segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fernando de Lara Reis

Fernando de Lara Reis nasceu em Leiria a 28 de Dezembro de 1892. Era filho de Francisco António dos Reis (natural de Viseu) e de Maria del Carmen Rosália Clara Eusébia de Lara Reis (natural de Cádis, Espanha). Neto paterno de Agostinho António dos Reis e de Rita Albertina dos Prazeres Reis e neto materno de Manuel Sanchez de Lara e de Maria Manuela Santos Mena.
Lara Reis frequentou o Liceu de Leiria e completou os seus estudos no Colégio Militar e Escola de Guerra, ingressando em Infantaria, vindo a reformou-se muito cedo como Capitão por ter sofrido uma acidente de aviação na sua última prova como aviador militar, em França, durante a 1.ª Grande Guerra.
Seguindo a carreira do magistério foi nomeado professor efectivo do Liceu de Macau, função que exerceu até à sua morte. No antigo território português, Lara Reis fundou o Rotary Club de Macau e foi presidente da Agência de Macau dos Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918. Ali criou um Ossário como monumento para os combatentes da referida guerra.
O Capitão Fernando de Lara Reis legou a sua casa “Sol Poente” à Santa Casa da Misericórdia para nela ser instalada uma clínica. Mais tarde, o Rotary Club de Macau mandou colocar uma placa em português e chinês com o seguinte: “Pavilhão Lara Reis – clínica anticancerosa (Lara Reis – Lara Reis Cancer Clinic)”.
Também legou à Biblioteca de Leiria a sua biblioteca particular assim como imensa documentação e a sua colecção de moedas de ouro, prata e cobre ao Museu Municipal…
Fernando de Lara Reis foi um grande apaixonado por viagens. Durante a sua vida escreveu as suas impressões que foi colhendo viagem após viagem, com destaque para o Extremo Oriente, tendo conhecido todos os Continentes. O fruto dos seus apontamentos resultou em 26 volumes manuscritos que intitulou de “Diário de Viagens”. Deixou ainda dois volumes manuscritos com o título “A minha vida” sobre a sua experiência profissional e sobre a vida social de Macau da primeira metade do século XX.
Este ilustre leiriense foi grande colaborador da imprensa, com imensos artigos publicados em jornais e revistas.
Sobre a vida de Fernando Lara Reis o jornalista e escritor Orlando Cardoso escreveu “Macau e o Oriente na Vida de Lara Reis” e também Acácio de Sousa, director do Arquivo Distrital de Leiria, tem-lhe dedicado alguns dos seus estudos.
O Capitão Fernando de Lara Reis faleceu em Macau no dia 14 de Janeiro de 1950, com 57 anos.
Adélio Amaro

AICAL no Correio dos Açores


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lusofonia dos Açores até Macau

Foi criada em 28 de Outubro de 2010 e oficialmente constituída em 6 de Dezembro do mesmo ano a Associação [Internacional] dos Colóquios da Lusofonia contanto com 46 sócios fundadores.
Os seus princípios, objetivos e regulamentos estão disponíveis nas nossas páginas o que nos leva a solicitar a sua adesão aos Colóquios da Lusofonia para partilhar esta nossa vontade de defender a língua de todos nós. Só com um elevado número de associados seremos capazes de prosseguir a luta encetada pelos Colóquios da Lusofonia em 2002. O próximo colóquio, XV, terá lugar em Macau de 11 a 15 de abril 2011.
XV Colóquio MACAU 2011: http://www.lusofonias.net/encontros%202011Macau/index.htm

Exposição "Negativo Positivo" no Mimo em Leiria

A Fundação EDP apresenta no m|i|mo, Leiria, uma parte da sua colecção de arte.
As obras de pintura, escultura, desenho, gravura ou fotografia escolhidas para a primeira fase desta colaboração exploram valências anteriores à experiência fotográfica, como os jogos de luz e sombra e as soluções de moldagem, mas usam também nos seus processo criativos os saberes aprendidos nas práticas da revelação fotográfica, da reprodução mecânica das formas e da fixação fílmica do movimento.
Artistas: Ana Hatherly | Ana Vieira | Ângela Ferreira | Catarina Botelho | Daniel Barroca | Eduardo Gageiro | Fernanda Fragateiro | Fernando Calhau | Inês Botelho | Jorge Feijão | José Pedro Croft | Julião Sarmento | Leonor Antunes | Lourdes Castro | Rui Sanches | Vítor Pomar | Xana

“Chá Solidário”

No próximo sábado, dia 15, a partir das 16h00, o Clube Literário do Porto vai realizar um “Chá Solidário”, uma iniciativa conjunta com a Confraria Atlântica do Chá e que vai contar com a colaboração do colectivo Portugal Poético e do coro Mi Allegro.
Tal como o nome indica trata-se de uma iniciativa de solidariedade a qual vai reverter a favor da Casa Jovem da freguesia da Vitória.
Considerem-se desde já convidados a vir tomar um chá e comer uma fatia de bolo e, assim, ajudarem esta instituição que acolhe 27 crianças do 1.º Ciclo do Ensino Básico.

