quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

D. Pedro Vieira da Silva

D. Pedro Vieira da Silva nasceu em Leiria a 15 de Setembro de 1598. Filho de Gaspar Rebelo da Guerra Dias Preto (juiz dos Órfãos) e de D. Clemência Vieira da Silva, terá feito os seus primeiros estudos na cidade do Lis. Depois, cursou no Colégio de S. Paulo e posteriormente tirou o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra onde leccionou como professor substituto.
Foi Magistrado e Desembargador no Porto, cidade onde veio a casar com Leonor de Noronha de quem teve sete filhos, dos quais se ordenaram quatro. Desempenhou, também, as funções de Juiz dos Feitos da Coroa e foi membro do Conselho da Fazenda.
Por questões não bem específicas, foi enviado para Castelo Branco, segundo se julga, por ter incorrido no desagrado das Cortes, como refere Agostinho Gomes Tinoco, a páginas 614, na primeira edição do “Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria”.
Depois de Castelo Branco passou para Madrid onde advogou. Mais tarde, por determinação de Filipe III, foi para o Algarve com a missão de tentar impedir uma revolta contra o domínio castelhano.
Com a independência de Portugal, 1640, foi nomeado Secretário de Estado. Em 1660 foi afastado do cargo, pensa-se que por questões políticas, sendo deportado para Évora e mais tarde para Ourém.
Após enviuvar e refeita a paz no país assim como as relações com a Santa Sé, D. Pedro Vieira da Silva, foi ordenado presbítero e apresentado para a Mitra leiriense a 28 de Setembro de 1668 e confirmado pelo Papa a 11 de Maio de 1670, tomando posse a 22 de Abril de 1671, já com 73 anos de idade.
D. Pedro Vieira da Silva foi responsável pela construção do Convento dos Capuchos, ainda como Secretário de Estado, e fundador do Seminário Diocesano, já nas funções de Bispo da Diocese de Leiria. Em 19 de Outubro de 1673 autorizou os Agostinhos descalços a fundarem um convento na ermida do Bom Jesus na vila de Porto de Mós que lhes tinha sido doada pela Misericórdia daquela vila.
Deixou imensos manuscritos, alguns deles verdadeiros testemunhos da vida conturbada que se vivia em Portugal em pleno século XVII.
D. Pedro Vieira da Silva faleceu, na cidade de Leiria, a 12 de Setembro de 1676 e foi sepultado no convento de Santo António dos Capuchos. Em 1864 os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério da Sé de Leiria e já em pleno século XX, 1907, os seus restos mortais foram colocados no interior da Sé.
Adélio Amaro

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Exposição "Roteiros da inquietação no feminino" de Adália Alberto

Nesta mostra, uma vez mais, mulheres-coragem erguem-se do maciço, onde sempre habitaram, apenas despidas dos excessos de pedra que as ocultavam.
Nesta exposição, Adália Alberto mostra ser um exemplo de renovação, interrogação e partida permanente. Do descritivo, partiu para a descoberta de simbolismos maiores, onde, com humor provocatório, a mulher sai por cima do trato vulgar e se converte em deusa superior, desafiadora de todos os tabus.
Com entrada livre a exposição pode ser observada todos os dias das 17h30 às 24 horas no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Entrevista a Vítor Norte

Além da figura conhecida, quem é o Vítor Norte?
O Vítor Norte é um cidadão português, tem como profissão actor, que adora representar, seja em teatro, televisão ou em cinema.

Recentemente participou na telenovela “Deixa que te leve”. Foi positiva a sua participação?
Sim. Foi uma boa novela. Passei bons momentos e dei muitas risadas. Foi um bom produto que teve excelentes audiências.

Ganhou três globos de Ouro. Que significado teve para si?
É sempre gratificante para um actor ter o reconhecimento do público… e, claro que fiquei muito feliz pela distinção. Curioso é que sempre que recebi o Globo de Ouro, fiquei vários meses desempregado, por isso, espero não receber mais nenhum (risos).

O actor João Lagarto considera-o como melhor actor da sua geração?
O senhor João Lagarto que é um espectacular actor, por vezes é muito exagerado. Fico contente que tenha uma opinião boa a meu respeito, mas acho que é muito exagerada.
Estou a ser absolutamente sincero.

Considera-se um actor versátil?
Ser actor, já significa ser versátil. Um actor tem que ter a capacidade de saber encarnar a personagem, seja de que género for. É uma pergunta que me fazem sempre, mas esta é a minha opinião, um actor que é actor, tem que ser versátil

Teatro, Televisão ou cinema?
Não escondo a preferência pelo cinema. É algo que me dá imenso prazer fazer. Contudo, Teatro e Televisão também gosto de fazer e é algo que faço com gosto. Felizmente tenho feito bons trabalhos.

Herói ou vilão?
Os dois. São duas personagens que não são fáceis de fazer, mas pessoalmente gosto de fazer as duas.

O Vítor Norte e o João Lagarto encontram-se a percorrer o país com o espectáculo “Recital”. Fale-nos um pouco sobre a peça?
O nosso espectáculo não é bem teatro, mas também não é um recital de poesia. É uma mesa, duas cadeiras, garrafas de água e folhas impressas.
O João Lagarto e o Vítor Norte recitam e conversam, durante uma hora bastante animada, com muita comédia à mistura, onde, penso, que é muito interessante de ver (risos).

É difícil fazer comédia?
Sim. Há pessoas que nascem com esse dom e outras que não. Fazer rir é algo que é extremamente difícil.

Teatro, Cinema, Novela ou Revista. Qual deles é o mais complicado para um actor?
Na minha opinião é a Revista. Não é fácil em segundos estares a encarnar um personagem, e de repente passas logo para outra. É muito complicado e valorizo muito quem trabalha na área da Revista

Que recordações guarda da Rua Sésamo?
A Rua Sésamo foi um programa que marcou gerações. Estou muito grato por ter feito parte desse projecto, que foi um ícone nos programas infantis. Ainda mantenho contactos com os actores que fizeram parte do elenco, porque realmente foi um excelente programa para os mais novos.
É pena que hoje não existam mais programas desse género.

O que falta fazer na sua carreira como actor?
Falta contracenar com vários actores excepcionais que há em Portugal. Acho que, ainda, tenho muita a coisa a explorar…
Cid Ramos

Livro "Ancorar o Amor" de Joaquim Santos

O livro "Ancorar o Amor" de Joaquim Santos foi apresentado na Biblioteca José Saramago, no Instituto Politécnico de Leiria (IPL), com edição da editora Folheto Edições.
"O conteúdo desta publicação é uma viagem profunda aos vários tipos de Amor que o ser humano pode experimentar. Toca fundo nas sensibilidades de cada um, numa perspectiva de afectos, de introspecção, de análise individual e colectiva sobre um dos mais valiosos sentimentos que o homem vivencia. O Joaquim Santos promove o realismo mas também o sonho, numa utopia possível de concretizar. Com a sua análise ao Amor, o autor remete-nos para os tempos ancestrais, onde a vivência tradicional, os valores aliados aos costumes, a educação ao respeito, é uma viagem perfeita para esta sintonia maravilhosa do verbo Amar. E amamos tantas pessoas, tantas coisas. É isso mesmo que Joaquim Santos nos mostra, demonstrando... No final deste livro, o autor presenteia os leitores com um conto de Amor, entre dois seres que despidos de interesses secundários, norteiam a sua vida por esse sentimento que os unirá de forma marcante e absolutamente deslumbrante" - Cláudio Ribeiro

Livro "Mulheres da Marinha Grande" de Júlia Guarda Ribeiro

A Biblioteca Municipal da Marinha Grande e posteriormente o Salão Nobre da Freguesia de Vieira de Leiria receberam a apresentação da 2.ª edição do livro "Mulheres ada Marinha Grande - história de luta e de coragem", da autoria de Júlia Guarda Ribeiro, com edição do MDM e colaboração da editora Folheto.
Em 8 de Março de 2008, o MDM fazia sair a 1ª edição de “Mulheres da Marinha Grande – histórias de luta e de coragem”. O livro em breve esgotou. Era evidente que várias outras histórias de tantas outras mulheres anónimas, heroínas desconhecidas, quase sempre na sombra dos maridos ou dos pais, ficaram por contar. Decidiu então o MDM fazer uma 2ª edição do livro. E porque não acrescentar-lhe mais algumas histórias? Houve, pois, que proceder à recolha e registo de mais alguns relatos de vida, ouvindo quem os viveu e sofreu. Aqui está o livro, agora com 15 histórias: doridas, pungentes. Ao longo da recolha, tornou-se claro que o trabalho ia ficando cada vez mais difícil: primeiro, é a idade que cada vez pesa mais e impõe as suas leis; segundo, é a doença que sobrevém e impõe os seus limites; e, por último, é a memória que falha.
Só nos resta reconhecer o óbvio: tal como acontece com as as folhas de Outono que o vento para sempre levou, uma vez perdidas estas memórias, não há recuperação possível.
Por isso, esperamos que as histórias aqui narradas, sejam representativas das que se não contaram e possam ser lições de vida para todos nós, que ainda estamos presentes e, principalmente, para os vindouros.

