências Físico-Naturais, que colaboraram na dinamização de actividades que permitiram angariar algum dinheiro para subsidiar este projecto do Plano Anual de Actividades; a todos os docentes, funcionários administrativos, funcionários auxiliares de acção educativa, ao Conselho Pedagógico, ao Conselho Executivo, por toda a colaboração prestada nas mais diversas solicitações.
Por último agradecemos aos encarregados de educação que acreditaram e apoiaram das formas mais diversas esta iniciativa desde o primeiro momento em que dela lhes foi dado conhecimento.
Fizeram parte deste projecto os alunos e as docentes: Ana Carina Abreu; Beatriz Rodrigues; Bruno Góis; Inês Henriques; João Saraiva; Maria Alexandra Nogueira; Sara Sousa; Graça Morgado e Maria de Fátima Lopes.
Maria de Fátima Rosa Lopes
Docente de Ciências Naturais e Coordenadora do Projecto