Companhia de Dança de Leiria

Dia 15 de Janeiro, pelas 21h30, o Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, recebe a "Companhia de Dança".
“Não me amas, meu amor?” de Clara Leão
No universo de Pablo Neruda o amor surge como um lugar próximo, palpável, real, com a força irreprimível dos afectos em desordem. É um solilóquio a um tempo esperançado, desesperado, triste e terno, uma clarificação da alma que se descobre, despudorada. Um tudo ou nada, uma vertigem, uma felicidade, um abismo.
“A sesta de um Fauno” de André de Campos
“A sesta de um Fauno” nasceu da vontade de homenagear a lenda da dança Vaslav Nijinksy. Esta peça é uma recriação, que procura experimentar um pouco o mundo que se torna tão obscuro como clarificante num conjunto de aspectos que tocam a dança em si, a interpretação, e a própria viagem no tempo.

Cartoons de Luís Cardoso em exposição na Lagoa

O Edifício dos Paços do Concelho de Lagoa acolhe no próximo sábado, 15 de Janeiro, a partir das 17h00, uma exposição de 45 cartoons de Luís Cardoso.
Intitulada “Muuugidos” esta será a terceira exposição deste conhecido cartoonista que desde 2007 tem sido presença assídua no semanário “.Expresso das Nove”.
Nascido em 1979, em Algueirão, Mem-Martins, no distrito de Lisboa, Luís Manuel Pereira Cardoso desde tenra idade sentiu necessidade de contar histórias através do desenho e de tudo o que seja relacionado com Banda Desenhada.
Em 1999 ingressa no ensino superior, no curso de Professores do Ensino Básico, variante de Educação Visual e Tecnológica, na Escola Superior de Educação de Coimbra, onde encontra o caminho e instrumentos para perseguir aquilo que viria a sentir ser a sua vocação; ensinar.
Depois de leccionar em várias escolas do país, onde sempre trouxe a Arte às suas salas de aula e às mesas dos seus alunos, desenvolve a sua prática pedagógica na ilha de S. Miguel pela primeira vez em 2007. A par desta actividade, concretiza um sonho de infância e torna-se cartoonista do jornal semanário “Expresso das Nove”, trabalho que tem vindo a desenvolver desde então.
No ano de 2009 expôs pela primeira vez, na Galeria Paraíso, na cidade da Ribeira Grande, sendo que a sua segunda exposição “A Preto e Branco”, é realizada em tinta-da-china e tratamento de imagem digital, fazendo a retrospectiva e a selecção de algum do seu melhor trabalho como cartoonista.
De referir que o seu cartoon semanal é um reflexo daquilo que Luís Cardoso vê à sua volta, as ironias que o Mundo lhe mostra, e das quais nos temos que esforçar para rir, numa ilha que o acolheu e que cada vez mais sente ser sua também.
CM Lagoa

Os Açores e a República Portuguesa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Acácio de Paiva