Livro “Guiné: Até Amanhã se Deus Quiser” de Vítor Nogueira

Foi apresentado, pela editora Folheto Edições com a colaboração do Instituto Português da Juventude, o livro “Guiné: Até Amanhã se Deus Quiser”, de Vítor Nogueira, com prefácio do Padre Vítor Melícias.
A sessão teve lugar na Delegação de Leiria do Instituto Português da Juventude, no dia 27 de Novembro e contou com a apresentação do Dr. João Abrunhosa.
Sobre este livro, que, no fundo, é o diário de um missionário, durante a sua missão na Guiné, o Padre Vítor Melícias diz o seguinte:
“Conheci o Vítor Nogueira, vai bem para vinte anos, de hábito franciscano e em radiosa juventude no Convento do Varatojo. Hoje reconheço-o sem o hábito mas com o mesmo entusiasmo sonhador de alma radicalmente franciscana.
Sempre envolvido e empenhado nas mais nobres causas. Sempre do lado dos pobres. Por eles continua pugnando, aqui pela mão da escrita e da confidência, para que a pobreza e a exclusão não sejam uma fatalidade inelutável nem um estigma sem remédio.
Aqui o temos, pois, persistente, determinado e solidário, em defesa dos direitos dos pobres, que é disso que efectivamente aqui se trata.
Em verdadeira ode em favor do pobre, nas variadas formas de pobreza material ou moral, esta obrazinha, misto de literatura de viagens e de diário ou livro de memórias, esta peregrinação pela vida e sentimentos do autor, lê-se e segue-se como se ouve contar uma história simultaneamente longa e curta, leve e profunda, banal e excelsa. Aqui há de tudo: excitam-se emoções, partilham-se sentimentos e convicções, mas, sobretudo, desperta-se solidariedade.
Aliás, esse é o fito último, motivador e confesso, com que Vítor Nogueira se deu à tarefa de ordenar memórias e ir escrevendo este testemunho – mensagem, que pôs em forma de livro. Um livro concebido e feito a pensar nos pobres, nos marginalizados, nos deserdados deste mundo.
Com a candura de quem se solidariza por instinto e por acto natural, este português com alma de missionário proporciona-nos uns deliciosos momentos de, chamemos-lhes, “leitura espiritual”, verdadeiro convite, igualmente natural e espontâneo, àquilo que S. Francisco de Assis, também ele soberanamente encantado pela pobreza e pela defesa dos pobres, proclamava como “é no dar que se recebe, no amar que se é amado”.
Seguramente que, em Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão e em contexto de compromisso, recentemente reassumido pelas Nações Unidas, de erradicação da pobreza extrema como um dos principais Objectivos do Milénio, iniciativas como a que tenho a alegria de aqui apresentar merecem um especial apoio, apreço e aplauso de quantos partilham estes mesmos ideais e objectivos.
Pela minha parte, apreciando, louvando e agradecendo, é com a maior simpatia que, muito para além da amizade que me liga ao seu autor, apresento e recomendo a leitura e a iniciativa que lhe está subjacente.”

Livro “Outras histórias do Oeste” de Cidália Rodrigues

No passado dia 8 de Dezembro, quarta-feira, pelas 18h00, na Cantina Escolar Olímpia Tomé Feteira, teve lugar a apresentação do mais recente livro de Cidália Rodrigues: “Outras histórias do Oeste”.
Esta autora já havia publicado um outro livro intitulado “Guia - Uma História, Uma Identidade”, em 2006.
“Outras histórias do Oeste” foi apresentado ao público pelo seu editor, editora “Folheto – Edições e Design”. A sessão foi moderada por Adélio Amaro, da referida editora, e a apresentação foi da responsabilidade do Dr. José Grilo Gonçalves e contou com a presança do Vereador Fernando Parreira, em representação do Município de Pombal e do presidente da Junta de Freguesia da Guia, Manuel Anónio Rodrigues dos Santos,
Este livro faz um retrato ficcional da vida quotidiana das pessoas ao longo de 110 anos de história, desde o início do século XX. No fundo, este livro fala da “evolução” do Homem, da intersecção de todas as funções e profissões na sociedade “porque ninguém vive sem a sinergia do trabalho de todos”.
Tal como confidencia no seu livro, este desafio foi colocado à autora pelo Dr. José Grilo aquando das suas férias pela freguesia da Guia: “escrever um livro de histórias que relembrasse as pessoas que deram o seu melhor pelo desenvolvimento da aldeia da Guia”.
Após essa conversa, Cidália Rodrigues não teve como recusar esse desafio e, sem receios, pôs mãos à obra.
JF Guia

Cancioneiro da Região de Leiria

Depois de preservadas e agora publicadas as recolhas efectuadas por António Oleiro e Manuel Artur Santos, entende a Direcção do Rancho da Região de Leiria, estar assim cumprida mais uma etapa do seu percurso folclórico.
Este espólio da cultura popular da região de Leiria na vertente lúdica do povo de então, que agora vem a público em formato de livro, só foi possível com o esforço da Direcção e da abnegada e altruísta colaboração da Fundação da Caixa Agrícola de Leiria, à qual se agradece na pessoa do seu Presidente Mário Matias, bem como à Folheto Edições & Design, que empregou todo o seu saber e reconhecido profissionalismo.
Aqui irão ficar preservadas 342 modas recolhidas em 1960 nos concelhos que à data constituíam a Comissão Regional de Turismo de Leiria, presidida por Ruy Acácio. A saber: Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal, Porto de Mós e Vila Nova de Ourém. Também aqui cabe uma palavra de gratidão pelo empenho e persistência que ao longo de vários anos o Maestro Vicente Narciso com o seu abalizado saber, colocou ao serviço deste fenómeno que é o folclore.
Foram calcorreados lugares e lugarejos, carreiros e veredas, vales e montes, praias e serranias. Ouviu-se a musicalidade dos riachos e a suavidade dos salões nobres. Bailou-se nas eiras e no pinhal d’El Rei, no adro da Igreja ou nos caminhos das romarias…
Nada é inédito do que aqui fica divulgado. Tal como nos ensinou Manuel Artur Santos, a partilha e dádiva, para além da entrega que ao longo dos anos tem sido feita a muitos Ranchos, é sinónimo “do dever cumprido” e da entrega a todos quanto procuraram junto deste conceituado folclorista.
Do etno-musicólogo António Oleiro a presente obra fala por si… porém, havia que “vestir” as modas recolhidas nos mais recônditos lugares visitados.
Manuel Artur Santos homem humilde, ético e de sensibilidade de fino recorte, trouxe na bagagem das recolhas os usos e costumes das gentes dos finais do séc. XIX e primeiros anos do séc. XX na região de Leiria, e que descreveu nos Anais do Município de Leiria, da autoria de João Cabral do seguinte modo:
“As mulheres usavam chapelinho de veludo preto com penas coloridas, lenço na cabeça, blusas de cores variadas, sendo algumas arrendadas, saias de várias cores e qualidades, desde a estamenha, armur, riscadilho e tecidos de lã, que lhes davam um aspecto harmonioso e garrido.
Algumas, em substituição das meias, usavam canos de lã grossa, e calçado de atanado ou tamancos, conforme os costumes das terras que representavam.
Atendendo a antigas tradições, as mulheres tinham ainda como ornamento, aventais bordados com rendas e entremeios, saca de mão de harmoniosos retalhos, por vezes bordados, algibeiras de cintura muito vistosas, outras usavam xaile ou capoteiras nos ombros e, ainda saia de cobrir ou seja, saia de costas.
Quanto aos homens, usavam barrete preto com borla da mesma cor ou chapéu na cabeça, camisa de linho ou riscado com entremeios ou peitilho, colete, jaleca e calça justa à boca-de-sino, de surro beco preto ou castanho, cinta de cetim ou de lã preta, botas de atanado ou atacador e ainda de tamancos conforme o extracto social que representavam.
Os homens, por vezes faziam-se acompanhar de alforge, cajado, cabaça, guarda-chuva, e no caso da noiva, um lenço bordado com o monograma do noivo e oferecido a este, e ainda várias alfaias agrícolas, etc.”
Ao ser publicado este Cancioneiro da Região de Leiria, terá quer ser chamado para a galeria dos notáveis que tornaram possível a recolha, preservação e divulgação deste património imaterial que serve o folclore da região de Leiria e não só, o folclorista Manuel Artur Santos, que há cinquenta anos se entregou desinteressadamente à causa da cultura popular portuguesa – o Folclore.
A Direcção do Rancho da Região de Leiria ao devolver ao povo este legado único que homenageia os nossos antepassados desta vasta região, sente concluir assim uma missão que sempre norteou este Rancho, ou seja, a abertura a todos quantos o desejem, contribuindo para a divulgação do conhecimento e engrandecimento da história do povo da região de Leiria.
A Direcção do Rancho da Região de Leiria