Acácio Sampaio de Telles e Paiva nasceu em Leiria, no Largo da Sé, n.º 7, a 14 de Abril de 1863. Era filho de José de Paiva Cardoso (natural de Alva) e de Leopoldina Amélia Carolina Telles (natural de Lisboa).
Iniciou os seus estudos secundários no Liceu de Leiria e concluiu-os em Coimbra. Licenciou-se em Farmácia na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 1887.
Já em Lisboa, depois de Porto e Coimbra, fez os preparatórios de Medicina tendo que abandonar porque, em 1888, ingressou no quadro do funcionalismo da Alfândega, como 3.º Aspirante, sendo, em 1892, Chefe de Despacho na Vieira. Já em 1902 foi promovido a 2.º Aspirante e veio a ocupar o lugar de Chefe de Serviços, em 1917.
Reconhecido como grande poeta, prosador, crítico e jornalista, colaborou com diversos jornais e revistas.
Começou por escrever para o jornal “Actividades”, do Porto, passando, mais tarde, a colaborar em diversas publicações com destaque para “Almanaque de Lembranças Luso Brasileiro”, “O Século” (neste jornal chegou a dirigir o Suplemento Humorístico), “O Mundo”, “Diário de Notícias”, “O Mensageiro”, “Ilustração Portuguesa”, entre muitas outras.
Em todas estas publicações Acácio Sampaio de Telles e Paiva publicou centenas de poesias, muitas delas com o pseudónimo de “Belmiro”.
Segundo alguns autores, a obra literária de Acácio de Paiva está ao nível de João de Deus e Rodrigues Lobo, como mencionou Agostinho Gomes Tinoco, a páginas 460, do seu “Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria”, editado em 1979:
“Foi um improvisador e repentista notável e «o maior dos ironistas do seu tempo». A série de crónicas em versos publicada no Diário de Notícias, e depois em O Século, à qual dera o título de «Fita da Semana», é, no dizer da crítica, a sua melhor obra”.
Como homem ligado ao mundo da Literatura, com enorme realce para a sua intensa actividade poética, já referida, Acácio de Paiva produziu diversas peças de Teatro, algumas delas feitas em colaboração com outros grandes nomes da sua época, na sua maioria de índole alegre e ligeira, tendo traduzido várias obras do mesmo género, do francês, italiano e espanhol.
Justificando o seu amor pelo Teatro está o facto de ter sido sócio fundador da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.
Do seu punho foram inúmeros os poemas, os versos, as críticas, e os texto em prosa e de Teatro que deu ao mundo e muitos outros que ficaram inéditos.
Em 1988, a Câmara Municipal de Leiria, com a coordenação de Manuel Matias Crespo, publicou um justa homenagem a este ilustre Leiriense, através do livro “Versos de Acácio de Paiva – Insigne Poeta Leiriense”.
Acácio Sampaio de Telles e Paiva faleceu com 81 anos de idade, na sua Casa das Conchas, no Olival, concelho de Ourém, a 29 de Novembro de 1944.
Adélio Amaro

Agenda de Angra do Heroísmo



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Programação de Janeiro da Biblioteca Municipal da Marinha Grande

A Biblioteca Municipal da Marinha Grande, situada no Jardim Stephens, apresenta actividades para os públicos de todas as idades, que se realizam durante o mês de Janeiro. As propostas são diversas, como Hora do Conto, exibição de filmes infantis, exposição do mês, entre outras.
O objectivo destas iniciativas é aproximar o público deste local de cultura e fomentar o gosto pela leitura.
As actividades são as seguintes:

Contamos... CONTIGO! (Hora do Conto)
De 2ª a 6ª feira | 10h00 e 14h30
Público-alvo: Grupos de crianças dos 4 aos 10 anos.
Livro em destaque: “O sapo no Inverno”, de Max Velthuijs, Editorial Caminho.
“É Inverno e o Sapo está gelado. Não tem penas nem pêlo como as suas amigas Pata e Lebre. Quando cai na neve, são os amigos que cuidam dele durante os longos meses de Inverno. A pouco e pouco o Sapo descobre que o Inverno é suportável, especialmente quando sabemos que a Primavera não vem longe.”
A hora do conto é uma actividade destinada à divulgação do livro e da leitura, realizada de acordo com a disponibilidade da biblioteca e sujeita a marcação prévia.

DIVULGANDO…
De 10 a 31 de Janeiro | Átrio da Biblioteca
Como forma de assinalar a passagem de mais um ano sobre os acontecimentos do 18 de Janeiro de 1934, está patente no átrio da Biblioteca Municipal uma exposição de fotografias antigas, acompanhada de uma mostra bibliográfica de autores do concelho.

“O 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande”
Dia 18 de Janeiro | 14h30 (Sala Multimédia)
Visualização do DVD com a reconstituição teatral dos acontecimentos do 18 de Janeiro de 1934, feita na Marinha Grande em 1998, sob a direcção e encenação de Norberto Barroca e que contou com numerosos actores e figurantes anónimos.

PROJECTO “LIVROS EM MOVIMENTO”
Durante o mês de Janeiro as funcionárias da Biblioteca Municipal irão proceder à rotação dos livros que se encontram nas 13 escolas do 1º ciclo, que aderiram ao projecto. São livros em movimento, que circulam por mais de 700 crianças, facilitando o acesso à leitura por parte dos professores e alunos. A leitura ao alcance das crianças.

PROJECTO “PEGUE e LEVE …”
Sacos temáticos com livros para leitura personalizada.
Os temas irão variar mensalmente e a selecção dos livros será feita pelos técnicos da Biblioteca. Em Janeiro o tema é o INVERNO e são disponibilizados para leitura domiciliária dois tipos de sacos: um para idades entre os 3 e os 6 anos e o outro para leitores dos 7 aos 10.
Destinatários: crianças dos 3 aos 10 anos.

PROJECTO “Pack FAMÍLIA”
Conjunto pré seleccionado de livros para empréstimo, direccionado à leitura de todos os membros da família, constituído por livros e publicações periódicas (revistas ou jornais). A iniciativa destina-se a famílias.
CM Marinha Grande

Concurso premeia presépios na Lagoa

Já se conhecem os vencedores do Concurso de Presépios, promovido pela Câmara Municipal de Lagoa pela 20ª Edição e que decorreu no passado mês de Dezembro.
No total, concorreram 40 presépios, distribuídos por quatro diferentes categorias, numa iniciativa que pretendeu afirmar a forte tradição dos presépios na Lagoa, valorizando, deste modo, o trabalho feito por artesãos lagoenses, particulares, alunos das escolas do Concelho, crianças que frequentam a catequese e os Ateliers de Tempos Livres da Lagoa, bem como por utentes e funcionários de algumas instituições sociais e culturais da Lagoa.
Assim sendo, na 1.ª Categoria, que engloba presépios elaborados por Jardins-de-infância, ATL’s e Classes de Catequese, classificaram-se na vertente de presépio tradicional a Escola EB/JI dos Remédios em 1º lugar, ficando a Escola EB/JI Prof. Octávio Gomes Filipe e o Lar Feminino do Centro Social de N. Sra. do Rosário em 2.º e 3.º, respectivamente. No que se refere ao presépio original desta categoria, a Escola Padre João José do Amaral foi a grande vencedora, com o Grupo dos Escuteiros nº96 do Rosário a classificar-se em segundo lugar, e em terceiro a Ludoteca Jovem + do Centro Social e Cultural do Cabouco.
Relativamente à 2.ª Categoria - Presépio Tradicional, o vencedor foi Emanuel Oliveira Maré, enquanto José Duarte Costa Morais ficou na segunda posição, e no 3º Lugar Luis Arruda.
Já no que diz respeito à 3ª Categoria - Presépio Original, Isabel Calisto foi a grande vencedora, enquanto que o Centro de Convívio do Centro Social e Cultural do Cabouco e Andreia Almeida ficaram na 2.ª e 3.ª posição, respectivamente.
Na 4.ª Categoria, respeitante ao Presépio Movimentado o primeiro prémio foi para Norberto Gaspar.
Realça-se que, o 20.º Concurso de Presépios contou com a participação de diversas escolas e entidades como a Escola EB/JI dos Remédios, o Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Santo António de Lagoa, o ATL da Santa Casa da Misericórdia de Santo António, o Lar Feminino do Centro Social de Nossa Senhora do Rosário, a Escola EB/JI Marquês de Jácome Correia, o Centro Sócio-Cultural de São Pedro, a Escola EB/JI Prof. Octávio Gomes Filipe, a Escola EB/JI Tavares Canário, a Escola Secundária de Lagoa, o ATL do CEFAL, o CATL – Lagoa, a Escola Padre João José do Amaral, o grupo de Escuteiros nº 98 – Rosário, o Centro Social e Cultural do Cabouco, o Centro Social e Cultural da Atalhada, a Creche e Jardim de Infância “O Ninho”, o CDIJ Trevo da Casa do Povo de Água de Pau, o Grupo de Reflexão de Jovens e o Grupo de Catequese da Ribeira Chã e a Escola EB/JI Prof. João Ferreira da Silva, em Água de Pau.
Este concurso de presépios contou ainda com a participação de diversos particulares, que não quiseram deixar de partilhar com a comunidade o seu gosto por esta tradição, como Luís Arruda, Norberto Gaspar, Érico Almeida, Andrea Almeida, Emanuel Maré, José Duarte da Costa Morais, Gervásio Pacheco, Isabel Calisto, Jorge Manuel Andrade e Mário Pereira.
CM Lagoa