III Antologia de Poetas Lusófonos em Pombal

Cerca de duas centenas de pessoas, vindas de várias localidades de Norte a Sul do país e Espanha, assistiram ao lançamento da III Antologia de Poetas Lusófonos, da responsabilidade da editora Folheto Edições, que teve lugar no excelente Auditório da Biblioteca Municipal de Pombal (Portugal).
Este livro, com a participação de 98 poetas oriundos de 11 países, foi apresentado por Adélio Amaro, coordenador editorial, e Arménio Vasconcelos, presidente da Academia de Letras e Artes Lusófonas. A mesa foi presidida por Narciso Mota, presidente da Câmara Municipal de Pombal e contou ainda com a moderação do jornalista Nuno Jesus.
Durante a sessão foram lidos alguns poemas pelas vozes de Soares Duarte, José Vaz, Prates Miguel, Péqui Fernandes, Alfredo Gregório e Libânia Madureira.
A iniciativa terminou com um Porto de Honra e uma curta actuação do Grupo de Tunos de Leiria.
As próximas apresentações da III Antologia de Poetas Lusófonos terão lugar no Porto, Lisboa, Alcanena e Silves. Existem as possibilidades de apresentações noutros lugares, com destaque para os Açores, Suíça e França.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Lajes do Pico: ECO Freguesia

Decorreu no passado dia 1 de Dezembro, na Junta de Freguesia de São Caetano, uma cerimónia de entrega do galardão das freguesias vencedoras da Ilha do Pico do Concurso de Limpeza pública “ECO Freguesia: freguesia limpa”.
A iniciativa "ECO Freguesias: freguesia limpa", uma organização do Governo Regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, decorreu de 14 de Janeiro a 30 de Setembro de 2010, e teve como principais objectivos reconhecer e distinguir os esforços que as autarquias galardoadas, em colaboração com as populações, desenvolveram nas áreas de limpeza, remoção e destino final dos resíduos no espaço público da sua freguesia.
Nesta primeira edição do "ECO Freguesias: freguesia limpa" estiveram inscritas 108 freguesias dos vários concelhos de todas as ilhas do arquipélago, tendo sido galardoadas 71 autarquias de todas as ilhas açorianas, à excepção da Graciosa.
Na Ilha do Pico foram 10 as freguesias premiadas, sendo 4 do concelho das Lajes do Pico (São João, Lajes, Piedade, Ribeirinha). A entrega dos galardões, constituído por uma bandeira e certificado de participação, foi efectuada pelo Director do Parque Natural de Ilha do Pico, Dr. Fernando Oliveira, em representação da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, tendo afirmando que face aos bons resultados alcançados este ano, em 2011 irá decorrer uma nova edição do “ECO Freguesia: freguesia limpa”.
Neste âmbito, o Município das Lajes do Pico que acolheu esta iniciativa com grande satisfação, prestando apoio às Juntas de Freguesia, congratula as freguesias galardoadas do concelho das Lajes do Pico, pela adesão, empenho no desenvolvimento de acções de sensibilização e de remoção de resíduos.
CM Lajes do Pico

Associações da Horta com sede nova

Três novas associações do concelho da Horta receberam, do Presidente da Câmara Municipal, as chaves dos novos gabinetes, onde passará a funcionar a sua sede social.
Os gabinetes estão integrados no Centro Associativo Manuel de Arriaga, o primeiro núcleo do género nos Açores e um dos poucos modelos a funcionar em todo o país. Na cerimónia realizada na sala de reuniões do Centro Associativo compareceram 10 associações que procederam, igualmente, à formalização do seu processo de integração naquele espaço.
O Centro Associativo possui 14 espaços, estando 10 já ocupados por associações culturais, desportivas e filantrópicas do concelho da Horta, dois em processo de regularização do processo e outros dois em fase de análise de candidaturas de integração apresentadas.
Segundo o Presidente da Câmara Municipal da Horta, esteve na base da criação do Centro Associativo Manuel de Arriaga, o objectivo não só complementar o sistema de apoios ao movimento associativo já existente, ao nível de sedes sociais, mas também con-tribuir para uma maior interligação entre os vários movimentos existentes, que passam a poder trocar experiências, rentabilizar recursos ou promover projectos em conjunto.
O Centro Associativo Manuel de Arriaga será gerido pela empresa municipal Hortaludus, vocacionada para o efeito, sendo parte integrante de um edifício outrora pertencente à rede escolar do primeiro ciclo do concelho da Horta, que albergará, no próximo ano, também, a delegação do Faial da Rádio e Televisão dos Açores.
CM Horta

Livro "José Vieira Alvernaz, Patriarca das Índias, arcebispo de Goa e Damão" de Maria Guiomar Lima

No âmbito do seu projecto editorial, o Instituto Açoriano de Cultura acaba de publicar a obra José Vieira Alvernaz, Patriarca das Índias, arcebispo de Goa e Damão, da autoria de Maria Guiomar Lima, que foi apresentada na sua galeria, pelo Prof. Nuno Vassallo e Silva.
Figura destacada da Igreja Católica, D. José Vieira Alvernaz (5-2-1898/13-3-1986) nasceu na ilha do Pico, estudou no liceu de Angra e no Seminário Episcopal, formou-se na Universidade Gregoriana em Roma e no Instituto de Ciências Sociais de Bergamo. Foi fundador do Colégio Sena Freitas em Ponta Delgada, pároco em Santa Luzia e na Praia da Vitória, professor e mais tarde reitor do seminário. Dirigiu o boletim da diocese, colaborou assiduamente nos jornais A União e A Pátria, sendo uma figura de destaque na vida social angrense nos anos 1930/40. Nomeado bispo de Cochim em 1941 e mais tarde arcebispo de Goa e Damão, Patriarca das Índias, Primaz do Oriente, foi o último prelado português a ocupar estes cargos. Estava em Pangim quando a União Indiana anexou os territórios de Goa, Damão e Diu em Dezembro de 1961, tendo desempenhado um importante papel junto do general Vassalo e Silva no sentido da rendição das tropas portuguesas. Manteve-se na sua diocese até Setembro de 1962 mas, para facilitar a nomeação de um bispo goês, deixou Pangim. Voltou aos Açores no início do ano seguinte e viveu em Santa Luzia de uma forma modesta, retirada mas muito próxima da população. Manteve os seus títulos de arcebispo e Patriarca das Índias até à assinatura do Tratado de 31 de Dezembro de 1974 entre Portugal e a União Indiana.
Maria Guiomar Lima nasceu na ilha do Pico, viveu na Terceira entre 1959 e 1972, estudou no Liceu de Angra do Heroísmo. Conheceu e privou com o arcebispo Alvernaz durante largos anos. Mais tarde licenciou-se em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa iniciou um mestrado em Comunicação Social da Universidade Nova, foi jornalista durante três décadas, tendo trabalhado no Jornal Novo, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, semanário O Independente e outros. A investigação destinada à publicação desta obra decorreu entre 2005 e 2009 sob a orientação do Prof. Artur Teodoro de Matos da Universidade Católica. Incluiu pesquisa nos arquivos nacionais, na Biblioteca Nacional em Lisboa, na Biblioteca de Angra, no arquivo da Cúria Diocesana e mais tarde no Pontifício Colégio Português em Roma. Foram entrevistados sacerdotes açorianos, antigos alunos de Alvernaz ou seus amigos, o professor Adriano Moreira que era ministro do Ultramar na altura da anexação de Goa, a Dr.ª Raquel Soeiro de Brito que conheceu o arcebispo em Pangim. Como bolseira da Fundação Oriente esteve em Cochim e em Goa em 2009, tendo consultado os arquivos das duas dioceses, conversado com sacerdotes goeses e com o bispo resignatário D. Raúl Nicolau Gonsalves, o que permitiu a recolha de importante material sobre a vida do último prelado português que foi arcebispo de Goa, Patriarca das Índias, Primaz do Oriente.
Nuno Vassallo e Silva, director adjunto do Museu Calouste Gulbenkian, é licenciado em História (variante História de Arte) pela Faculdade de Lisboa e doutorado em História de Arte pela Universidade de Coimbra. Comissariou diversas exposições, em Portugal e no estrangeiro, de que se destacam Exotica. Os Descobrimentos Portugueses e as Câmaras de Maravilhas do Renascimento (Lisboa e Viena, 2000 e 2001), Goa e o Grão Mongol (2004), Cartier 1899-1949, A Jornada de um Estilo. Foi membro do comissariado científico da exposição "Encompassing the Globe: Portugal and the World in the 16th and 17th Centuries" (Washington e Bruxelas, 2007, e Lisboa, 2009). É autor de numerosa obra, destacando-se Joalharia Portuguesa (Lisboa, 1995), A Colecção de Ourivesaria do Museu Alberto Sampaio, com Maria Manuela Alcântara Santos (Guimarães, 1998), As Colecções de D. João IV no Paço da Ribeira (Lisboa, 2003) e A Ourivesaria entre Portugal e a Índia: Século XVI ao século XVIII (Lisboa, 2009), para além de dezenas de artigos. É neto do general Vassalo e Silva.
IAC