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

D. Pedro Vieira da Silva

D. Pedro Vieira da Silva nasceu em Leiria a 15 de Setembro de 1598. Filho de Gaspar Rebelo da Guerra Dias Preto (juiz dos Órfãos) e de D. Clemência Vieira da Silva, terá feito os seus primeiros estudos na cidade do Lis. Depois, cursou no Colégio de S. Paulo e posteriormente tirou o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra onde leccionou como professor substituto.
Foi Magistrado e Desembargador no Porto, cidade onde veio a casar com Leonor de Noronha de quem teve sete filhos, dos quais se ordenaram quatro. Desempenhou, também, as funções de Juiz dos Feitos da Coroa e foi membro do Conselho da Fazenda.
Por questões não bem específicas, foi enviado para Castelo Branco, segundo se julga, por ter incorrido no desagrado das Cortes, como refere Agostinho Gomes Tinoco, a páginas 614, na primeira edição do “Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria”.
Depois de Castelo Branco passou para Madrid onde advogou. Mais tarde, por determinação de Filipe III, foi para o Algarve com a missão de tentar impedir uma revolta contra o domínio castelhano.
Com a independência de Portugal, 1640, foi nomeado Secretário de Estado. Em 1660 foi afastado do cargo, pensa-se que por questões políticas, sendo deportado para Évora e mais tarde para Ourém.
Após enviuvar e refeita a paz no país assim como as relações com a Santa Sé, D. Pedro Vieira da Silva, foi ordenado presbítero e apresentado para a Mitra leiriense a 28 de Setembro de 1668 e confirmado pelo Papa a 11 de Maio de 1670, tomando posse a 22 de Abril de 1671, já com 73 anos de idade.
D. Pedro Vieira da Silva foi responsável pela construção do Convento dos Capuchos, ainda como Secretário de Estado, e fundador do Seminário Diocesano, já nas funções de Bispo da Diocese de Leiria. Em 19 de Outubro de 1673 autorizou os Agostinhos descalços a fundarem um convento na ermida do Bom Jesus na vila de Porto de Mós que lhes tinha sido doada pela Misericórdia daquela vila.
Deixou imensos manuscritos, alguns deles verdadeiros testemunhos da vida conturbada que se vivia em Portugal em pleno século XVII.
D. Pedro Vieira da Silva faleceu, na cidade de Leiria, a 12 de Setembro de 1676 e foi sepultado no convento de Santo António dos Capuchos. Em 1864 os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério da Sé de Leiria e já em pleno século XX, 1907, os seus restos mortais foram colocados no interior da Sé.
Adélio Amaro

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Exposição "Roteiros da inquietação no feminino" de Adália Alberto

Nesta mostra, uma vez mais, mulheres-coragem erguem-se do maciço, onde sempre habitaram, apenas despidas dos excessos de pedra que as ocultavam.
Nesta exposição, Adália Alberto mostra ser um exemplo de renovação, interrogação e partida permanente. Do descritivo, partiu para a descoberta de simbolismos maiores, onde, com humor provocatório, a mulher sai por cima do trato vulgar e se converte em deusa superior, desafiadora de todos os tabus.
Com entrada livre a exposição pode ser observada todos os dias das 17h30 às 24 horas no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Entrevista a Vítor Norte

Além da figura conhecida, quem é o Vítor Norte?
O Vítor Norte é um cidadão português, tem como profissão actor, que adora representar, seja em teatro, televisão ou em cinema.

Recentemente participou na telenovela “Deixa que te leve”. Foi positiva a sua participação?
Sim. Foi uma boa novela. Passei bons momentos e dei muitas risadas. Foi um bom produto que teve excelentes audiências.

Ganhou três globos de Ouro. Que significado teve para si?
É sempre gratificante para um actor ter o reconhecimento do público… e, claro que fiquei muito feliz pela distinção. Curioso é que sempre que recebi o Globo de Ouro, fiquei vários meses desempregado, por isso, espero não receber mais nenhum (risos).

O actor João Lagarto considera-o como melhor actor da sua geração?
O senhor João Lagarto que é um espectacular actor, por vezes é muito exagerado. Fico contente que tenha uma opinião boa a meu respeito, mas acho que é muito exagerada.
Estou a ser absolutamente sincero.

Considera-se um actor versátil?
Ser actor, já significa ser versátil. Um actor tem que ter a capacidade de saber encarnar a personagem, seja de que género for. É uma pergunta que me fazem sempre, mas esta é a minha opinião, um actor que é actor, tem que ser versátil

Teatro, Televisão ou cinema?
Não escondo a preferência pelo cinema. É algo que me dá imenso prazer fazer. Contudo, Teatro e Televisão também gosto de fazer e é algo que faço com gosto. Felizmente tenho feito bons trabalhos.