Livro "Açores Europa", selecção de Onésimo Teotónio Almeida

Foi apresentado ao público a mais recente obra do Instituto Açoriano de Cultura intitulada Açores, Europa – uma antologia, com selecção, organização e introdução de Onésimo Teotónio Almeida, numa iniciativa da Presidência do Governo Regional dos Açores, que teve lugar no Palácio dos Capitães Generais.
A cerimónia, na qual esteve presente o Professor Doutor Onésimo Teotónio Almeida, foi presidida pelo Presidente do Governo Regional dos Açores.
“Historicamente, e até há pouco, os Açores eram uma pirâmide com a base voltada para as Américas e o vértice para Portugal. Não propriamente para a Europa, se bem que a bússola cultural da nossa classe média, média-alta e alta tenha sido precisamente a europeia, em regra na sua vertente francesa. Nisso não somos originais, seguimos o modelo predominante português, se bem que nos Açores tenha havido sempre, sobretudo em S. Miguel, uns quantos anglófilos. Assim, uma antologia de textos a ver com a Europa terá de juntar os escritos que refiram o interesse dessas figuras por países específicos da Europa – livros de viagens, cartas, artigos de jornal.
Antero, mais do que ninguém, pensa Portugal (e os Açores como adjacência) - a Ibéria aliás - como um bloco que perdeu o comboio da modernidade (ele não usou o termo, mas esse é o termo hoje corrente) e que, segundo ele, temos que recuperar. Mas ele é apenas um dos antologiados. Uma busca pela bibliografia açoriana acaba por produzir um elucidativo conjunto de textos de autores açorianos em diálogo com as ideias europeias. O volume deixar-nos-á assim com uma imagem dos Açores afinal não tão distantes da Europa pois os açorianos por ela viajaram com relativa assiduidade e as ideias europeias viajaram também sempre até aos nossos mares.”
Esta obra resulta de uma parceria entre o Governo dos Açores, através do Secretário Regional da Presidência, e o Instituto Açoriano de Cultura surge no âmbito da efeméride que este ano distingue os Açores como Região Europeia 2010.
IAC

Casa Açorpescas vence concurso de montras

Já são conhecidos os vencedores do 9.º Concurso de Montras da Lagoa. O júri do concurso deliberou atribuir por unanimidade o primeiro lugar à montra da Casa AçorPescas, que aliou na perfeição o mar ao tema do Natal, sendo por isso declarada a melhor entre as montras a concurso.
Este ano foram 15 as montras a concurso, um acréscimo em relação ao concurso do ano passado que contou com 12 participantes, sendo que este ano o segundo lugar foi para o a montra da Manufactura Auto Central, enquanto que o terceiro lugar foi para a montra do Stand de Peças Walter Medeiros, S. A.
As diversas montras foram avaliadas tendo em conta a originalidade e criatividade das mesmas, a Harmonia e Estética do Conjunto, a Iluminação e as Cores, Formas e Materiais utilizados e a criação de ambientes.
O concurso de montras que a autarquia lagoense tem promovido ao longo dos últimos nove anos tem como objectivo principal envolver o maior número de participantes, desde estabelecimentos comerciais ligados ao mobiliário, ao sector automóvel, vestiário, restauração e serviços do Concelho de Lagoa, independentemente da dimensão da montra ou do ramo da actividade, promovendo, deste modo, o carácter festivo próprio da quadra natalícia no concelho.
CM Lagoa

Associação Musical da Lagoa realizou audição de Natal

Como já vem sendo tradição, a Academia da Associação Musical da Lagoa juntou todos os seus alunos para uma audição de Natal, num evento que decorreu ontem num Cine Teatro Lagoense completamente lotado e que teve como objectivo a divulgação, a todos os presentes, do trabalho desenvolvido ao longo do ano por esta academia musical com estes alunos nas diferentes classes leccionadas por esta academia.
Piano, trompete, percussão, guitarras e baixo foram algumas das classes que juntaram os cerca de 50 alunos da Associação Musical da Lagoa, individualmente ou em grupo, que tiveram assim uma oportunidade de mostrar ao público o seu talento musical com diversas interpretações musicais.
A tarde de domingo esteve carregada de espírito natalício através de alguns temas que foram interpretados, quer na classe de canto, quer ao piano ou à guitarra, sendo que no final desta audição, não faltou a peça de teatro musical “Natal dos Brinquedos” que juntou em palco as diversas classes de conjunto de canto desta academia.
Fundada em 30 de Novembro de 2007, a Associação Musical de Lagoa tem desenvolvido ao longo destes dois anos uma actividade de natureza cultural de grande interesse que se tem pautado por uma grande aposta na juventude, o que veio permitir a formação na área musical a muitas crianças e jovens do Concelho que de outra forma estariam impossibilitados de ter, em virtude das limitações sociais e económicas de alguns agregados.
Esta associação musical tem a seu cargo uma Orquestra Ligeira composta por 17 músicos, com a regência de Aquiles Preto, e uma Academia Musical que conta com 50 crianças que frequentam os diferentes cursos disponibilizados, nomeadamente de saxofone, trompete, violão e coro.
CM Lagoa

Exposição “Paisagens” mostra natureza lagoense

A fauna e a flora do Concelho de Lagoa está em exposição até ao próximo dia 13 de Janeiro no CEFAL (Centro de Educação e Formação Ambiental de Lagoa).
Composta por 27 registos fotográficos, a exposição “Paisagens” mostra um olhar atento e exclusivo das mais bonitas paisagens lagoenses, captadas pela objectiva de Paulo Resendes nas diversas freguesias que constituem o Concelho de Lagoa.
Esta é a segunda exposição realizada por Paulo Resendes no concelho de Lagoa tendo sido a primeira realizada em Setembro último no Polivalente da Freguesia do Cabouco.
A exposição “Paisagens” encontra-se patente no CEFAL até ao dia 13 de Janeiro, de segunda a sexta-feira, durante o seu período de expediente (9/13h e 14/18h).
CM Lagoa

João Pereira da Silva Dias

João Pereira da Silva Dias nasceu na freguesia de Marrazes a 17 de Março de 1894. Filho de João Pereira Dias e de Isabel da Conceição Dias, ele natural de Marrazes e ela de Alcaria, concelho de Porto de Mós. Silva Dias era neto paterno de Manuel Pereira e de Maria das Dores e materno de Bento da Silva e de Maria Esperança.
Após a conclusão dos estudos secundários no liceu da cidade de Leiria matriculou-se, em 1911, em Ciências Matemáticas na Universidade de Coimbra, onde se bacharelou em 1915 e mais tarde se doutorou. Em 1921 ascendeu ao lugar de professor catedrático regendo as cadeiras de Matemáticas Gerais, Geometria Descritiva e Estereotomia, Geometria Projectiva, Geometria Superior e Física Matemática. Estas suas funções de professor universitário foram acumuladas com as aulas que deu de Metedologia das Ciências Matemáticas na Escola Normal Superior da Universidade de Coimbra, entre 1926 e 1930.
Exerceu os cargos de Director Geral do Ensino Superior e Belas-Artes entre 1933 e 1939, foi Secretário-Geral do Ministério da Educação Nacional, entre 1933 e 1939, e desempenhou as funções de Comissário do Governo junto dos Teatros de S. Carlos e de D. Maria II, entre 1936 e 1942.
Silva Dias pertenceu aos Conselhos de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta Nacional de Educação, tendo, ainda, feito parte de diversas comissões de estudo onde se destaca a da organização geral do ensino em Portugal nos diferentes graus, no ano de 1933.
Durante cinco anos (1954-1959) foi Director da Faculdade de Ciências de Coimbra e criou o Arquivo do Teatro Nacional de S. Carlos assim como a ampliação e organização do Arquivo do Teatro D. Maria II.
João Pereira da Silva Dias era sócio da Academia Nacional de Belas-Artes, do Instituto de Coimbra, do Instituto Histórico-Geográfico de S. Paulo (Brasil), da Academia das Ciências e Artes de Lyon e da Sociedade de Geografia de Lisboa.
Além da sua actividade de professor e de homem com forte desempenho na área cultural, Silvas Dias fez várias visitas culturais a países do Continente Europeu assim como ao Extremo Oriente, África e Brasil.
Este ilustre leiriense colaborou com várias revistas onde se destacam “Arquivo Pedagógico”, “Revista da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra”, “Museu” e “Estudos Italianos em Portugal”.
Silva Dias recebeu a Comenda da Ordem da Instituição Pública e deixou a sua biblioteca ao Arquivo Distrital de Leiria, ao Arquivo do Teatro de S. Carlos e à Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.
Entre diversos trabalhos, escreveu: “Involuções do Grupo Cremoniano das Matemáticas”, “Valor Pedagógico da História das Matemáticas”, “Cenários do Teatro de S. Carlos”, “Iconografia Broteriana”, “Correlação de assuntos no ensino da Matemáticas”, “Leiria vista por Desenhadores dos séculos passados” (comunicação publicada no livro do 1.º Congresso das Actividades do Distrito de Leiria).
João Pereira da Silva Dias faleceu no Porto a 13 de Setembro de 1960.
Adélio Amaro