Herói ou vilão?
Os dois. São duas personagens que não são fáceis de fazer, mas pessoalmente gosto de fazer as duas.

O Vítor Norte e o João Lagarto encontram-se a percorrer o país com o espectáculo “Recital”. Fale-nos um pouco sobre a peça?
O nosso espectáculo não é bem teatro, mas também não é um recital de poesia. É uma mesa, duas cadeiras, garrafas de água e folhas impressas.
O João Lagarto e o Vítor Norte recitam e conversam, durante uma hora bastante animada, com muita comédia à mistura, onde, penso, que é muito interessante de ver (risos).

É difícil fazer comédia?
Sim. Há pessoas que nascem com esse dom e outras que não. Fazer rir é algo que é extremamente difícil.

Teatro, Cinema, Novela ou Revista. Qual deles é o mais complicado para um actor?
Na minha opinião é a Revista. Não é fácil em segundos estares a encarnar um personagem, e de repente passas logo para outra. É muito complicado e valorizo muito quem trabalha na área da Revista

Que recordações guarda da Rua Sésamo?
A Rua Sésamo foi um programa que marcou gerações. Estou muito grato por ter feito parte desse projecto, que foi um ícone nos programas infantis. Ainda mantenho contactos com os actores que fizeram parte do elenco, porque realmente foi um excelente programa para os mais novos.
É pena que hoje não existam mais programas desse género.

O que falta fazer na sua carreira como actor?
Falta contracenar com vários actores excepcionais que há em Portugal. Acho que, ainda, tenho muita a coisa a explorar…
Cid Ramos

Livro "Ancorar o Amor" de Joaquim Santos

O livro "Ancorar o Amor" de Joaquim Santos foi apresentado na Biblioteca José Saramago, no Instituto Politécnico de Leiria (IPL), com edição da editora Folheto Edições.
"O conteúdo desta publicação é uma viagem profunda aos vários tipos de Amor que o ser humano pode experimentar. Toca fundo nas sensibilidades de cada um, numa perspectiva de afectos, de introspecção, de análise individual e colectiva sobre um dos mais valiosos sentimentos que o homem vivencia. O Joaquim Santos promove o realismo mas também o sonho, numa utopia possível de concretizar. Com a sua análise ao Amor, o autor remete-nos para os tempos ancestrais, onde a vivência tradicional, os valores aliados aos costumes, a educação ao respeito, é uma viagem perfeita para esta sintonia maravilhosa do verbo Amar. E amamos tantas pessoas, tantas coisas. É isso mesmo que Joaquim Santos nos mostra, demonstrando... No final deste livro, o autor presenteia os leitores com um conto de Amor, entre dois seres que despidos de interesses secundários, norteiam a sua vida por esse sentimento que os unirá de forma marcante e absolutamente deslumbrante" - Cláudio Ribeiro

Livro "Mulheres da Marinha Grande" de Júlia Guarda Ribeiro

A Biblioteca Municipal da Marinha Grande e posteriormente o Salão Nobre da Freguesia de Vieira de Leiria receberam a apresentação da 2.ª edição do livro "Mulheres ada Marinha Grande - história de luta e de coragem", da autoria de Júlia Guarda Ribeiro, com edição do MDM e colaboração da editora Folheto.
Em 8 de Março de 2008, o MDM fazia sair a 1ª edição de “Mulheres da Marinha Grande – histórias de luta e de coragem”. O livro em breve esgotou. Era evidente que várias outras histórias de tantas outras mulheres anónimas, heroínas desconhecidas, quase sempre na sombra dos maridos ou dos pais, ficaram por contar. Decidiu então o MDM fazer uma 2ª edição do livro. E porque não acrescentar-lhe mais algumas histórias? Houve, pois, que proceder à recolha e registo de mais alguns relatos de vida, ouvindo quem os viveu e sofreu. Aqui está o livro, agora com 15 histórias: doridas, pungentes. Ao longo da recolha, tornou-se claro que o trabalho ia ficando cada vez mais difícil: primeiro, é a idade que cada vez pesa mais e impõe as suas leis; segundo, é a doença que sobrevém e impõe os seus limites; e, por último, é a memória que falha.
Só nos resta reconhecer o óbvio: tal como acontece com as as folhas de Outono que o vento para sempre levou, uma vez perdidas estas memórias, não há recuperação possível.
Por isso, esperamos que as histórias aqui narradas, sejam representativas das que se não contaram e possam ser lições de vida para todos nós, que ainda estamos presentes e, principalmente, para os vindouros.

Livro “Guiné: Até Amanhã se Deus Quiser” de Vítor Nogueira

Foi apresentado, pela editora Folheto Edições com a colaboração do Instituto Português da Juventude, o livro “Guiné: Até Amanhã se Deus Quiser”, de Vítor Nogueira, com prefácio do Padre Vítor Melícias.
A sessão teve lugar na Delegação de Leiria do Instituto Português da Juventude, no dia 27 de Novembro e contou com a apresentação do Dr. João Abrunhosa.
Sobre este livro, que, no fundo, é o diário de um missionário, durante a sua missão na Guiné, o Padre Vítor Melícias diz o seguinte:
“Conheci o Vítor Nogueira, vai bem para vinte anos, de hábito franciscano e em radiosa juventude no Convento do Varatojo. Hoje reconheço-o sem o hábito mas com o mesmo entusiasmo sonhador de alma radicalmente franciscana.
Sempre envolvido e empenhado nas mais nobres causas. Sempre do lado dos pobres. Por eles continua pugnando, aqui pela mão da escrita e da confidência, para que a pobreza e a exclusão não sejam uma fatalidade inelutável nem um estigma sem remédio.
Aqui o temos, pois, persistente, determinado e solidário, em defesa dos direitos dos pobres, que é disso que efectivamente aqui se trata.
Em verdadeira ode em favor do pobre, nas variadas formas de pobreza material ou moral, esta obrazinha, misto de literatura de viagens e de diário ou livro de memórias, esta peregrinação pela vida e sentimentos do autor, lê-se e segue-se como se ouve contar uma história simultaneamente longa e curta, leve e profunda, banal e excelsa. Aqui há de tudo: excitam-se emoções, partilham-se sentimentos e convicções, mas, sobretudo, desperta-se solidariedade.
Aliás, esse é o fito último, motivador e confesso, com que Vítor Nogueira se deu à tarefa de ordenar memórias e ir escrevendo este testemunho – mensagem, que pôs em forma de livro. Um livro concebido e feito a pensar nos pobres, nos marginalizados, nos deserdados deste mundo.
Com a candura de quem se solidariza por instinto e por acto natural, este português com alma de missionário proporciona-nos uns deliciosos momentos de, chamemos-lhes, “leitura espiritual”, verdadeiro convite, igualmente natural e espontâneo, àquilo que S. Francisco de Assis, também ele soberanamente encantado pela pobreza e pela defesa dos pobres, proclamava como “é no dar que se recebe, no amar que se é amado”.
Seguramente que, em Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão e em contexto de compromisso, recentemente reassumido pelas Nações Unidas, de erradicação da pobreza extrema como um dos principais Objectivos do Milénio, iniciativas como a que tenho a alegria de aqui apresentar merecem um especial apoio, apreço e aplauso de quantos partilham estes mesmos ideais e objectivos.
Pela minha parte, apreciando, louvando e agradecendo, é com a maior simpatia que, muito para além da amizade que me liga ao seu autor, apresento e recomendo a leitura e a iniciativa que lhe está subjacente.”

Livro “Outras histórias do Oeste” de Cidália Rodrigues

No passado dia 8 de Dezembro, quarta-feira, pelas 18h00, na Cantina Escolar Olímpia Tomé Feteira, teve lugar a apresentação do mais recente livro de Cidália Rodrigues: “Outras histórias do Oeste”.
Esta autora já havia publicado um outro livro intitulado “Guia - Uma História, Uma Identidade”, em 2006.
“Outras histórias do Oeste” foi apresentado ao público pelo seu editor, editora “Folheto – Edições e Design”. A sessão foi moderada por Adélio Amaro, da referida editora, e a apresentação foi da responsabilidade do Dr. José Grilo Gonçalves e contou com a presança do Vereador Fernando Parreira, em representação do Município de Pombal e do presidente da Junta de Freguesia da Guia, Manuel Anónio Rodrigues dos Santos,
Este livro faz um retrato ficcional da vida quotidiana das pessoas ao longo de 110 anos de história, desde o início do século XX. No fundo, este livro fala da “evolução” do Homem, da intersecção de todas as funções e profissões na sociedade “porque ninguém vive sem a sinergia do trabalho de todos”.
Tal como confidencia no seu livro, este desafio foi colocado à autora pelo Dr. José Grilo aquando das suas férias pela freguesia da Guia: “escrever um livro de histórias que relembrasse as pessoas que deram o seu melhor pelo desenvolvimento da aldeia da Guia”.
Após essa conversa, Cidália Rodrigues não teve como recusar esse desafio e, sem receios, pôs mãos à obra.
JF Guia