José Marques da Cruz

José Marques da Cruz nasceu na freguesia das Cortes, no lugar de Famalicão, a 15 de Novembro de 1888. Era filho de Francisco Marques da Cruz e de Maria Joaquina Marques da Cruz, ambos naturais da mesma freguesia, ele da Reixida e ela de Famalicão. Era neto paterno de José Marques e de Maria Cândida e materno de Justino da Silva e de Joaquina Maria. José Marques da Cruz casou com Laura Loureiro Marques da Cruz.
Após a conclusão dos estudos primários em Leiria e dos secundários em Castelo Branco, José Marques da Cruz matriculou-se, em 1908, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, emigrando para São Paulo, Brasil, em 1912, onde leccionou em vários Liceus e Institutos Comerciais.
José Marques da Cruz fundou e dirigiu o Ginásio Osvaldo Cruz, o Liceu Pindorama, o Externato Marques da Cruz e o Ginásio Renascença.
A convite do Governo Brasileiro foi examinador da Escola Politécnica, seguindo-se a actividade de professor na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, entre 1939 e 1943. O professor leiriense fez, ainda, parte da Comissão Elaboradora do Vocabulário Brasileiro, a convite da Academia Brasileira de Letras.
Além da sua actividade como professor, José Marques da Cruz fez inúmeras conferências no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) e em Portugal, onde se destacam as proferidas nas Universidades de Coimbra e do Porto.
Marques da Cruz dirigiu, também, a Fundação das Escolas da Colónia Portuguesa, com uma dedicação tal que o levou a ser distinguido pelo Governo Português com a Comenda da Ordem de São Tiago da Espada. Também o Governo Brasileiro galardoou este ilustre leiriense com oficialato da Ordem do Cruzeiro do Sul, pela sua actividade literária e pedagógica. A cidade que o recebeu, quando emigrou para o Brasil, São Paulo, também honrou José Marques da Cruz, através da Medalha de Mérito atribuída pela Câmara Municipal de São Paulo.
A sua actividade académica e literária levou-o sempre a estar ligado ao associativismo, tendo sido sócio honorário do Centro Beirão de São Paulo, membro da Sociedade de Estudos Filológicos, do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia de Ciências e Letras.
Marques da Cruz fundou, ainda, a revista cultural “Castália” e colaborou na “Revista de Filologia Portuguesa”.
A sua veia para a escrita levou-o a escrever Poesia, Prosa e Teatro. Um dos seus poemas mais conhecidos, escrito em 1911, foi “Lis e Lena”.
Na área da Poesia José Marques da Cruz deu à estampa “Água da Fonte”, “Alma Lusa”, “Oração a Portugal”, “Lis e Lena”, “Redondilhas”, Nossa Senhora da Aparecida”, “A Virgem de Fátima”, “Siglas do Lirismo Português”, entre muitos outros. Na prosa escreveu “Ciência Financeira”, “Português Prático”, “História da Literatura”, “Memórias de Fulgêncio Claro”, “Vícios de Linguagem”, “Gramática Latina”, “Eça de Queiroz, a sua psique”, “Português Vícios Práticos”, entre outros. No Teatro escreveu “Frei Luís do Coração de Maria”, em verso, tendo este sido representado na cidade da Guarda a 9 de Maio de 1912.
José Marques da Cruz faleceu a 23 de Dezembro de 1958.
Adélio Amaro

João Lopes Soares

João Lopes Soares, natural da freguesia de Arrabal, nasceu a 17 de Novembro de 1878. Era filho de Simão Pires Soares e de Cristina de Jesus. Neto paterno de João Pires Soares e de Josefa Ramos Cardoso e materno de Manuel Lopes da Cruz e de Maria de Jesus.
Fez os seus primeiros estudos no Liceu de Leiria matriculando-se, após a conclusão destes, no Seminário de Coimbra, onde concluiu o curso de Teologia, em 1900. Após a sua ordenação como presbítero, fez concurso para capelão militar, sendo colocado, em 1902, no Regimento de Artilharia n.º 2, em Alcobaça, com a patente de Alferes. Em 1905 foi transferido para a Infantaria n.º 16, em Lisboa, onde iniciou a sua acção política, acompanhando o movimento republicano. Três anos mais tarde é preso e acaba transferido para Vila Viçosa.
Com a Proclamação da República (5 de Outubro de 1910), João Soares é colocado, de novo, em Infantaria 16 e nomeado professor do Instituto dos Pupilos do Exército. Após dois anos, foi nomeado Administrador do Concelho da Guarda e posteriormente, pouco tempo depois, Governador Civil da Guarda, transitando para Braga no ano seguinte. Em 1914 regressa a Lisboa e é nomeado vogal do Conselho Superior de Finanças onde permanece até 1926.
No entanto, em 1915, foi nomeado Governador Civil de Santarém e ocupou o lugar de Deputado da Nação pelos Círculos de Guimarães e Leiria, 1916 e 1926, respectivamente. No ano de 1919 foi Ministro das Colónias, no Ministério de Domingos Pereira.
Após pedir a anulação das Ordens eclesiásticas que havia recebido, pôs em Roma uma acção canónica pedindo a sua anulação, confirmada pelo Papa em Agosto de 1927.
Em 1935 fundou e dirigiu o Colégio Moderno, em Lisboa.
Durante uma vida muito preenchida, com altos e baixos, passando pelo exílio e prisão nos Açores e Espanha, João Lopes Soares dedicou sempre parte da sua vida ao Ensino e à publicação de trabalhos relacionados com essa área, onde se destaca o “Novo Atlas Escolar Português”, publicado em 1943, com 4 edições e que teve uma edição especial para o Brasil, com prefácio de João de Barros.
Publicou, ainda, vários livros didácticos em que se salientam: “História Universal”, em 3 volumes; “Portugal nossa Terra”, em colaboração com Elísio de Campos; “Quadros de História de Portugal”, colaboração com Chagas Franco e ilustrado por Roque Gameiro e Alberto de Sousa; “A Idade Moderna e Contemporânea”; “Atlas Auxiliar de Iniciação Geográfica e Fé e Civismo”; “História de Roma e da Idade Média” e “Os Povos Orientais e a Grécia”.
A 17 de Novembro de 1968, quando completou 90 anos de idade, João Lopes Soares foi alvo de uma grande homenagem dos seus antigos alunos.
Viúvo de Elisa Nobre Lopes Soares e pai Tertuliano Lopes Soares e de Mário Soares (ex-Presidente da República), João Lopes Soares faleceu a 31 de Julho de 1970, com 91 anos de idade. A cerimónia de corpo presente decorreu na igreja de São João de Brito, em Lisboa, donde se realizou o funeral para o cemitério das Cortes, Leiria.
Adélio Amaro

Francisco Rodrigues Lobo

Francisco Rodrigues Lobo nasceu em Leiria em 1579, segundo alguns historiadores, ou 1580, segundo outros. Era filho de André Luís Lobo e de Isabel Lopes, moradores na antiga rua da Água, nos dias de hoje rua Comandante João Belo. Segundo João Cabral, o pai de Rodrigues Lobo seria escudeiro fidalgo da Casa da Infanta D. Isabel (cristão novo) e sua mãe seria “meia cristã nova”. Era neto paterno de Simão Luís e Ana Roiz e neto materno de Manuel Lopes (natural do Alentejo) não se sabendo o nome da sua avó materna.
O poeta, prosador e pedagogo Rodrigues Lobo fez os seus estudos iniciais na cidade que o viu nascer e mais tarde em Tomar, onde aparece matriculado em 1593 e no ano seguinte em Leis na Universidade de Coimbra, da qual recebeu o grau de bacharel, a 13 de Maio de 1602, depois de alguns anos de interrupção nos estudos.
É na cidade dos estudantes que Rodrigues Lobo se estreia no mundo das letras, com apenas 17 anos, ao publicar “Prymeira e Segunda Parte dos Romances”.
O poeta leiriense terá feito uma vida despreocupada, visto que usufruiu do rendimento do priorado de Porto de Mós que recebeu como prémio, da mão do Duque D. Teodósio, por ter “glorificado”, no seu poema “O Condestabre” a Casa de Bragança. Rodrigues Lobo relacionava-se com a maia alta fidalguia de Portugal, frequentando mesmo os solares dos Marqueses de Vila Real, em Leiria, e dos Duques de Bragança, em Vila Viçosa. Talvez por isso, alguns historiadores lhe tenham atribuído descendência nobre, facto que outros afirmam que o poeta não possuía.
Leiria foi, quase sempre, a tela principal da obra de Francisco Rodrigues Lobo, como são exemplo os seus romances “A Primavera”, “O Pastor Peregrino” e “O Desenganado” assim como outros trabalhos, onde descreveu a época em que viveu, como é o caso de “Corte na Aldeia” considerada como o primeiro “sinal literário” do Barroco em Portugal. Esta obra, dedicada ao descendente da Coroa Portuguesa, D. Duarte, irmão do Duque de Bragança, convida este último a preservar o orgulho da “língua e da nação Portuguesa”.
O Poeta deixou para a memória imensos trabalhos. Contudo, o seu derradeiro trabalho, “La Jornada de la Magestad Catholica del-Rey Felippe Tercero hizo ao Reybo de Portugal”, serviu para assinalar a visita de Filipe III de Espanha a Portugal. Este trabalho terá sido um “infeliz passo da vida do Poeta” como refere Agostinho Gomes Tinoco, tendo em conta que os Reis Filipes nunca foram bem aceites do reino português, quando estes tomaram Portugal.
Todavia, entre muitas, algumas já referidas, são de salientar as seguintes obras: “Cartas dos Grandes do Mundo e Relação burlesca”; “Canto elegíaco ao lamentável sucesso do Santíssimo Sacramento que faltou na Sé do Porto”; “Eufrosina” e entre outras “Auto do nascimento de Cristo”.
Uma outra curiosidade, em relação ao Poeta Rodrigues, é o facto de ter sido Judeu, segundo João Cabral, explicando o facto de “sua família ter passado pelos cáceres do Santo Ofício, o que está hoje bem demonstrado e também se prova com uma escritura de «Fiança que dá António Vaz Castelo Branco» que se encontra no livro n.º 17 do Cartório Notarial, folha 9 verso, do Arquivo Distrital de Leiria, onde se diz «todos os bens móveis abaixo e rendimentos deles pertencentes a Joana Lobo, sua mulher, presa nos cárceres do Santo Ofício da cidade de Lisboa…»”.
Francisco Rodrigues Lobo morreu afogado no Tejo a 24 de Novembro de 1621, faz na presente semana 389 anos, quando fazia a viagem entre Lisboa e Santarém, “por se ter voltado o barco”. Deste acidente morreram mais pessoas e segundo João Cabral, nos Anais de Leiria, “apenas se salvaram D. Lopo da Cunha e um seu criado”.
A sua primeira jazida foi na igreja paroquial de Santa Iria. Os seus restos mortais, mais tarde, foram trasladados para a Capela das Queimadas do Mosteiro de S. Francisco, em Lisboa, que sofreu um violento incêndio, em 11 de Junho de 1708, que o destruiu.
Adélio Amaro

Afonso Lopes Vieira

Afonso Lopes Vieira, natural de Leiria, nasceu a 26 de Janeiro de 1878. Era filho do advogado e jornalista Afonso Xavier Lopes Vieira e de Mariana Lopes Vieira, ambos naturais da freguesia das Cortes.
Era neto paterno de José Lopes Vieira da Fonseca e de Maria José Xavier Cordeiro da Fonseca e materno de José António de Azevedo e de Maria José Lopes de Azevedo.
Afonso Lopes Vieira, desde muito novo, conviveu com os clássicos da literatura através do contacto que teve com os livros patentes na recheada livraria da casa do seu tio-avô, nas Cortes.
Após a conclusão do curso liceal, em Leiria, Afonso Lopes Vieira matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se bacharelou em 1900, tendo o próprio afirmado ser “um aluno medíocre”.
É na cidade de Coimbra que inicia a sua vasta obra literária, publicando as obras em verso “Para Quê?” (1897) e “Náufrago” (1898).
Já em Lisboa, depois de ter rejeitado o lugar de sub-delegado do procurador régio, para o qual fora nomeado em 1900, tentou abraçar, tal como seu pai, a carreira de advogado, actividade que abandonou após a sua primeira intervenção em tribunal.
Entre 1906 e 1916 exerceu o cargo de redactor da Câmara dos Deputados.
Embora homem viajado, com várias ausências no estrangeiro, Afonso Lopes Vieira vivia a sua vida repartida entre Lisboa e a sua casa de férias em S. Pedro de Moel – “Casa-búzio”, sobre a qual vários escritores e jornalistas afirmam que teve influência na obra literária do poeta leiriense, sendo de salientar o açoriano Vitorino Nemésio que chamava ao poeta de Mestre. Afonso Lopes Vieira foi o autor do prefácio do primeiro livro de Nemésio – “O Paço do Milhafre”.
Apaixonado pela obra de Gil Vicente, Afonso Lopes Vieira inicia, em 1911, aquilo a que chama, na sua auto-biografia, “Campanha Vicentina”, lutando para que as obras do “pai” do Teatro subissem aos palcos dos teatros lisboetas ou fossem alvo de espectáculos ao ar livre.
Outras duas referências para Afonso Lopes Vieira foram, são dúvida, Camões e Garrett, seguindo o fio condutor deste último, na procura da tradição como fonte de inspiração da literatura e das artes portuguesas. Afonso Lopes Vieira era um homem com o dom da palavra. Realizou numerosas conferências onde destacou a referida tradição através de referências ao Folclore e à Arte Nacional.
Deixou uma obra literária muito rica com trabalhos nas áreas de poesia, poesia musicada, prosa, literatura infantil, cinema, adaptações e reconstituições, traduções, compilações, antologias, conferências, discursos e alocuções, além dos inúmeros artigos publicados em jornais e revistas e outros trabalhos dispersos.
Já na década de quarenta é convidado a reger um curso de Literatura Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, convite que declinou por motivos de doença.
Afonso Lopes Vieira rejeitou todas as homenagens que particulares e instituições, incluindo o Governo, lhe tentaram prestar.
Uma das maiores referências da cidade do Lis faleceu a 25 de Janeiro de 1946.
Deixou a sua enorme Biblioteca à cidade de Leiria tendo, mais tarde, a Autarquia atribuído o seu nome à Biblioteca Municipal.
Adélio Amaro

Joel Ferreira Canhão

Joel Ferreira Canhão, poeta, pianista, compositor e maestro, nasceu a 25 de Maio de 1927, no lugar de Moinhos da Barosa, freguesia da Barosa. Era filho de Luís Ferreira Canhão e de Etelvina da Conceição Casado.
Após os estudos liceais em Leiria, concluiu o Curso Superior de Música em Piano no Conservatório de Lisboa e estudou órgão no Centro de Estudos Gregorianos da mesma cidade.
Joel Canhão foi diplomado com o Curso de Professores de Canto Coral para o Ensino Secundário, bolseiro do Instituto para Alta Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian. Frequentou estágios de Direcção Coral e de Iniciação Musical para Crianças, na Suíça, dedicando-se posteriormente à docência em vários estabelecimentos de ensino, do Jardim-de-Infância à Universidade.
Ao mesmo tempo, como regente, a sua actividade esteve ligada à direcção do Orfeão Escalabitano, do Grupo Coral Alfredo Keil (Santarém), do Orfeão Académico de Coimbra e do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, com os quais se apresentou em vários centros da Europa, de África, do Japão, em Macau e no Brasil.
O conteúdo das publicações que deu a conhecer eram, essencialmente, no domínio da música, marcadamente de carácter didáctico e dedicados quase exclusivamente à criança, abrangendo um leque variado de obras sobre Educação Musical, canções, coros, peças para piano e outros instrumentos.
A sua produção musical passou, ainda, por temas de musicologia, em cuja área se inseriu a descoberta de um importante documento do século XII, identificado como fragmento do Antifonário do Ofício.
No campo literário publicou vários livros de poesia com o pseudónimo Mouro Serpa, além de outros apontamentos em prosa, na maioria de temática musical, publicando ainda vários artigos em diversos jornais e revistas.
Como poeta deu a conhecer a sua veia através dos livros “Mal de Silêncio”, “Avião da Madrugada”, “Escala de Abelha”, “Portagens no Vento” e “Dedilhações em busca… e outros exercícios”. Este último foi publicado em 2005, tendo o mesmo sido editado pela Junta de Freguesia da Barosa e lançado no auditório daquela freguesia. Foi, ainda, apresentado na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra.
Joel Canhão participou, também, na gravação dos LPs do Orfeão Académico de Coimbra e dos Antigos Orfeonistas da Universidade, desempenhou funções de organista titular da capela da Universidade de Coimbra, onde se apresentou em concertos e em programas especialmente dedicados à criança e à juventude. Compôs, entre outras, “Cinco canções populares portuguesas”, “Três peças para as crianças”, “Seis canções populares portuguesas” e “Quatro Canções Natalícias Infantis”.
Este ilustre leiriense foi agraciado, entre várias condecorações, com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Deixou o mundo dos vivos a 26 de Fevereiro de 2010, tendo sido sepultado no cemitério da Barosa, terra que nunca esqueceu e que sempre homenageou.
Adélio Amaro

Comandante João Belo

João Belo nasceu em Leiria a 27 de Setembro de 1876, sendo baptizado na Sé da cidade do Lis a 9 de Outubro do mesmo ano. Filho de António Pedro da Costa Belo, natural de Peniche, e Antónia Júlia de Nazaré Belo, natural de Lisboa.
António da Costa Belo foi Tenente ajudante de Caçadores 6 e chegou ao posto de General, tendo a sua actividade influenciado a vida profissional do seu filho João Belo. Este último era neto paterno de José da Costa Belo e de Maria Rita de Jesus Belo e neto materno de Manuel Vicente Simões de Nazaré e de Júlia Marinho Falcão de Sousa Castro Nazaré.
João Belo alistou-se na Armada aos 17 anos. Já com o posto de Guarda-marinha foi para Moçambique a bordo da corveta “Duque da Terceira” integrando as campanhas de pacificação de Gaza, dos Namarrais e do Barué, sob as ordens de Mouzinho de Albuquerque. Ali viveu 29 anos.
No distrito de Gaza (Moçambique) João Belo desenvolveu intensamente e de forma activa várias iniciativas, ainda como Tenente, com realce para a construção do caminho-de-ferro Chai-Chai a Manjacaze, numa extensão de 90 quilómetros e o levantamento hidrográfico do Rio Limpopo. Foi responsável pela respectiva farolagem e construção do farol de Inhampura e de Gaza.
Em 1919, foi para Lourenço Marques onde assumiu a chefia do Departamento Marítimo dando-lhe acesso ao lugar de Conselheiro Legislativo da Província. Ali se manteve naquele cargo até 1925, ano em que regressou a Lisboa, onde prestou serviço na Direcção dos Serviços de Hidrografia e Navegação.
Após a implantação do regime da revolução de “28 de Maio” de 1926, João Belo foi nomeado Ministro das Colónias, a 9 de Julho de 1926 foi, remodelando, já em funções, a administração civil e financeira do Ultramar, elaborando o respectivo Código Administrativo. Criou, ainda, o Banco Emissor e a Junta da Moeda de Angola e promoveu o financiamento de Moçambique e Angola.
João Belo, como Ministro, promulgou o estatuto Político, Civil e Criminal dos Nativos de Angola e Moçambique e o estatuto orgânico das Missões Religiosas. Além de reorganizar a Escola Superior Colonial de Lisboa, João Belo criou, também, o Conselho Superior das Colónias e o Conselho Superior Judiciário.
Das numerosas condecorações que possuía destacam-se as Grã-cruzes de Torre e Espada e da Ordem do Império.
O Comandante João Belo, como ficou conhecido, morreu a 3 de Janeiro de 1928 no desempenho das funções de Ministro das Colónias, com o posto de Capitão-de-Fragata, sendo sepultado no Cemitério do Alto de S. João, Lisboa.
Postumamente, como homenagem, por decreto de Março de 1928, o seu nome foi dado à povoação de Chai-Chai (capital da província de Gaza) designando-se esta com o topónimo “João Belo”, que se manteve até à independência de Moçambique.
Adélio Amaro

Quem foi o artista?