Cancioneiro da Região de Leiria

Depois de preservadas e agora publicadas as recolhas efectuadas por António Oleiro e Manuel Artur Santos, entende a Direcção do Rancho da Região de Leiria, estar assim cumprida mais uma etapa do seu percurso folclórico.
Este espólio da cultura popular da região de Leiria na vertente lúdica do povo de então, que agora vem a público em formato de livro, só foi possível com o esforço da Direcção e da abnegada e altruísta colaboração da Fundação da Caixa Agrícola de Leiria, à qual se agradece na pessoa do seu Presidente Mário Matias, bem como à Folheto Edições & Design, que empregou todo o seu saber e reconhecido profissionalismo.
Aqui irão ficar preservadas 342 modas recolhidas em 1960 nos concelhos que à data constituíam a Comissão Regional de Turismo de Leiria, presidida por Ruy Acácio. A saber: Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal, Porto de Mós e Vila Nova de Ourém. Também aqui cabe uma palavra de gratidão pelo empenho e persistência que ao longo de vários anos o Maestro Vicente Narciso com o seu abalizado saber, colocou ao serviço deste fenómeno que é o folclore.
Foram calcorreados lugares e lugarejos, carreiros e veredas, vales e montes, praias e serranias. Ouviu-se a musicalidade dos riachos e a suavidade dos salões nobres. Bailou-se nas eiras e no pinhal d’El Rei, no adro da Igreja ou nos caminhos das romarias…
Nada é inédito do que aqui fica divulgado. Tal como nos ensinou Manuel Artur Santos, a partilha e dádiva, para além da entrega que ao longo dos anos tem sido feita a muitos Ranchos, é sinónimo “do dever cumprido” e da entrega a todos quanto procuraram junto deste conceituado folclorista.
Do etno-musicólogo António Oleiro a presente obra fala por si… porém, havia que “vestir” as modas recolhidas nos mais recônditos lugares visitados.
Manuel Artur Santos homem humilde, ético e de sensibilidade de fino recorte, trouxe na bagagem das recolhas os usos e costumes das gentes dos finais do séc. XIX e primeiros anos do séc. XX na região de Leiria, e que descreveu nos Anais do Município de Leiria, da autoria de João Cabral do seguinte modo:
“As mulheres usavam chapelinho de veludo preto com penas coloridas, lenço na cabeça, blusas de cores variadas, sendo algumas arrendadas, saias de várias cores e qualidades, desde a estamenha, armur, riscadilho e tecidos de lã, que lhes davam um aspecto harmonioso e garrido.
Algumas, em substituição das meias, usavam canos de lã grossa, e calçado de atanado ou tamancos, conforme os costumes das terras que representavam.
Atendendo a antigas tradições, as mulheres tinham ainda como ornamento, aventais bordados com rendas e entremeios, saca de mão de harmoniosos retalhos, por vezes bordados, algibeiras de cintura muito vistosas, outras usavam xaile ou capoteiras nos ombros e, ainda saia de cobrir ou seja, saia de costas.
Quanto aos homens, usavam barrete preto com borla da mesma cor ou chapéu na cabeça, camisa de linho ou riscado com entremeios ou peitilho, colete, jaleca e calça justa à boca-de-sino, de surro beco preto ou castanho, cinta de cetim ou de lã preta, botas de atanado ou atacador e ainda de tamancos conforme o extracto social que representavam.
Os homens, por vezes faziam-se acompanhar de alforge, cajado, cabaça, guarda-chuva, e no caso da noiva, um lenço bordado com o monograma do noivo e oferecido a este, e ainda várias alfaias agrícolas, etc.”
Ao ser publicado este Cancioneiro da Região de Leiria, terá quer ser chamado para a galeria dos notáveis que tornaram possível a recolha, preservação e divulgação deste património imaterial que serve o folclore da região de Leiria e não só, o folclorista Manuel Artur Santos, que há cinquenta anos se entregou desinteressadamente à causa da cultura popular portuguesa – o Folclore.
A Direcção do Rancho da Região de Leiria ao devolver ao povo este legado único que homenageia os nossos antepassados desta vasta região, sente concluir assim uma missão que sempre norteou este Rancho, ou seja, a abertura a todos quantos o desejem, contribuindo para a divulgação do conhecimento e engrandecimento da história do povo da região de Leiria.
A Direcção do Rancho da Região de Leiria