Diz-me, ó abençoada
Ilha de S. Miguel
Quem foi o pintor,
Com seu pincel
E muito amor,
Coloriu
Tão belas paisagens?
Variegados tons
De salsas águas
Que te rodeiam
E belas
E Verdejantes
Tonalidades
Diferentes
Enchendo de magia
A alma das gentes
Visitantes!

Abençoado pintor,
Abençoado pincel!
Ó amada Ilha
Dos Açores
Ó bela S. Miguel!
De tanta majestade
Para ti, um abraço
Fraterno
E muito terno
Cheio de saudade.
J. Soares Duarte

O som do silêncio

O silêncio, muitas vezes, é tão profundo que chega a doer na alma. Não uma dor física e passageira, mas uma dor intensa e devastadora.
Por si só, o não existir de palavras, músicas ou qualquer coisa que nos faça sentir alguma vibração, já é algo incomum para o ser humano e até mesmo para os animais. Mas, muitas vezes, está ausência absoluta de sons, nos traz uma introspecção tamanha, um encontro como nunca foi alcançado com o nosso “eu” interior, com nós mesmos.
Existem pessoas que ficam bem no silêncio, porque, dizem elas, podem alcançar as suas próprias almas, ou planos espirituais muito mais elevados, ou até mesmo entrar em contato com divindades.
Precisamos de traquilidade e falta de estímulos ao redor para entrar em um estado de mutação física, de “nirvana”, onde o silêncio, por si só, já é um som.
Uma doce e mística melodia de encantamento e sublimidade; de enlevação e amor fraternal; de purificação e grandeza interior.
Por isso, os grandes mestres, sejam de qualquer religião ou filosofia, sempre ficam em silêncio para meditar e entrar em sintonia com o ser maior, o criador de tudo e de todos nós.
Quantas vezes ansiamos por um pouco de silêncio para podermos criar algo, ou até mesmo, apreciarmos a própria natureza que, por si só, já é um arroubo de sons líricos?
Mas, quantas vezes o tememos? Fugimos dele como se fosse o nosso perseguidor implacável, remetendo-nos para lugares em nosso pensamento onde tememos ir.
Por iniciativa própria ou por contingência da vida podemos de uma hora para outra, de um minuto para outro, ficarmos em um silêncio absoluto e perturbador.
Chega sem aviso. Sem pedir licença e pode mudar nossas vidas para sempre.
Dizem os sábios do Tibet (país situado nas longínquas montanhas do Himalaia), que só podemos conhecer o nosso “eu” totalmente quando estivermos, pelo menos uma vez na vida, em um silêncio profundo e absoluto. Em uma total ausência de sons.
Sejam eles, exteriores ou interiores, onde se possa ouvir, os sons do fundo da alma ou do espírito.
Muitos deles permanecem anos, trancados em cavernas geladas em um estado de semiconciência, onde não existe nenhum tipo de som.
Quando saem de lá, revelam que ouviram a própria voz, vindo do seu interior. E a voz de divindades absolutas que habitam o silêncio e as nossas almas.
Se é verdade ou não, cabe a cada um decidir.
Mas tentar entender o silêncio e desfrutar dele, não o temendo, é um dever e um desafio que todos nós deveríamos tentar.
Ouçam o som do silêncio, conheçam-se mais. Assim, poderão ter uma vida mais feliz e menos ansiosa, apesar de viverem em cidades onde o barulho, muitas vezes, chega a ser ensurdecedor.
SILÊNCIO... silêncio... silêncio!
Claire Leron, Brasil

A pedra

Eu sou a pedra.
A pedra atirada
pela força da ira
do braço insensato
do vingador.
Eu sou a pedra.
A pedra inocente
que ao cair por terra
errou o alvo,
virou flor...Exponho-me!
O sol me aquece,
a chuva beija-me as pétalas...
Adormeço com o orvalho da noite
a acariciar-me...
Calo-me diante
da violência irracional
do homem arremessador.
Não atirem pedras
sobre feridas que sangram...
Fazer dos dedos cinzel,
com emoção
esculpir a pedra bruta...
E assim a poesia brotará no papel.
Capitu, Brasil

Livro "Ao Encontro do Castelo" de Adélio Amaro



O Castelo de Leiria foi o palco escolhido para o lançamento do livro de fotografia "Ao Encontro do Castelo" do leiriense Adélio Amaro. A apresentação deste livro, primeiro número da colecção "Cantos, Recantos e Encantos" que a Associação de Investigação e Cultura dos Açores / Leiria (AICAL) promove, foi inserida na 8ª Comemoração da criação do Dia da Freguesia de Leiria.
No decorrer da cerimónia foi apresentada, publicamente, a AICAL e foi assinado um protocolo de colaboração entre a Junta de Freguesia de Leiria e a referida Associação. A sessão contou, também, com um momento musical da responsabilidade do Grupo de Tunos de Leiria e de Nuno Brito (autor do tema Já se Sabe da novela Ilha dos Amores).
A cerimónia contou com a presença de várias individualidades onde se destacam o Presidente da Câmara Municipal de Leiria, Raul Castro, a Presidenta da Junta de Freguesia de Leiria, Laura Esperança, o Director do Arquivo Distrital de Leiria, Acácio de Sousa, entre muitas outras.
Esta iniciativa teve, ainda, a colaboração da Associação Radio Amadores de Leiria.

As Artes na Educação



A Galeria da Casa do Pelourinho em Óbidos o lançamento do livro As Artes na Educação. Contextos de aprendizagem promotores de criatividade, de Miguel Oliveira e Sandrina Milhano.
O livro foi publicado pela Editora Folheto Edições e Design e pelo Centro de Investigação Identidade(s) e Diversidade(s) (CIID) e contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria (ESECS), Associação Nacional de Animação e Educação (ANAE), Revista Animação e Educação (RAE) e Município de Óbidos.
A apresentação do livro foi feita pelo ilustre Professor Doutor João Soeiro de Carvalho, comissário da Conferência Nacional de Educação Artística (CNEA) e Professor Associado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que no prefácio do livro afirma que “as lições da modernidade, e muito em particular as transformações económicas, parecem dizer-nos que no desenvolvimento da criatividade reside a grande valia dos sistemas educativos. Os autores dos textos que se seguem afirmam a convicção de que um contexto de aprendizagem enriquecido pela arte é promotor da criatividade. Os seus postulados, portanto, bem como os resultados da sua experimentação constituem um desafio e uma janela de oportunidade para as escolas: para que sintam a arte, e se deixem tocar por ela”.
No lançamento estiveram presentes na mesa o editor Adélio Amaro, a professora Adalgisa Brito em representação do CIID, que proferiu um discurso emocionado acerca do percurso dos dois autores de quem é amiga e colega no IPL. Joana Carvalho, presidente da ANAE realçou o papel de Miguel Oliveira como “grande pilar” desta associação explorando o trabalho que se tem desenvolvido e que a ANAE pretende continuar a desenvolver no âmbito das artes associadas a uma educação cada vez melhor. Humberto Marques, vice-presidente do Município de Óbidos foi o anfitrião deste lançamento mostrando a importância que o trabalho em torno da criatividade tem tido no município e garantindo que Óbidos tem como grande prioridade a educação continuando a apostar em projectos deste género.
O lançamento deste livro aconteceu integrado num Encontro Internacional da ANAE em parceria com a APECV também com o tema “As Artes na Educação” que trouxe a Óbidos cerca de duzentos investigadores, professores, educadores e artistas de todo o país. Estiveram também presentes conferencistas e do Brasil, Estados Unidos da América, Hong Kong, Espanha entre outros países da Europa e do Mundo.
É um livro que se destina em particular a educadores, professores do 1.º ciclo do Ensino Básico, professores das áreas curriculares das expressões artísticas e aos futuros educadores e professores - estudantes das licenciaturas em Educação Básica e estudantes dos 2º ciclos de estudos em Educação. Por outro lado, destina-se a todos os investigadores no contexto educacional interessados na reflexão sobre as artes na educação e no papel que as artes ocupam na vida das nossas crianças.
O livro proporciona através dos textos de cada autor recursos que possivelmente poderão “contribuir para que a educação artística se torne num lugar privilegiado para a aprendizagem, desenvolvimento e contacto sistematizado com as artes e suas linguagens”. São apresentados textos com enfoque na contemporaneidade, em novos modos de entendimento das artes, na pós-modernidade, no papel das artes na construção da identidade, nas questões associadas à literacia em artes, na avaliação e processos criativos das crianças, na relação arte – cultura – educação e nas artes enquanto contextos promotores de criatividade.
Os autores defendem que “as artes enquanto processos que articulam a razão, a emoção e a imaginação, favorecem a criação, o experimentalismo, a interacção colectiva, a resolução de problemas, o desenvolvimento do pensamento crítico, a expressão, o conhecimento, a exigência, a persistência, o exercício da cidadania, a cultura”. Nos artigos que compõem a obra podem explorar-se vários exemplos que ilustram esta dinâmica e também o pensamento dos organizadores desta obra.
Miguel Oliveira e Sandrina Milhano ofereceram um exemplar autografado ao Sr. Presidente da República Cavaco Silva, à Ministra da Educação Isabel Alçada, à Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas e aos autarcas responsáveis pela educação em Óbidos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Américo Cortez Pinto

Américo Cortez Pinto nasceu em Leiria no dia 14 de Março de 1896. Era filho de Manuel Pinto da Silva e de Joaquina Adelaide Cortez Curado da Silva, ele natural de Torres Novas e ela da freguesia leiriense Regueira de Pontes. Cortez Pinto era neto paterno de Bento José Pinto e de Maria José e materno de José Domingues Curado e de Gertrudes Margarida da Conceição Curado.
Após os estudos secundários no Liceu de Leiria, matriculou-se, em 1913, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra onde completou o curso em 1920.
Américo Cortez Pinto foi médico escolar em Leiria, membro da Comissão Distrital da União Nacional de Leiria, inspector de Saúde Escolar, vice-presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses e entre 1949 e 1957 foi deputado da Nação, tendo, também, exercido funções de vereador na Câmara Municipal de Lisboa de 1946 a 1954.
Este ilustre leiriense foi ainda membro da Comissão de Literatura e Espectáculos Infantis e da Comissão de Classificação de Espectáculos.
Na sua actividade como professor leccionou as disciplinas de “Psico-Pedagogia da Infância e Adolescência” no Instituto de Serviço Social, Higiene no Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge e a mesma disciplina na Cruz Vermelha. Ainda na área da Higiene organizou a Corporação dos Fiscais de Higiene e Donas de Casa entre os estudantes dos liceus da sua área de inspector escolar.
Cortez Pinto foi director dos Serviços Sociais do Instituto Português de Reumatologia tendo, nessa qualidade, presidido ao VI Congresso Europeu de Reumatologia realizado em Lisboa no mês de Outubro de 1967.
Além da medicina, do ensino e da actividade política, Américo Cortez Pinto dedicou grande parte da sua vida ao universo da escrita e investigação sendo considerado um grande poeta e um escritor reconhecido. Como tal, colaborou na “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, na “Enciclopédia Verbo” e em diversos jornais e revistas onde se destacam “Ícaro” que fundou com Ernesto Gonçalves, Cabral do Nascimento e Luís Vieira de Castro, “Galera”, “Contemporânea”, “Coimbra Médica”, “Saúde Escolar”, “Ocidente”, “Revista de Portugal” e os jornais “O Mensageiro”, “A União Nacional”, “A Voz” e “Novidades”.
Fruto da sua dedicação profissional e também literária, Américo Cortez Pinto foi galardoado com os prémios literários “Antero de Quental” (1941), “Alexandre Herculano” (1948) e agraciado com o grau de “Oficial da Ordem de Cristo” e “Cruz Vermelha de Mérito”.
Américo Cortez Pinto, entre diversos trabalhos, escreveu “Senhora da Renúncia”, “Poema da Tentação”, “Os Perigos da Castidade”, “A Alma e o Deserto”, “Da famosa Arte da Imprimissão”, “Da Imprensa das Cruzadas de Além-Mar”, “O Poetas Saudade”, “Florilégio de Leiria”, “Leiria, Cidade Incunábula do Livro e do Papel”, “A Herança Maravilhosa”, “O Menino Jesus em Portugal”, “Talent de bien faire”, “Santos de Portugal”, “A Cava de Viriato”, “Acácio de Paiva” e “Um Cresus Perdulário”.
Américo Cortez Pinto faleceu em Lisboa a 30 de Novembro de 1979.
Adélio Amaro

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Casa do Distrito de Leiria (em Lisboa)

A memória histórica de um país está no património que se conserva. Monumental, artístico, musical, fotográfico ou documental. Conhecer essa memória passa não só pela conservação, mas pela organização e divulgação desse mesmo património. Neste contexto e no que se refere ao documental, a nossa experiência tem sido bastante gratificante e tem‐nos permitido acrescentar alguns dados novos à história da nossa região.
Foi o caso da Casa do Distrito de Leiria, cuja documentação a partir de 1997 passou a fazer parte do espólio do Arquivo Distrital de Leiria. O trabalho de identificação e organização que desenvolvemos, deu‐nos a conhecer uma associação, fundada em 1938 que funcionou na capital, que surgiu de um apelo do então Presidente da Câmara de Leiria, a uma comunidade de leirienses residentes em Lisboa, constituída por pessoas influentes e bem colocadas política, social e economicamente, provenientes dos mais diversos sectores profissionais. Médicos, advogados, notários, oficiais militares, engenheiros, comerciantes, banqueiros, professores, funcionários públicos, escritores, jornalistas, artistas entre outros.
Reuniu pela primeira vez uma Comissão organizadora em 8 de Fevereiro de 1938 no 3.º andar do n.º 126 da Avenida Duque de Loulé em Lisboa. O Clube dos 100 à Hora foi utilizado também pela referida Comissão até ficar definitivamente instalada na Rua Nova da Trindade no 2.º andar do N.º 18, nas dependências da Associação dos Amadores de Música de Lisboa. Teve os seus estatutos aprovados em 21 de Novembro de 1938 por alvará do Governo Civil de Leiria.
Foi o seu primeiro presidente O Contra‐Almirante Joaquim de Almeida Henriques, notável pela acção que desempenhou na Marinha e a figura principal do arranque inicial da actividade desta agremiação.
Manteve desde o primeiro dia uma intensa actividade cultural, uma interventiva acção social e uma sistemática pressão junto do poder político. Entre conferências, serões culturais, exposições, bailes, excursões, homenagens, a Casa foi também mentora do I e II Congressos das Actividades do Distrito de Leiria. Esteve ainda na origem da resolução de problemas e situações que muito contribuíram para o progresso da sua região. Cessou em 1953.
Foram suas congéneres, entre muitas outras, a Casa do Alentejo, a Casa de Entre Douro e Minho, a Casa de Lafões, a Casa de Coimbra, Casa das Beiras, a Casa de Tomar, a Casa dos Açores.
Estas agremiações constituíam‐se no seio de comunidades regionais, residentes em Lisboa, tendo por base a convivência dos seus patrícios, a divulgação dos seus valores, costumes, riquezas e a defesa dos interesses da sua região, junto do poder político do Estado Novo. Era o regionalismo a acordar reagindo à reforma administrativa consignada no Código de 1936.
A união destas associações, num total de 25000 sócios, deu origem a um movimento do qual nasceu o Conselho Superior do Regionalismo Português, que actuava como uma Federação de todas as Casas Regionais, actuando em sua defesa e representação As relações entre estas associações eram cordiais e bastante salutares. Convidavam‐se a participar das iniciativas de cada uma delas, promoviam sessões e eventos alusivos às regiões das outras Casas.
De entre a documentação da Casa de Leiria recolhemos um convite da Casa dos Açores datado de 4 de Fevereiro de 1941, que passo a transcrever:
Realizando o Sr. Dr. Pedro de Aguiar, ilustre Director dessa Casa, uma conferência no próximo dia 8 do corrente, pelas 22 horas na sede da Casa dos Açôres, sob o titulo “As duas ilhas pequeninas” muito nos honraria V. Exª. com a sua presença e bem assim os restantes Directores da Casa de Leiria. Os sócios da vossa Casa, que queiram assistir, podem faze‐lo mediante a simples apresentação do seu bilhete de identidade. À conferência segue‐se baile e o traje é de cerimónia. Aproveito o ensejo para endereçar a V. Exª. Os protestos da mais elevada consideração e subscrevo‐me.
É assinado pelo presidente da direcção Francisco Soares de Lacerda Machado.
No espírito de troca e partilha, as Casas enviavam, anualmente, umas às outras, cartões de livre entrada, para os diversos eventos que organizavam. A exemplo, em 2 de Março de 1951 a Casa do Distrito de Leiria envia à sua homóloga dos Açores, o seu cartão. Assina o presidente da direcção José Rodrigues de Matos.
Continuamos a constatar que as relações entre Leiria e os Açores são de longa data e que os laços de amizade e cooperação se têm revelado profícuos e de grande significado para as duas regiões.
São estas associações fontes documentais interessantíssimas e a Casa dos Açores poderá será também, um manancial de surpresas que valeria a pena conhecer.
Ana Bela Vinagre